Dados do Sebrae indicam desafios nos primeiros anos de atividade das empresas brasileiras e apontam planejamento, gestão e capacitação como pontos de atenção para novos negócios
O setor de turismo concentra oportunidades para novos empreendimentos, mas a permanência das empresas no mercado depende de fatores como planejamento financeiro e conhecimento do nicho.
O relatório técnico Sobrevivência das Empresas Mercantis Brasileiras, do Sebrae, indica que apenas 53,2% das organizações permanecem em atividade após cinco anos, enquanto 17,6% encerram as operações já no primeiro ano.
Diante desse cenário, a elaboração de um plano de negócios está entre as primeiras etapas para quem pretende investir em pousadas, hostels, agências de experiências ou produtoras de eventos.
O que considerar antes de abrir um negócio na área de turismo
Especialistas orientam que o primeiro passo seja elaborar um plano de negócios. O documento reúne informações sobre o mercado, o público-alvo, o modelo de operação e a estrutura financeira do empreendimento.
No setor de turismo, esse diagnóstico auxilia na definição de aspectos como o tipo de hospedagem, as experiências que serão ofertadas e o formato de atendimento.
A elaboração do plano também permite organizar as informações disponíveis antes do início das atividades. Com isso, as decisões passam a ser baseadas na análise do mercado e nas condições do negócio.
Além do planejamento, o empresário deve considerar pontos como a regularização empresarial, o cumprimento das exigências legais da atividade, a definição dos canais de divulgação e a análise da concorrência.
Como organizar o planejamento financeiro
De acordo com o Guia de Planejamento Financeiro do Sebrae, o processo começa pelo levantamento de todos os dados financeiros da organização. Isso inclui a estimativa de receitas, despesas fixas e variáveis, investimentos, financiamentos e outras movimentações.
Com essas informações, o empreendedor pode definir metas financeiras de curto, médio e longo prazo. Os objetivos devem ser específicos, mensuráveis e compatíveis com a realidade da empresa, permitindo acompanhar resultados e realizar ajustes quando necessário.
Outro aspecto destacado pelo guia é a elaboração de um orçamento que reúna a previsão de receitas e despesas. Nessa fase, também são estimados os investimentos iniciais e a necessidade de capital de giro.
Experiência do cliente influencia a decisão de compra
No segmento de hospitalidade, a experiência do cliente é um fator decisivo e começa ainda na fase de planejamento da viagem, estendendo-se até depois do retorno para casa. A pesquisa prévia, a reserva, o atendimento durante a estadia e o relacionamento após a prestação do serviço fazem parte da percepção sobre a marca, construída em diferentes pontos de contato.
Segundo o Think with Google, a jornada do consumidor tornou-se menos linear, com pessoas transitando por dezenas de canais antes de tomar uma decisão de compra. Em média, os consumidores interagem com mais de 130 pontos de contato móveis por dia. Nesse cenário, pousadas, hostels e outros empreendimentos de turismo disputam a preferência do público, o que reforça a importância de oferecer uma experiência positiva.
De acordo com o Customer Experience Survey 2025, mais da metade dos entrevistados deixou de comprar de uma marca após uma interação negativa com produtos ou serviços. Além disso, 29% interromperam o relacionamento em razão de um atendimento insatisfatório, tanto em canais físicos quanto digitais.
Formação em gestão contribui para a sustentabilidade empresarial
Conhecer o mercado e ter afinidade com o turismo são fatores que favorecem o empreendedorismo no setor, mas a administração do negócio também exige conhecimentos em gestão.
Uma das opções de formação para quem deseja desenvolver essas competências é o bacharelado em Gestão de Hospitalidade. A grade curricular reúne conteúdos sobre administração de meios de hospedagem, alimentos e bebidas, eventos, turismo e gestão de pessoas.
Outra alternativa é a graduação em Tecnologia em Hotelaria, voltada à gestão operacional de meios de hospedagem e demais negócios no setor. A formação inclui disciplinas relacionadas à administração, marketing, gestão de pessoas e uso de tecnologias aplicadas aos serviços de hospitalidade.
Além da formação acadêmica, empreendedores também podem recorrer a consultorias, mentorias e programas de capacitação oferecidos por instituições de apoio aos pequenos negócios.




