A bordo do La Dolce Vita Orient Express, Ana Paula Carneiro percorreu a Itália e revela como gastronomia, design, serviço e cultura passam a fazer parte da própria jornada
O mercado global de viagens ferroviárias de luxo movimentou US$ 3,8 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 7,2 bilhões até 2034, segundo a Dataintelo. O crescimento acompanha uma mudança na forma como viajantes de alto padrão enxergam o luxo, com o próprio percurso ganhando protagonismo. Foi essa experiência que Ana Paula Carneiro, especialista em marcas de luxo, viveu a bordo do La Dolce Vita Orient Express, em uma jornada pela Itália entre Roma, Portofino e Veneza.
“Hoje, o luxo não está apenas no destino ou no que você compra, mas principalmente em como você vive aquela experiência. Existe um desejo cada vez maior por viagens que tenham uma história, que sejam personalizadas e que ofereçam uma sensação de exclusividade. No trem, o próprio tempo deixa de ser um intervalo e passa a fazer parte da experiência”, afirma Ana Paula.
A tendência também aparece no comportamento de consumo. Segundo dados da Visa, os gastos internacionais com tours ferroviários cresceram 59% entre 2019 e 2024, enquanto o turismo transfronteiriço avançou 18% no mesmo período.
Viajantes desse segmento também gastam, em média, 72% mais durante a viagem do que turistas que não optam por tours ferroviários. “Existe uma inversão muito interessante.
Em uma viagem convencional, normalmente pensamos em quanto tempo vamos levar para chegar. No luxo sobre trilhos, o tempo da viagem ganha valor. Você olha pela janela, faz uma refeição, conversa, observa a paisagem e percebe que tudo aquilo também é parte do destino”, explica a especialista.
No La Dolce Vita Orient Express, essa proposta aparece em diferentes camadas da experiência. O interior, assinado pelo Dimorestudio, reúne referências de nomes como Carlo Scarpa, Gio Ponti e Ignazio Gardella, além de fotografias de Marcello Geppetti que remetem à efervescência cultural italiana dos anos 1960. A gastronomia fica a cargo do chef Heinz Beck, enquanto música ao vivo acompanha os passageiros durante a noite.
“O que mais me chamou atenção foi perceber que nada está ali por acaso. O design, as fotografias, a música, a gastronomia, o serviço, tudo conta uma mesma história. O luxo deixa de ser apenas uma questão de materiais nobres ou de preço e passa a ser também uma questão de curadoria”, diz Ana Paula.
A experiência ainda ultrapassa os trilhos. Em Portofino, o roteiro inclui deslocamento de barco privativo e acompanhamento de uma guia local, que adapta a programação aos interesses dos passageiros, reforçando a personalização como um dos principais atributos do novo luxo.
O interesse pelo segmento também reflete uma busca maior por experiências difíceis de reproduzir. Segundo a Mastercard, as viagens ferroviárias de luxo já representam cerca de 20% dos gastos globais com viagens de trem, enquanto na Itália mais da metade dos gastos relacionados a viagens ferroviárias está concentrada em experiências de luxo.
Entre paisagens do Adriático e referências à Dolce Vita, a viagem reforça uma nova percepção de luxo, em que o próprio percurso se torna parte da experiência. “O luxo hoje tem muito a ver com experiências que ficam na memória”, resume Ana Paula Carneiro.




