Como a IA está eliminando gargalos operacionais e multiplicando a conversão de agências de viagens

Por Rafael Cohen*

O mercado do turismo sempre operou sob a pressão constante da sazonalidade e do imediatismo no atendimento.

O viajante moderno, acostumado ao dinamismo das plataformas digitais, não quer esperar horas por uma resposta ou um orçamento. Como especialista em tecnologia e gestão no setor de turismo, observo diariamente o grande desafio que as agências enfrentam para crescer e escalar suas vendas sem perder a essência do atendimento humanizado.

Com levantamentos da Booking.com apontando que 70% dos brasileiros planejam gastar mais com viagens este ano, priorizando mais experiências e maior frequência de saídas, a demanda por atendimento rápido e personalizado atingiu patamares históricos.

O grande entrave no crescimento do B2B de turismo está na operação manual e nos gargalos de atendimento no canal de conversão preferido do país, o WhatsApp. A maioria das demandas iniciais envolve perguntas recorrentes, como horários, opções de voo, documentação exigida e detalhes de pacotes.

Quando o agente de viagens gasta horas preciosas realizando essas triagens repetitivas, o tempo necessário para negociar, fechar vendas e prestar uma consultoria especializada é sacrificado. Análises de mercado da McKinsey mostram que 84% dos viajantes que utilizam ferramentas de inteligência artificial afirmam que a tecnologia melhorou diretamente sua experiência de planejamento, enquanto relatórios globais de transformação digital da Gartner apontam que mais de 40% das grandes corporações já estão acelerando a adoção de agentes de IA para solucionar gargalos operacionais específicos, demonstrando que a automação no atendimento deixou de ser um diferencial e virou infraestrutura básica de negócios.

A chave do sucesso para o setor está em unir o melhor de dois mundos, transformando a inteligência artificial em um motor invisível e altamente eficiente de conversão.

Não se trata de substituir o agente de viagens por robôs genéricos, mas sim de empoderar esse profissional por meio de uma automação treinada especificamente para as particularidades do turismo.

Agências que adotam assistentes inteligentes conseguem qualificar o lead em tempo real no WhatsApp, responder a dúvidas instantaneamente a qualquer hora do dia e entregar a oportunidade pronta para o consultor fechar o negócio.

Ao eliminar a fricção no primeiro contato e reduzir drasticamente o tempo de espera, liberamos os consultores para cumprirem o papel que nenhuma máquina substitui: criar conexões emocionais, entender as reais necessidades do cliente e desenhar experiências memoráveis. Estamos vivendo a consolidação do Turismo 5.0, uma era em que a inteligência artificial cuida da escala, da eficiência operacional e da gestão de demanda, enquanto os profissionais humanos focam na estratégia, na personalização e na excelência do relacionamento com o viajante.

As agências que se apropriarem dessa tecnologia estratégica agora serão as líderes consolidadas do mercado.

**Rafael Cohen é CEO da Blis AI. Formado em Economia pelo Ibmec Business School e alumni do programa de Empreendedorismo da Stanford Graduate School of Business, o executivo passou por empresas como BeFly, além de ter sido cofundador da Easy Barbers e consultor de projetos na Ibmec Consultoria Júnior.

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