Avós, pais e netos estão viajando juntos, mas montar um roteiro que funcione para diferentes idades exige mais do que escolher um destino
As viagens multigeracionais, que reúnem avós, pais e netos, estão entre as principais tendências do turismo em 2026. Pesquisa global da Booking.com, divulgada em maio e realizada com 32.800 entrevistados em 34 mercados, mostra que 32% dos viajantes brasileiros planejam viajar em grupos multigeracionais neste ano, incluindo avós, tios e primos. Outros 59% pretendem fazer ao menos uma viagem com o núcleo familiar.
Mais do que dividir despesas, o que impulsiona esse tipo de viagem é o desejo de estar junto. O relatório Travel Trends 2026, do Skyscanner, aponta que 69% dos brasileiros viajariam com familiares por prazer genuíno, contra 24% que fariam isso para reduzir custos. Entre as principais motivações estão criar novas memórias (66%), aproveitar uma das poucas oportunidades em que a família consegue se reunir por completo (38%) e demonstrar gratidão ou retribuição aos pais e avós (37%).
É nesse cenário que agências especializadas em roteiros sob medida têm percebido uma mudança no perfil dos pedidos: mais do que escolher um destino, as famílias precisam encontrar uma forma de fazer com que diferentes gerações aproveitem a mesma experiência.
Estela Assis, fundadora da agência de travel design Viaje com Estela, acompanha esse movimento de perto. Setenta por cento dos clientes da agência têm mais de 50 anos.
“A maior parte das pessoas que atendemos pertence à geração que está sendo presenteada. E o que escutamos delas não é um pedido por um destino novo, mas a vontade de viajar com filhos e netos antes que isso fique difícil. Muita gente adia esse sonho por anos, esperando um ‘momento certo’ que, na prática, nunca chega”, afirma Estela.
O que os números não mostram
Os levantamentos mostram quantas famílias pretendem viajar juntas, mas não revelam o principal desafio: transformar expectativas diferentes em uma experiência agradável para todas as gerações. Quando a viagem nasce do desejo de criar memórias e aproveitar o tempo em família, a expectativa é alta. E é justamente nesse ponto que o desgaste pode aparecer, quando o roteiro é montado como se todos tivessem a mesma disposição, o mesmo ritmo e os mesmos interesses.
“Um roteiro multigeracional não quebra no papel, quebra às três da tarde. O avô já andou o que aguentava, a criança está entediada e o casal de 40 anos queria ter conhecido mais um lugar. Fazer o pai de 72 anos, o filho de 40 e o neto de 8 aproveitarem os mesmos cinco dias é um problema de estrutura do dia, não de escolha do destino”, afirma Estela.
Um roteiro que respeita diferentes ritmos
Na prática, o sucesso de uma viagem multigeracional depende menos da quantidade de atrações e mais da forma como o roteiro é construído. Quando diferentes gerações compartilham o mesmo itinerário, flexibilidade deixa de ser um detalhe e passa a ser parte do planejamento.
“Existe uma ideia de que uma boa viagem é aquela em que todo mundo faz tudo junto, mas isso raramente funciona quando há três gerações envolvidas. O roteiro precisa prever momentos compartilhados e também espaço para que cada pessoa aproveite o destino no próprio ritmo. É esse equilíbrio que evita desgaste e faz a experiência ser positiva para todos”, avalia Estela.
Na avaliação da especialista, hospedagens bem localizadas, deslocamentos mais curtos e uma programação menos engessada costumam fazer mais diferença do que incluir o maior número possível de passeios. Para ela, respeitar o tempo de cada geração é o que permite que a convivência permaneça no centro da experiência.
Quando estar junto vira parte da experiência
Para Estela, o valor de uma viagem em família vai além do destino ou da estrutura oferecida. O que torna a experiência especial é a oportunidade de reunir pessoas que, na rotina, raramente têm três gerações na mesma viagem: o desafio de conciliar diferentes ritmos conseguem compartilhar vários dias juntas.
“Quando uma família decide viajar junta, ela reconhece que o tempo em comum se tornou mais raro. O filho mora longe, o neto tem escola e cada pessoa tem a própria agenda. A viagem passou a ser uma das poucas oportunidades de todos ocuparem o mesmo espaço por vários dias. Não é apenas um presente, é uma convocação para estar junto”, afirma Estela.
Por isso, o principal desafio de uma viagem multigeracional é construir um roteiro flexível, capaz de respeitar ritmos, interesses e necessidades diferentes sem perder aquilo que motivou a viagem: a oportunidade de estar junto.
“Mais do que levar três gerações ao mesmo destino, o planejamento precisa fazer com que cada uma delas se reconheça na experiência e que todas voltem para casa compartilhando a mesma história”, conclui.
Sobre Viaje com Estela
Viaje com Estela é uma agência de travel design, localizada em São Paulo, dedicada a criar viagens personalizadas que vão além do roteiro convencional. Com foco em exclusividade, cada experiência é curada com minuciosidade, priorizando descanso com intenção, autenticidade e conexão verdadeira com os destinos e culturas. Através de um planejamento sob medida, a Viaje com Estela oferece vivências enriquecedoras, que unem conhecimento local, conforto e descobertas relevantes para cada viajante. Seja para uma escapada serena ou uma aventura cultural profunda, a agência transforma sonhos em jornadas memoráveis. Para saber mais, acesse: https://viajecomestela.com/




