Prazos para entrevistas e análise de vistos exigem planejamento antecipado de quem pretende viajar ao exterior em dezembro e janeiro
Ainda faltam alguns meses para as festas de fim de ano, mas para quem pretende passar Natal, Réveillon ou as férias de janeiro no exterior, o planejamento da viagem pode precisar começar agora. Passagens aéreas e hospedagem costumam ocupar o topo da lista de preocupações dos turistas, mas um item pode colocar todo o roteiro em risco: a documentação necessária para entrar no país de destino.
O alerta ganha importância principalmente para brasileiros que pretendem viajar para países que exigem visto ou algum tipo de autorização prévia. Nos Estados Unidos, por exemplo, o próprio Departamento de Estado recomenda que o planejamento da viagem e a solicitação do visto sejam feitos com antecedência. Os tempos para conseguir uma entrevista variam de acordo com o consulado, a demanda, a época do ano e a categoria do visto e são atualizados periodicamente pelo governo norte-americano.
Para Caroline Azevedo, advogada da Visa Finder especializada em imigração e licenciada nos Estados Unidos, um dos principais erros é tratar o visto como uma das últimas etapas da organização da viagem. “ É comum que o viajante primeiro pesquise passagem, escolha hotel, monte o roteiro e só depois verifique a situação do visto. O mais seguro é inverter essa lógica. Antes de assumir despesas importantes, é preciso entender quais são as exigências migratórias do destino, qual documento será necessário e quanto tempo o processo pode levar”, explica.
Passagem comprada não garante visto
A antecedência também é importante porque a compra de uma passagem ou a reserva de hospedagem não representa qualquer garantia de aprovação de um visto. No caso norte-americano, além do período necessário até a entrevista, o viajante precisa considerar que a análise da solicitação é individual.
Atualmente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos informa expressamente que os tempos divulgados para entrevistas são estimativas e não representam garantia de que o solicitante conseguirá uma vaga dentro daquele período. As autoridades consulares também podem exigir etapas adicionais antes da conclusão de determinados processos.
“Quando existe uma data específica para viajar, trabalhar com margem de segurança é fundamental. O visto não deve ser encarado como uma formalidade automática. Existe uma análise consular e cada caso possui características próprias. Por isso, comprometer valores altos contando com uma aprovação futura pode trazer um prejuízo que seria evitável com planejamento”, afirma Caroline.
As regras para vistos norte-americanos também passaram por mudanças recentes. Desde outubro de 2025, a exigência de entrevista presencial voltou a atingir, de forma geral, a maioria dos solicitantes de vistos de não imigrante, com exceções específicas, entre elas determinados casos de renovação. Mesmo quem se enquadra em uma hipótese de dispensa pode ser convocado para entrevista a critério da autoridade consular.
Outra orientação atual do governo americano determina que solicitantes de vistos de não imigrante façam o agendamento, em regra, no país de nacionalidade ou de residência. A medida reforça a necessidade de verificar as normas vigentes antes de iniciar o processo.
Fim do ano exige atenção redobrada
A preocupação aumenta quando a viagem está programada para dezembro ou janeiro. Além da procura típica do período de férias, o calendário envolve feriados e datas comemorativas tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo Caroline, agosto e setembro são meses estratégicos para quem já sabe que pretende fazer uma viagem internacional no final do ano e ainda precisa resolver questões migratórias. “Quem já tem intenção de viajar não precisa esperar a proximidade das férias para verificar a documentação. Quanto mais cedo essa análise é feita, maior é a possibilidade de organizar o processo com tranquilidade, corrigir eventuais inconsistências e tomar decisões financeiras mais conscientes”, diz a especialista.
Ela ressalta que antecedência não significa garantia de aprovação. O objetivo é reduzir problemas provocados por fatores que poderiam ter sido previstos. “Não existe fórmula para garantir um visto. O que existe é preparação. Informações corretas, documentação adequada ao tipo de solicitação e coerência durante todo o processo fazem diferença. A decisão final sempre será da autoridade migratória”, acrescenta.
Para quem pretende embarcar no fim de 2026, portanto, a contagem regressiva pode começar bem antes de dezembro. Conferir a validade do passaporte, verificar as exigências do destino e iniciar com antecedência eventuais pedidos de visto são medidas que ajudam a evitar que uma viagem planejada durante meses termine antes mesmo do embarque.
Sobre
Caroline Azevedo é advogada licenciada nos Estados Unidos e especializada em imigração e mobilidade internacional, atua como representante da Visa Finder, auxiliando pessoas e empresas nos processos de solicitação de vistos, regularização migratória e planejamento internacional. Possui experiência na análise estratégica de perfis, prevenção de negativas e orientação jurídica em entrevistas consulares. Seu trabalho é pautado na clareza, segurança jurídica e atendimento personalizado, oferecendo soluções eficazes para quem busca estudar, trabalhar, investir ou residir no exterior.




