Peter Kronstrøm discutirá na Travel Conference 2026 como inteligência artificial, experiência dos viajantes e impacto nos destinos podem orientar decisões do setor
São Paulo, outubro de 2026 — Como o turismo pode crescer sem deixar de considerar os impactos sobre os destinos e as pessoas que vivem neles? Essa é uma das questões que devem orientar as decisões do setor nos próximos anos, segundo o futurista Peter Kronstrøm, fundador do Horizons Institute. O tema estará em pauta na Travel Conference 2026, que acontece nos dias 21 e 22 de novembro, em São Paulo, durante a palestra “O Turismo em 2030”.
O encontro reúne profissionais do setor em dois dias de palestras, oficinas e conexões entre quem vende e promove destinos, com mais de 20 palestrantes confirmados. Em sua participação, Kronstrøm abordará como as mudanças tecnológicas, os novos comportamentos dos viajantes e as particularidades de cada lugar podem influenciar os rumos do turismo até o fim da década.
Para o futurista, antecipar o futuro não significa apostar em uma única tendência, mas compreender diferentes cenários e avaliar como as escolhas feitas hoje podem afetar empresas, viajantes e comunidades.
Inteligência artificial precisa gerar valor para o viajante
Entre as forças que devem influenciar o setor até 2030, Kronstrøm destaca a inteligência artificial (IA), que já transforma etapas como pesquisa, planejamento e organização de viagens. Uma pesquisa global da Booking.com, realizada em 2025 com 37.325 participantes de 33 mercados, mostrou que 89% dos entrevistados pretendiam usar IA no planejamento de viagens futuras. O dado representa uma intenção declarada, não necessariamente o uso efetivo da tecnologia.
Na avaliação do especialista, o desafio para as empresas é transformar essas ferramentas em melhorias concretas no atendimento, sem comprometer a qualidade das informações ou a relação com o cliente.
“Vejo aplicações úteis na pesquisa, na tradução, na organização de informações e nas dúvidas repetitivas. Mas a pergunta para uma agência é concreta: o tempo poupado melhora o atendimento ou apenas aumenta o volume que a mesma equipe precisa administrar?”, questiona.
Kronstrøm recomenda testar as ferramentas com revisão humana e acompanhar indicadores como tempo de execução, erros e resolução de problemas. Informações sobre acessibilidade, documentação e condições de reserva precisam continuar corretas, e o cliente deve saber quem responde quando algo falha. A tecnologia, portanto, precisa ser avaliada pelos resultados que entrega, e não apenas por sua adoção.
Crescimento também exige atenção aos destinos
Outro desafio é adaptar a atividade às condições de cada lugar, considerando fatores como clima, infraestrutura, custos e qualidade de vida dos moradores. Essa discussão também aparece no relatório Tourism Trends and Policies 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que aborda a distribuição dos benefícios do turismo e a participação das comunidades locais.
Um exemplo prático é o CopenPay, iniciativa de Copenhague que oferece recompensas a visitantes por determinadas atividades e escolhas ligadas ao cuidado com a cidade. O programa informou ter reunido 25 mil participantes em 2025. Para Kronstrøm, iniciativas desse tipo ajudam a discutir como o comportamento dos turistas pode ser incentivado, embora a adesão, por si só, não comprove benefícios duradouros para os moradores.
O Brasil oferece um contexto relevante para essa reflexão. O país registrou aproximadamente 9,3 milhões de chegadas internacionais em 2025, segundo dados do Ministério do Turismo. Já a pesquisa PNAD Contínua Turismo 2024, do IBGE, aponta que 96,7% das viagens relatadas por moradores do país tiveram destinos nacionais. Os indicadores mostram dimensões diferentes do mercado e ajudam a lembrar que o turismo brasileiro não depende apenas dos visitantes estrangeiros.
“Vejo oportunidades na natureza e nas muitas culturas brasileiras, com autoria de quem vive cada lugar. Isso exige decisões: que experiência oferecer, para qual público, a que preço e em qual escala? Mais visitantes não são automaticamente a melhor resposta para todo destino. Comunidades também precisam poder definir limites e recusar propostas”, afirma.
Para as empresas, o especialista recomenda começar por questões concretas, como informação confiável, preços claros, transporte, acessibilidade e qualidade do atendimento. A partir daí, a proposta é testar novas ofertas com parceiros locais e acompanhar não apenas os custos, mas também a remuneração e a satisfação de moradores e visitantes.
O futuro do turismo não cabe em um único perfil de viajante
Além da tecnologia e dos impactos econômicos, Kronstrøm chama atenção para a diversidade de expectativas de quem viaja. Enquanto algumas pessoas procuram descobertas, contato com a natureza e encontros capazes de mudar perspectivas, outras querem uma experiência confortável, segura e sem complicações.
“Há espaço para descoberta, natureza e encontros que mudam perspectivas. Também há espaço para uma viagem fácil, segura e agradável, da qual a pessoa volta descansada, sem precisar se transformar. Não quero transformar férias em mais uma obrigação de desempenho”, diz.
Essa perspectiva também ajuda a distinguir problemas de serviço, como preços pouco claros, transporte inseguro e barreiras de acessibilidade, de situações que fazem parte da descoberta de um lugar novo, desde que sejam escolhas do viajante. Como resume o futurista, “nem toda conveniência empobrece a viagem; nem todo desconforto a torna profunda”.
Para ele, a mudança decisiva até 2030 está na maneira de avaliar os resultados do setor. “A mudança que considero decisiva é ampliar a maneira como avaliamos o sucesso do turismo: junto às chegadas e à receita, observar a qualidade do trabalho, o acesso e o que permanece para quem recebe”, afirma.
A reflexão que pretende levar à conferência é direta: “Que turismo queremos que faça parte da vida de cada lugar, e do que estamos dispostos a abrir mão para construí-lo?”
Peter Kronstrøm na Travel Conference 2026
Dinamarquês de nascimento e brasileiro de coração, Peter Kronstrøm vive no Brasil há 15 anos e é fundador do Horizons Institute, consultoria especializada em estudos de futuro e estratégia. Durante uma década, liderou a operação latino-americana do Copenhagen Institute for Futures Studies (CIFS).
Sua atuação inclui palestras e encontros com organizações como ABETA e Sebrae, com foco no futuro do turismo, na relação com a natureza e nas transformações dos modos de viver e viajar. Sua ligação com o Brasil também é pessoal: a natureza e a diversidade cultural do país continuam alimentando sua curiosidade e sua reflexão sobre outras maneiras de viver e viajar.
Na Travel Conference 2026, sua palestra propõe ampliar o debate sobre o futuro do setor para além de previsões isoladas, relacionando tecnologia, comportamento dos viajantes e realidade dos destinos. A discussão busca contribuir para que os profissionais avaliem não apenas o que pode mudar até 2030, mas também quais decisões podem começar a tomar desde já.
Serviço
Travel Conference 2026
Data: 21 e 22 de novembro de 2026
Palestra “O turismo em 2030”, com Peter Kronstrøm: domingo, 22 de novembro, às 16h35.
Local: Wyndham São Paulo Ibirapuera Convention Plaza
Endereço: Av. Ibirapuera, 2927 – Moema, São Paulo – SP
Ingressos e Informações: www.travelconference.com.br | contato@travelconference.com.
Sobre a Travel Conference
Criada em 2018 por nomes que ajudaram a consolidar a produção de conteúdo de viagem no Brasil, entre eles Guilherme Tetamanti e Flávio Antunes, a Travel Conference chega à sua terceira edição com uma nova composição de organizadores, formada por criadores de conteúdo de destaque no mercado de turismo.
Atualmente, fazem parte da organização Guilherme Tetamanti, Flávio Antunes, Caio Mudalen e Ana Claudia, Fábio Angheben e Giovanna Criscuolo, além de Virginia Falanghe. A iniciativa reúne diferentes profissionais do turismo para discutir tendências e transformações do setor, promovendo conhecimento, conexões estratégicas e novas oportunidades de negócios.




