Com o aumento do fluxo de brasileiros nos Estados Unidos durante a Copa, especialista em turismo internacional que vive no país alerta para armadilhas frequentes que podem transformar a viagem dos sonhos em dor de cabeça
A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 já acelera o fluxo de brasileiros rumo aos Estados Unidos, especialmente para jogos próximos a Nova York.
Mas, junto com a empolgação da viagem, cresce também um risco pouco comentado: golpes e abordagens oportunistas que costumam mirar justamente turistas desavisados.
De acordo com Meg Getz, especialista em turismo internacional com mais de 40 anos de experiência e radicada nos Estados Unidos, a combinação entre pressa, desconhecimento e excesso de estímulos faz com que muitos visitantes acabem gastando muito mais do que deveriam ou até caindo em fraudes.
“Nova York é fascinante, mas como toda grande cidade extremamente turística, exige atenção. O turista chega animado, muitas vezes cansado do voo, tentando resolver tudo rápido, e é exatamente aí que muita gente se aproveita”, alerta.
Confira os golpes mais comuns e como se proteger:
1. Transporte clandestino nos aeroportos
Ao desembarcar em aeroportos como JFK, LaGuardia e Newark, não é raro que turistas sejam abordados por pessoas oferecendo transporte “mais rápido” ou “mais barato” do que os serviços oficiais.
O problema é que, na prática, a promessa de conveniência pode se transformar em uma conta bem mais alta.
Segundo Meg, esse é um dos erros mais frequentes entre quem chega cansado e quer apenas resolver rapidamente o deslocamento até o hotel.
“Depois de um voo longo, muita gente quer apenas chegar ao destino o mais rápido possível — e é justamente nesse momento que acontecem os abusos. O ideal é seguir sempre as placas oficiais de transporte terrestre, utilizar a fila regulamentada do Yellow Cab ou solicitar Uber e Lyft já dentro do aeroporto”, orienta.
Para quem busca ainda mais praticidade, ela recomenda considerar o translado privativo previamente agendado.
“Além de conforto, ele oferece mais previsibilidade e segurança na chegada.”
2. O golpe da pulseirinha, do CD ou do ‘presente’
Quem circula por áreas turísticas movimentadas pode ser surpreendido por abordagens aparentemente amistosas. Alguém oferece uma pulseira, entrega um CD, coloca uma lembrancinha na mão ou se aproxima com algum “presente”.
O gesto parece inocente, mas logo vem a cobrança, muitas vezes, acompanhada de insistência e pressão psicológica.
“É uma abordagem clássica. O turista, especialmente brasileiro, muitas vezes tem receio de parecer rude e acaba entrando numa situação desconfortável. A melhor saída é simplesmente não aceitar nada”, explica Meg.
A recomendação é direta: se alguém tentar colocar qualquer item em sua mão ou ombro, devolva imediatamente e siga caminhando.
3. Fotos com personagens na Times Square
A cena é comum: personagens fantasiados como Mickey, Homem-Aranha, Estátua da Liberdade e outros ícones abordam turistas na Times Square para uma foto aparentemente espontânea.
O clique acontece e, logo depois, vem a cobrança que pode ser bastante insistente.
“Muita gente acredita que é apenas uma interação divertida e se surpreende quando a cobrança aparece. Alguns chegam a ser bem agressivos na abordagem.”
Segundo Meg, a regra é simples: se topar a foto, entenda que provavelmente haverá cobrança. Caso contrário, um “no, thank you” firme e seguir andando costuma resolver.
4. Ingressos falsos para a Estátua da Liberdade
Nos arredores do Battery Park, ponto de partida oficial para quem visita a Estátua da Liberdade, também há armadilhas.
Falsos vendedores, muitas vezes com aparência de credibilidade, oferecem ingressos “melhores” ou dizem que os oficiais estão esgotados.
O problema, segundo Meg, é que em muitos casos, o turista embarca em passeios alternativos que sequer chegam perto da ilha.
“É muito comum a pessoa acreditar que está fechando um passeio oficial e descobrir tarde demais que caiu numa armadilha.”
A orientação é comprar ingressos apenas pelos canais oficiais das atrações e evitar qualquer negociação com vendedores ambulantes.
5. ‘Ajuda’ suspeita nas máquinas do metrô
Turistas confusos diante das máquinas de compra do metrô podem rapidamente se tornar alvo de oportunistas.
A abordagem costuma começar com alguém oferecendo ajuda para comprar o passe. Em alguns casos, a pessoa vende um cartão já vazio; em outros, usa o cartão do turista para benefício próprio.
“Hoje isso é ainda mais desnecessário porque o sistema ficou muito mais simples.”
Meg lembra que o sistema OMNY permite pagamento por aproximação diretamente na catraca com celular, smartwatch ou cartão de crédito.
“É mais rápido, mais intuitivo e muito mais seguro.”
6. Ingressos falsos para jogos e atrações
Com a Copa do Mundo movimentando torcedores do mundo inteiro, esse golpe tende a crescer ainda mais.
Sites paralelos, links compartilhados em grupos, ofertas “imperdíveis” e revendas informais costumam atrair turistas em busca de economia ou ingressos de última hora.
Mas o barato pode sair muito caro.
“Se a oferta parece boa demais para ser verdade, normalmente é porque não é verdadeira.”
A recomendação é comprar ingressos apenas pelos canais oficiais da FIFA e plataformas autorizadas, além de desconfiar de ofertas feitas por desconhecidos em redes sociais e aplicativos de mensagem.
Para Meg, viajar bem também significa viajar com informação.
“Um pouco de atenção evita prejuízo e preserva aquilo que realmente importa: viver uma experiência boa.”
Sobre a fonte
Meg Getz é especialista em turismo internacional, com mais de 40 anos de experiência no setor. Carioca, já morou por mais de duas décadas em Salvador e atualmente vive nos Estados Unidos, onde atua com planejamento de viagens e criação de roteiros personalizados para brasileiros.






