O efeito Alter do Chão e as praias de água doce que conquistaram os turistas do Sudeste

Com 60% do público vindo de fora da Amazônia, a vila paraense consolida sua posição como refúgio nacional no início da temporada de seca e impulsiona o turismo de experiência no Pará.

O recuo das águas do Rio Tapajós sinaliza o início de um dos espetáculos mais marcantes do Norte brasileiro, que é o surgimento de quilômetros de praias de areia branca e águas mornas em pleno coração da Amazônia. É o chamado Verão Amazônico, fenômeno natural que consolida a vila de Alter do Chão, no município de Santarém, como o principal destino de ecoturismo do país neste mês de julho.

E a busca por essa imersão na natureza ganhou sotaques de longe. Dados do Observatório do Turismo do Pará revelam que, dos 70 mil visitantes que desembarcaram na região no período, 60% vieram de fora da Região Norte. A liderança é absoluta de viajantes vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais. O fluxo total representa um salto de 17% na comparação com o ano anterior.

Caribe Amazônico

Muito além do banho de rio com visual que rende a Alter o apelido de Caribe Amazônico, o turista do Sudeste e do Sul busca o chamado turismo de experiência. O vilarejo serve como ponto de partida para vivências profundas, desde navegar pelas águas cristalinas do Lago da Jamaraquá até realizar trilhas guiadas por comunitários sob as árvores seculares da Floresta Nacional do Tapajós.

A gastronomia baseada em peixes frescos, a cultura do carimbó e a navegação em barcos tradicionais completam o roteiro de quem troca o litoral oceânico pela calmaria das águas doces. Essa busca por destinos autênticos transbordou também para o Arquipélago do Marajó, nas vilas de Soure e Salvaterra, outro santuário ecológico paraense que viu seu público crescer 15% nesta temporada.

Impacto local

O apetite do brasileiro pela Amazônia preservada tem transformado a economia local de forma sustentável. Para garantir que o encanto do destino venha acompanhado de um atendimento de excelência e respeito socioambiental, o Estado do Pará vem investindo na capacitação das comunidades tradicionais que recebem esse visitante. Por meio do programa QualificaTur, a meta é formar mais de 6 mil profissionais até o final do ano em áreas como condução ambiental, recepção e gastronomia regional.

O otimismo se reflete na rede hoteleira, que registrou média de 77% de ocupação no estado, alcançando picos de até 90% nos polos ecológicos do Tapajós. Com a temporada de praias fluviais se estendendo até o final do segundo semestre, Alter do Chão reafirma seu papel de vitrine de uma Amazônia viva, acolhedora e inesquecível.

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