CEO de uma das maiores redes de idiomas do país conta como a vivência no exterior foi decisiva para fundar o próprio negócio e dá dicas para futuros intercambistas
Aprender um idioma em outro país é um sonho para muitos brasileiros. Mas será que ainda vale a pena investir em um intercâmbio mesmo com tantas tecnologias que facilitam o aprendizado? Segundo especialista, a resposta transpõe a fluência. Além do contato diário com a língua, a experiência costuma desenvolver autonomia, ampliar a visão de mundo e preparar o estudante para desafios acadêmicos e profissionais.
De acordo com a Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta), o fluxo de estudantes brasileiros para o exterior continua crescendo. Em 2025, houve um avanço de 9,4% em relação ao ano anterior e a expectativa para 2026 é de alta de 16,6%. Canadá, Estados Unidos e Inglaterra estão entre os destinos mais procurados.
Para Ricardo Leal, CEO e sócio-fundador da inFlux, rede de ensino de idiomas, a vivência internacional pode representar um divisor de águas que supera o desenvolvimento da comunicação:
“Quando o aluno passa a utilizar o idioma em situações reais, ele deixa de ser apenas um conteúdo aprendido e se torna uma ferramenta para criar conexões. Essa vivência acelera o aprendizado e desenvolve habilidades como autonomia, adaptação e inteligência cultural, competências cada vez mais valorizadas na vida pessoal e profissional”, ressalta.
Antes de fundar a inFlux, Ricardo Leal viveu por cinco anos em Londres, onde trabalhou, teve contato direto com outra cultura e enfrentou os desafios comuns a imigrantes, que precisam se adaptar à nova língua e aos novos costumes. A experiência lá fora foi decisiva para inspirar a criação da rede, que hoje conta com mais de 150 unidades no Brasil e duas em Portugal, atendendo mais de 50 mil alunos.
“Foi vivendo o idioma no dia a dia que percebi como a experiência no exterior abre portas e transforma perspectivas. Voltei ao Brasil decidido a construir um projeto que encurtasse o tempo até a fluência e ajudasse outras pessoas a alcançar essa liberdade por meio de um aprendizado rápido, prático e eficaz de uma nova língua”, explica.
Segundo Ricardo, o método foi pensado inclusive para trazer experiências em sala de aula e em atividades extras que simulam situações no exterior. “As atividades são totalmente em inglês, o que faz com que o aluno vivencie de fato e esteja preparado para lidar com os diálogos e interações cotidianas que com certeza ele vai se deparar lá fora”, completa.
Como aproveitar o intercâmbio ao máximo?
Para quem pretende estudar no exterior, alguns cuidados podem fazer toda a diferença para extrair todo o potencial de aprendizado da experiência internacional.
Não espere estar fluente para viajar
Não é preciso ter um domínio pleno da língua antes de embarcar. Aposte em cursos e metodologias que priorizem o ensino prático da língua para situações cotidianas. Com uma boa base já é possível aproveitar a experiência e evoluir ainda mais durante a imersão.
Evite permanecer apenas com brasileiros
É natural buscar pessoas que falem a mesma língua, principalmente no início. No entanto, criar amizades com estudantes de outras nacionalidades e conversar com moradores locais acelera o aprendizado e amplia a vivência cultural.
Participe da rotina local
Frequentar eventos, utilizar o transporte público, visitar museus, fazer compras e conhecer diferentes regiões são oportunidades para praticar o idioma em contextos reais e compreender melhor a cultura do país.
Tenha objetivos claros
Antes da viagem, vale refletir sobre o que se espera da experiência: desenvolver a conversação, conquistar uma certificação internacional, ampliar o networking ou vivenciar uma nova cultura. Definir essas metas ajuda a aproveitar melhor cada oportunidade durante o intercâmbio.
Um semestre de estudos em 3 semanas
Uma das alternativas para quem busca acelerar o aprendizado é optar por programas intensivos durante as férias. Na inFlux, o programa Vacation Intensive acontece duas vezes ao ano, em janeiro e julho, combinando aulas intensivas com imersão cultural no exterior. Para 2027, o destino de ambas as edições do intercâmbio será Londres, no Reino Unido.
Em três a quatro semanas, os estudantes cursam o equivalente a um semestre letivo do curso, conciliando a metodologia da rede com a prática do inglês em situações reais. Além das aulas com professores locais, o programa inclui hospedagem em casa de família (homestay), permitindo que o aluno utilize o idioma durante toda a rotina, desde as refeições até as atividades do dia a dia.
A rede ainda possui uma campanha chamada “Melhor Aluno TOEIC”, que premia, a cada semestre, o estudante de toda a rede com a maior nota no exame internacional de proficiência com um intercâmbio para um dos destinos oferecidos.
Segundo o CEO, mais do que uma premiação, a iniciativa busca incentivar os estudantes a colocarem o idioma em prática. “O intercâmbio faz com que o estudante coloque em prática tudo o que aprendeu em sala de aula. Mais do que desenvolver o idioma, essa vivência lá fora pode ser uma porta para novos insights de profissão, carreira e vida, assim como foi para mim. Por isso, sempre que houver oportunidade, vale a pena investir nessa experiência”, completa.




