Especialista em marketing para turismo aponta os destinos e tendências que devem movimentar o período mais frio do ano
Torres del Paine – Créditos: National Geographic
Enquanto o turismo de massa ainda debate Bariloche e Campos do Jordão, um outro recorte de viajantes já avança em outra direção: destinos com menor volume, maior exclusividade e experiências desenhadas para quem sabe exatamente o que quer sentir numa viagem de inverno.
É o que aponta Ana Paula Pappa, especialista em marketing para turismo e fundadora da Eleganza Comunica. Para ela, a grande virada do turismo de alto padrão nos últimos anos não foi geográfica, foi comportamental. “O viajante de hoje não se pergunta onde ir, ele se pergunta como quer se sentir, e o destino vem depois”, afirma.
A partir desse princípio, a especialista organizou uma seleção de destinos para o inverno 2026 com base em perfis de experiência. O resultado é uma curadoria que privilegia singularidade, privacidade e memória afetiva acima do volume de oferta.
“O verdadeiro luxo hoje está na personalização e na experiência sensorial. Um destino exclusivo não é necessariamente aquele que poucos conhecem, e sim aquele que poucos sabem aproveitar da forma certa”, completa.
Os destinos por perfil de viajante
O Contemplativo: quem busca silêncio, natureza e presença
Ushuaia, Argentina
Fim do mundo como ponto de chegada, não de passagem. Longe do circuito massificado da Patagônia argentina, Ushuaia oferece uma raridade: a sensação física de estar no limite do planeta habitado. Lodges com janelas voltadas para o Canal de Beagle, trekking no Parque Nacional Terra do Fogo e uma atmosfera de absoluta quietude fazem deste destino uma escolha de quem busca presença, não entretenimento.
Torres del Paine, Chile
A Patagônia no seu estado mais intacto. Hotéis como Explora e Tierra definem o que é imersão de alto padrão: arquitetura que desaparece na paisagem, gastronomia com ingredientes locais e um silêncio que só o vento interrompe. Para julho, o inverno austral fecha parte das trilhas e abre a experiência mais intimista da região.
O Sensorial: quem busca gastronomia, vinho e belezas naturais
San Pedro de Atacama, Chile
O deserto como experiência de imersão. Temperaturas que despencam ao anoitecer criam um contraste sensorial único: calor seco durante o dia, frio cortante à noite e um céu estrelado entre os mais limpos do mundo. Hotéis como o Nayara Alto Atacama combinam spa de imersão geotérmica, gastronomia de altitude e tours astronômicos privados. Um destino que ativa todos os sentidos.
Mendoza, Argentina
Julho é inverno seco em Mendoza, com frio cortante, cordilheira nevada ao fundo e vinícolas em ritmo intimista, longe do movimento da colheita. É a combinação ideal para experiências privadas: degustações exclusivas nas bodegas, jantares dentro das caves e hospedagem em propriedades como o Cavas Wine Lodge, onde cada detalhe é desenhado para desacelerar com elegância. Para o viajante sensorial, Mendoza no inverno entrega o que nenhuma outra estação consegue: silêncio, vinho e paisagem andina em estado bruto.
O Aventureiro de Luxo: quem quer o extraordinário com estrutura e excelência
Queenstown, Nova Zelândia
Julho é alta temporada de neve na Nova Zelândia, e Queenstown entrega o que poucos destinos conseguem: adrenalina e refinamento no mesmo endereço. Esqui de alto nível nas montanhas Remarkables e Coronet Peak, fine dining com ingredientes da terra e lodges à beira do Lago Wakatipu. Para o viajante brasileiro, ainda carrega o apelo de ser uma descoberta e não uma escolha óbvia.
Antártica — Expedições de alto padrão
O destino definitivo de quem já foi em tudo. Cruzeiros de expedição das companhias Ponant, Silversea e Seabourn partem de Ushuaia em julho com cabines de alto padrão, biólogos e glaciologistas a bordo e acesso a paisagens que 99% da humanidade nunca verá. Para clientes que valorizam a raridade acima de qualquer outra métrica. Essa é uma viagem para ser programada com meses de antecedência, pois as cabines esgotam rapidamente.
O inverno no Brasil
Para viajantes que preferem rotas nacionais, a especialista aponta um destino que cresce em sofisticação sem perder a intimidade:
Cambará do Sul, Rio Grande do Sul
Cambará do Sul entrega um inverno de verdade: geadas, névoa densa e temperaturas que chegam a zero, com uma escala que Campos do Jordão perdeu faz tempo. A poucos quilômetros estão os Cânions Fortaleza e Itaimbezinho, entre as paisagens mais dramáticas do Brasil. A cidade cresce silenciosamente em pousadas e restaurantes de alto padrão, mantendo a atmosfera de descoberta que destinos massificados não conseguem mais oferecer.
“Nem sempre o consumidor de alto padrão quer o destino mais procurado. Ele quer viver algo memorável de acordo com seu momento atual. O verdadeiro luxo hoje está na personalização, no conforto emocional e nas experiências que criam conexão e memória afetiva”, finaliza Ana Paula.





