Para Luiz Moura, cofundador da VOLL, escala, tecnologia e contexto global abrem caminho para o Brasil ir além do volume e disputar liderança em inovação no segmento
(Crédito da imagem: Kleber Galvão)
O Brasil ocupa, hoje, a 10ª posição entre os maiores mercados de viagens corporativas do mundo, com um volume estimado em US$ 30 bilhões anuais, segundo dados da VISA e da Global Business Travel Association (GBTA).
O país é também o 7º maior de origem de viajantes corporativos para os Estados Unidos, à frente de economias como França e Itália, segundo levantamento recente da Booking.com. Para Luiz Moura, especialista em turismo corporativo, além de membro do Conselho de Turismo da FecomércioSP, essa posição não tem a ver com um ciclo econômico pontual, mas com décadas de construção de uma base corporativa sofisticada.
“Estamos falando de multinacionais que fizeram do país um hub regional estratégico e empresas brasileiras que expandiram sua presença para os cinco continentes”, afirma.
Para ele, o Brasil vive hoje um momento promissor que une escala consolidada e uma transformação tecnológica que está redefinindo a gestão de viagens corporativas no mundo inteiro. E Luiz destaca: “ao contrário do que se imagina quando se fala em inovação empresarial, o Brasil não está observando essa transformação de longe. Pelo contrário, está participando dela como protagonista”.
Nessa transformação tecnológica, a inteligência artificial é o exemplo mais visível. Um relatório recente da PwC aponta que 91% das empresas de turismo já utilizam ou testam IA, e 85% relatam ganhos concretos de eficiência. No Brasil, empresas de tecnologia aplicada a viagens corporativas estão entre as primeiras do mundo a colocar agentes de IA em produção para resolver problemas operacionais específicos, não como promessa ou piloto, mas como parte do serviço entregue aos clientes.
Luiz, que também é cofundador da VOLL (maior agência digital de viagens corporativas da América Latina), explica que na empresa foram desenvolvidos agentes que monitoram tarifas aéreas continuamente após a emissão das passagens e, ao identificar oportunidades de reemissão a custo menor, agem automaticamente, gerando economias de até 30% no custo de voos.
Segundo ele, outros agentes atuam na auditoria de tarifas hoteleiras e na identificação de anomalias em despesas corporativas, funções que tradicionalmente exigiam equipes dedicadas e processos manuais intensivos. “Os resultados dessa nova geração de soluções são mensuráveis. Ao adotar a VOLL, o maior banco da América Latina acumulou R$ 157 milhões em economia nos últimos anos. O maior player de investimentos, também brasileiro, registrou R$ 100 milhões em savings em 2025 e um NPS de 92, um dos mais altos do setor globalmente. Isso mostra como tecnologia e metodologia aplicadas com consistência podem fazer a diferença no setor”, exemplifica.
Pressão de custos
O especialista lembra que, em um contexto macroeconômico que pressiona os custos do setor, tratar a gestão de viagens corporativas como função estratégica é urgente. O conflito no Oriente Médio pressionou o preço do petróleo acima de US$ 100, e o querosene de aviação praticamente dobrou nas últimas semanas.
Nos Estados Unidos, passagens transcontinentais subiram de US$ 167 em fevereiro para US$ 414 em março de 2026. No Brasil, com o acordo de céus abertos vigente desde 2021 e quase 800 voos semanais diretos para os EUA, a exposição é significativa.
“Em cenários de pressão sobre custos, a diferença entre empresas que crescem e empresas que apenas reagem está na capacidade de gerenciar despesas em tempo real. Quem tem visibilidade sobre o comportamento de compra, sobre a aderência à política e sobre as alavancas de eficiência ainda não ativadas, toma decisões antes que o impacto financeiro se consolide.
Quem depende de processos manuais e planilhas consolidadas ao final do mês, absorve o impacto sem conseguir reagir”, alerta.
O Boston Consulting Group, em parceria com a New York University, identificou que menos de 10% das empresas de hospitalidade globalmente podem ser consideradas verdadeiramente “future built”, com capacidades avançadas de tecnologia gerando valor real. Para Luiz, o dado não deve soar como crítica, mas ser lido como oportunidade.
“O Brasil está bem posicionado para essa corrida. Temos o volume, temos as empresas, temos a tecnologia disponível localmente.
O que decidimos fazer com esse conjunto de ativos nos próximos anos definirá se seremos apenas o 10º maior mercado do mundo em volume, ou se construiremos também uma posição de liderança em inteligência, eficiência e inovação aplicada à gestão de viagens corporativas. Ainda há espaço para um número significativo de empresas, brasileiras e globais, ingressarem nesse grupo e construírem vantagens competitivas”, conclui.
Sobre Luiz Moura
Luiz Moura é empreendedor com mais de 20 anos de atuação na interseção entre turismo e tecnologia. É co-fundador e Diretor de Negócios da VOLL, maior plataforma mobile-first de gestão de viagens e despesas corporativas da América Latina, além de uma referência no desenvolvimento do setor de viagens corporativas.
Especialista em Marketing pela Fundação Dom Cabral, ocupa cadeiras no Conselho de Turismo da FecomércioSP e no Conselho Executivo da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). Viajante frequente e observador atento do comportamento humano em movimento, escreve e fala sobre inovação, transformação digital, liderança empreendedora e o futuro das viagens corporativas.






