Clube Turismo Analisa Mudança no Perfil do Viajante: 33% dos Brasileiros Pagam Mais por Conforto

Pesquisa da Booking.com mostra que 33% dos brasileiros estão dispostos a gastar mais por uma hospedagem confortável; para Ana Virgínia Falcão, da Clube Turismo, tendência reforça busca por experiências que vão além da sensação de estar em casa

Na hora de planejar uma viagem, o preço continua sendo importante, mas já não é o único fator determinante para os brasileiros. Uma pesquisa recente da Booking.com mostra que 33% dos viajantes do país preferem gastar mais para ter uma hospedagem confortável. O levantamento também aponta que, quando o orçamento aperta, a acomodação confortável é justamente um dos itens que os turistas menos estão dispostos a cortar: 31% afirmam preservar esse gasto.
Para Ana Virgínia Falcão, CEO da Clube Turismo, esse movimento ajuda a explicar por que a hotelaria tradicional continua relevante mesmo diante do crescimento das plataformas de aluguel por temporada. Na avaliação da executiva, existe uma diferença importante entre buscar uma estrutura residencial durante uma viagem e querer usufruir de uma experiência de hospitalidade.
“Quando viajamos, muitas vezes não queremos simplesmente nos sentir em casa. Queremos justamente sair da rotina, descansar e ser cuidados. O hotel oferece uma experiência diferente: cama arrumada, café da manhã, limpeza, atendimento, estrutura de lazer e a possibilidade de não precisar administrar as tarefas do dia a dia. É um conforto que está muito mais relacionado à experiência do que à reprodução da nossa casa em outro endereço”, afirma Ana Virgínia Falcão.
O comportamento revela uma mudança interessante na relação dos brasileiros com a hospedagem. Mais do que procurar apenas uma alternativa econômica para dormir, o viajante passa a enxergar a acomodação como parte da própria experiência de viagem. Segundo a pesquisa, 89% dos entrevistados concordam que, em determinadas situações, vale pagar mais para evitar perrengues, enquanto 85% consideram que, em uma viagem, o barato pode sair caro.
A executiva destaca que isso não significa que o aluguel por temporada tenha deixado de fazer sentido. Para determinados perfis, como famílias maiores ou grupos que valorizam espaço e autonomia, uma casa ou apartamento pode ser uma escolha adequada. A questão, segundo ela, é entender que os formatos atendem a desejos diferentes.
“Existe uma diferença entre querer ter uma casa durante a viagem e querer viver uma experiência de viagem. Quando escolhemos um hotel, estamos comprando também praticidade, serviço e tempo para aproveitar o destino. Você não precisa pensar em limpar a cozinha, organizar a casa ou preparar o café. Essa despreocupação tem valor e, para muita gente, faz parte do que significa estar de férias”, explica.
A pesquisa da Booking.com reforça justamente essa percepção de que o valor de uma viagem não está necessariamente associado ao menor preço. Para 92% dos brasileiros entrevistados, algumas experiências fazem a viagem valer cada centavo. Entre os principais critérios estão aproveitar momentos que realmente façam a viagem valer a pena (94%), evitar problemas ou perrengues (92%) e encontrar equilíbrio entre qualidade e preço (92%).
Outro dado reforça a importância do conforto: entre os itens nos quais os brasileiros estão dispostos a investir mais, os passeios aparecem em primeiro lugar, com 38%, seguidos pela hospedagem mais confortável, com 33%, por atividades únicas, com 31%, e por uma hospedagem bem localizada, com 30%.
Para a Clube Turismo, a tendência abre espaço para uma atuação cada vez mais consultiva das agências de viagens. Em vez de simplesmente comparar preços, o agente pode ajudar o viajante a entender qual tipo de hospedagem faz mais sentido para o perfil da viagem, considerando desde o objetivo da experiência até o nível de conforto desejado.
“Quando o cliente procura uma agência, ele não está necessariamente procurando o menor preço. Muitas vezes, ele quer segurança para fazer uma boa escolha. Nosso papel é entender o que aquela pessoa espera da viagem e mostrar onde vale investir e onde é possível economizar sem comprometer a experiência. O barato só é barato quando entrega o que o viajante precisa”, completa Ana Virgínia.
A pesquisa da Booking.com foi realizada em junho de 2026 com 1.200 brasileiros com 18 anos ou mais, que haviam feito pelo menos uma viagem de lazer nacional ou internacional nos 12 meses anteriores.

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