- Desde 2017, o custo das passagens de ônibus subiu 60,5%, ficando significativamente abaixo da evolução da renda média do trabalho no Brasil, que avançou 77,6% no mesmo período;
- Novo indicador mostra que passagens rodoviárias subiram +7,5%, bem abaixo do diesel (+15,7%) e das passagens aéreas (+23,2%), comparando abril de 2026 a abril 2025;
Fábio Trentini, CTO da ClickBus, Bruno Oliva, presidente da Fipe, e Phillip Klien, presidente da ClickBus (Foto: Divulgação/ClickBus)
São Paulo, 14 de maio de 2026 – O transporte rodoviário de passageiros, principal meio de conexão entre cidades no Brasil, passa a contar, pela primeira vez, com um indicador estruturado e recorrente para acompanhar a evolução dos preços das passagens. A ClickBus, maior plataforma de venda de passagens rodoviárias do país, e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) anunciam hoje o lançamento do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), iniciativa inédita voltada à ampliação da informação sobre o custo das viagens e à qualificação do debate sobre viagens, consumo e inflação no país.
O novo índice acompanha a variação média dos preços das passagens rodoviárias ao longo do tempo, a partir de uma base robusta de dados transacionais. Desenvolvido com metodologia econômica aplicada, o indicador oferece uma leitura ampla e consistente sobre o comportamento dos preços no setor, considerando diferentes tipos de viagem, categorias de serviço, distâncias e regiões do país.
O lançamento ocorre em um contexto em que o transporte rodoviário segue essencial para a mobilidade nacional. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e agências estaduais, estima-se que, só em 2025, o Brasil transportou cerca de 160 milhões de passageiros nesse modal, com forte presença em todas as regiões e papel relevante no acesso a trabalho, educação, saúde e turismo.
Um novo instrumento para entender o custo de viajar pelo Brasil
Diferentemente de comparações pontuais de preços, o IRCB foi desenvolvido para capturar a variação média do mercado ao longo do tempo. “O ônibus move o Brasil — 160 milhões de passageiros por ano, mais do que o avião — mas era o único grande modal de transporte do país sem um índice de preços confiável. O IRCB nasce para corrigir essa assimetria de informação. Quando o consumidor, o mercado e o investidor sabem como os preços se movem, o mercado fica mais justo para todo mundo.” — Phillip Klien, CEO da ClickBus.
A fonte de dados empregada é composta por transações individuais de passagens comercializadas na plataforma da ClickBus, com alcance em todo o território nacional. Para garantir representatividade nacional, a ponderação do índice incorpora também informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE). “A ClickBus liderou a digitalização desse setor; agora estamos liderando sua transparência. O IRCB não é um produto comercial — é um bem público que decidimos viabilizar com a chancela técnica da Fipe”, afirma.
A Fipe foi responsável pelo desenvolvimento metodológico do IRCB, que permite isolar a variação temporal dos preços, controlando características qualitativas das passagens, como origem, destino e classe (convencional, executivo, semileito, leito e cama). A análise mede a variação dos preços no mês de saída da viagem, e não da data de compra, conferindo maior precisão ao retrato do mercado. “O IRCB combina uma base ampla e representativa com rigor metodológico, permitindo análises consistentes sobre o comportamento dos preços no transporte rodoviário de passageiros”, afirma Bruno Oliva, presidente da FIPE.
Segurança e responsabilidade no uso de dados
A construção do índice foi baseada em microdados transacionais da plataforma, cerca de 62 terabytes de dados tratados com rigor técnico e respeito à confidencialidade das informações – equivalente a 31 milhões de livros digitais. “Todo o processo foi desenhado para garantir a segurança dos dados. Trabalhamos exclusivamente com informações agregadas, sem qualquer identificação individual, seguindo as melhores práticas de governança e proteção de dados”, explica César Carvalho, diretor de Dados e IA da ClickBus.
Segundo o diretor, a escala da base é um diferencial importante para a leitura do mercado. “A amplitude e a granularidade dos dados permitem uma visão mais fiel da dinâmica do setor, preservando integralmente o sigilo das informações comerciais”, afirma Carvalho.
Resultados: ônibus tem passagens rodoviárias que sobem menos que aéreas e diesel
O monitoramento do IRCB indica que, em todos os tipos de trajetos — das curtas às longas distâncias — o transporte rodoviário apresenta a variação de preços mais contida entre as principais alternativas de mobilidade.
Olhando os dados ano contra ano, o índice de passagens rodoviárias avançou +7,5%, número expressivamente inferior ao registrado pelo diesel (+15,7%), e pelas passagens aéreas (+23,2%). Em comparação com a inflação geral medida pelo IPCA/IBGE (+4,4%), a variação das passagens de ônibus demonstra que o setor absorveu pressões de custo significativas sem repassá-las integralmente ao passageiro.
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Fonte: IRCB/ClickBus-Fipe e IPCA/IBGE. Dados de abril de 2026.
No acumulado do ano (janeiro a abril de 2026), as passagens rodoviárias subiram +5,9%, mesmo aumento visto no ano móvel (maio 2025 até abril 2026), o que reforça a trajetória moderada e consistente do modal em relação ao aéreo.
Destaques por segmento: centro-oeste lidera altas e Sul registra queda
A análise desagregada do IRCB em todo o país revela dinâmicas distintas conforme o recorte:
- Por região: o Centro-Oeste registrou a maior alta nos últimos 12 meses (+8,2%), enquanto o Sul apresentou a menor variação (+2,8%), evidenciando as diferenças regionais de oferta, demanda e regulação.
- Por classe: a classe Convencional liderou a variação anual (+6,5%), ao passo que a Cama apresentou a menor alta (+4,9%), refletindo dinâmicas distintas de demanda, sazonalidade e perfil de passageiro.
- Por distância: viagens de curta distância (até 100 km) registraram alta de +8,5%, enquanto as de longa distância (acima de 400 km) avançaram +5,2%, sugerindo que segmentos de viagens mais curtas e recorrentes estão passando por um processo de ajuste mais intenso.
- Por modalidade: o segmento intermunicipal (+5,8%) e o interestadual (+6,1%) apresentaram variações próximas nos últimos 12 meses, embora com trajetórias históricas distintas, dadas as diferenças regulatórias entre os dois mercados.
Série histórica: contexto de longo prazo
A série histórica do IRCB, disponível desde dezembro de 2017, permite contextualizar a evolução dos preços ao longo de quase uma década. O período engloba eventos de grande impacto sobre a mobilidade e os custos do setor: a pandemia de Covid-19, que reduziu temporariamente a demanda e os preços, o forte ciclo de alta dos combustíveis nos anos seguintes e as mudanças no marco regulatório do transporte interestadual.
Desde dezembro de 2017 (quando o IRCB parte do indicador base 100) até abril de 2026, o preço das passagens rodoviárias acumulou alta de 60,5%. No mesmo período, a renda média do trabalho (PNAD Contínua/IBGE) avançou 77,6%, o que indica melhora do poder de compra relativo dos brasileiros no acesso ao transporte rodoviário.
Um achado estruturante da série é a resiliência do setor diante da pressão dos combustíveis. O diesel — principal insumo operacional do transporte rodoviário — acumulou alta de 119,4% no mesmo período, praticamente o dobro da variação das passagens (60,5%). Isso indica que o setor absorveu grande parte do choque de custos sem repassá-lo integralmente ao passageiro.
Quando analisadas de 2017 até abril de 2026, há regiões, classes e categorias que tiveram aumentos mais discretos.
Comparação com o poder de compra:
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