Mesmo com alto interesse pelo torneio, número de torcedores que devem viajar é restrito e especialistas alertam para riscos no processo de visto
A Copa do Mundo FIFA 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, já mobiliza brasileiros interessados em acompanhar o torneio de perto. Apesar do alto interesse, o número de torcedores que efetivamente devem viajar ainda é limitado.
Estimativas do setor de turismo indicam que entre cinco mil e seis mil brasileiros devem assistir aos jogos presencialmente, volume considerado pequeno diante do tamanho do público nacional e dos custos envolvidos. Para quem pretende entrar em território norte-americano, o primeiro passo é garantir o visto, etapa que exige planejamento e atenção a critérios técnicos.
Atualmente, brasileiros precisam de visto válido para viagens de turismo ou negócios aos Estados Unidos. O processo inclui preenchimento de formulário, pagamento de taxa e entrevista consular, além de análise individual de cada solicitante.
Dados do U.S. Department of State mostram que a taxa de recusa de vistos de não imigrante para brasileiros permanece relevante. No ano fiscal de 2025, o índice de negativa para a categoria B, que inclui turismo e negócios, foi de 14,87%. O dado reforça que a aprovação não é automática e depende da consistência das informações apresentadas.
Além disso, o próprio governo norte-americano mantém sistemas oficiais que indicam variação nos tempos de espera para entrevistas consulares, de acordo com a cidade e o volume de solicitações. Na prática, isso significa que o prazo para obtenção do visto pode variar e deve ser considerado no planejamento da viagem.
Segundo Caroline Azevedo, advogada da Visa Finder especializada em imigração e licenciada nos EUA, o principal risco está em tratar o processo como algo simples. “O visto exige preparo. O consulado avalia vínculos com o Brasil, histórico profissional e coerência das informações. Quando isso não está bem estruturado, aumentam as chances de negativa”, afirma.
Na avaliação de Caroline, a falta de organização é um dos principais obstáculos enfrentados pelos solicitantes. “Muitos candidatos deixam para a última hora e acabam sem margem para corrigir erros ou complementar informações. Isso compromete o processo”, explica.
Na prática, alguns cuidados aumentam significativamente as chances de aprovação. O primeiro deles é o preenchimento correto do formulário DS-160, com informações completas e consistentes. Divergências entre o formulário, os documentos apresentados e as respostas na entrevista estão entre os fatores que mais levam à negativa.
Outro ponto central é a organização documental. Comprovantes de renda, vínculo empregatício, patrimônio e relações no Brasil ajudam a sustentar as informações declaradas e demonstrar estabilidade.
A comprovação de vínculos com o país de origem, aliás, é um dos pilares da análise consular. Ter emprego formal, empresa ativa, matrícula em instituição de ensino ou bens registrados no Brasil pode influenciar diretamente a decisão.
Também é fundamental ter clareza sobre o objetivo da viagem. No caso da Copa, apresentar um planejamento básico, com período de estadia e roteiro, contribui para a avaliação do processo.
A preparação para a entrevista consular é outro fator determinante. Respostas objetivas, seguras e alinhadas com as informações já prestadas aumentam a credibilidade do solicitante.
Por fim, a especialista reforça a importância de iniciar o processo com antecedência e revisar todos os dados antes da solicitação. Erros simples, como informações inconsistentes ou incompletas, ainda estão entre as principais causas de recusa.
Para quem pretende aproveitar a Copa do Mundo de 2026, a recomendação é tratar o visto como etapa central do planejamento. “Antecedência e organização fazem diferença. O processo é técnico e exige atenção desde o início”, conclui Caroline.
Sobre
Caroline Azevedo é advogada licenciada nos Estados Unidos e especializada em imigração e mobilidade internacional, atua como representante da Visa Finder, auxiliando pessoas e empresas nos processos de solicitação de vistos, regularização migratória e planejamento internacional.
Possui experiência na análise estratégica de perfis, prevenção de negativas e orientação jurídica em entrevistas consulares. Seu trabalho é pautado na clareza, segurança jurídica e atendimento personalizado, oferecendo soluções eficazes para quem busca estudar, trabalhar, investir ou residir no exterior.






