Seguro obrigatório para veículos brasileiros no exterior, o Carta Verde garante cobertura a terceiros em acidentes, mas não substitui seguro auto nem seguro viagem
Com as fronteiras abertas e o preço das passagens aéreas nas alturas, cada vez mais brasileiros estão trocando o embarque no aeroporto pela estrada. De carro, moto ou motorhome, famílias e aventureiros brasileiros cruzam a fronteira rumo à Argentina, Paraguai, Uruguai e outros países da América do Sul. Para essas viagens, é fundamental estar familiarizado com o Seguro Carta Verde, documento obrigatório para transitar por essa região.
Pouco conhecido de quem nunca se arriscou em viagens internacionais por terra, o Carta Verde é obrigatório para veículos brasileiros que circulam pelos países do Mercosul. Ele garante indenização a terceiros em caso de acidentes fora do Brasil, mas não cobre danos ao seu carro, à sua moto, nem oferece assistência médica ao motorista ou passageiros.
O Seguro Carta Verde funciona de forma semelhante ao DPVAT, o seguro de responsabilidade civil obrigatório que existe no Brasil para cobrir danos pessoais e materiais causados a terceiros em acidentes de trânsito. Contudo, é fundamental destacar que a Carta Verde não cobre danos ao próprio veículo do segurado, motorista ou passageiros transportados.
“Em caso de colisão, o seguro indeniza os terceiros prejudicados, mas não cobre danos no veículo do segurado nem oferece assistência médica pessoal. Por isso, é imprescindível também ter o seguro do carro em dia e, para saúde e outros riscos, um seguro viagem adequado”, explica Hugo Reichenbach, sócio e diretor de operações da Real Seguro Viagem.
O turismo rodoviário não para de crescer. Só em 2024, cerca de 752 mil brasileiros desembarcaram em Buenos Aires, a principal porta de entrada na Argentina. E 2025 já começou acelerado. Só nos primeiros meses, 278 mil brasileiros escolheram o Uruguai como destino.
Segundo Reichenbach, a emissão do seguro é simples e rápida, podendo ser feita para períodos de 3 dias a 1 ano. Os valores variam conforme o tempo de viagem, vão de cerca de R$ 46 a R$ 499 e são pagos em reais pela cotação do dia. O detalhe é fundamental: comprá-lo com antecedência evita dores de cabeça na fronteira e a tentação de adquirir seguros falsos, comuns nos postos improvisados nas regiões de passagem.
Coberturas principais do Seguro Carta Verde:
- Danos pessoais e morte: cobertura de até US$ 40.000 por pessoa, com limite máximo de US$ 200.000 por evento;
- Danos materiais causados a terceiros: cobertura de até US$ 20.000 por sinistro, limitada a US$ 40.000 por evento.
Não cobre:
- Danos ao veículo do segurado;
- Acidentes pessoais ao motorista ou passageiros do veículo segurado.
Ao se preparar para viajar, o motorista deve adquirir o Seguro Carta Verde com antecedência para evitar problemas legais e multas na fronteira, além de prevenir a compra de seguros falsos, bastante comuns nas regiões de passagem entre países.
Tabela exemplificativa de valores e prazos do Seguro Carta Verde:
Período da viagem | Valor aproximado em dólares* |
Até 3 dias | R$ 46 |
Até 1 semana | R$ 86 |
Até 1 mês | R$ 212 |
Até 1 ano | R$ 499 |
E atenção! O Carta Verde vale só para países do Mercosul. Contudo, para destinos como Chile, Colômbia, Peru ou Venezuela, há outros seguros obrigatórios, como SOAPEX e SOAT.
A Real, representante oficial no Brasil, aposta no atendimento rápido e suporte especializado para orientar os viajantes sobre o produto, uma garantia de que, na viagem, a única preocupação seja a playlist da estrada.
“Lembre-se que o Seguro Carta Verde é para proteger terceiros. Quem quer viajar tranquilo precisa planejar todas as coberturas antes de cruzar a fronteira”, finaliza Reichenbach.