Empresa gaúcha projeta expansão da frota com estratégia focada em retenção de talentos, inclusão de novos perfis e uso de tecnologia de segurança
O setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) inicia 2026 sob o alerta de escassez global de mão de obra qualificada. No entanto, a transportadora gaúcha Buzin projeta um movimento de expansão na contramão da crise, com o anúncio da abertura de 500 novas vagas para motoristas de todo país ao longo do ano. A estratégia da companhia baseia-se em uma revisão do modelo de retenção de talentos e na aplicação da tecnologia voltada à segurança.
Para o CEO da empresa, Leonardo Busin, a tese de que faltam motoristas no mercado é imprecisa. Segundo o executivo, o gargalo operacional enfrentado por muitas transportadoras decorre de deficiências internas na atração e manutenção de profissionais.
“Não existe falta de motorista no mercado, o que existe é uma falta de empresas preparadas para atrair e, principalmente, reter bons profissionais”, afirma Busin. O executivo argumenta que a estabilidade do quadro operacional depende do suporte básico ao condutor. “O erro está em não entender a real necessidade de quem está no volante. Isso passa por tratamento adequado, remuneração condizente e suporte 24 horas na estrada. Quando a empresa oferece essa estrutura, o profissional permanece”, pontua.
Tecnologia e Segurança
Um dos pontos de atrito no setor é o uso da telemetria e do monitoramento de frota, muitas vezes percebidos pelos motoristas como ferramentas de controle invasivo. A estratégia da Buzin é de inverter essa lógica, focando na tecnologia como recurso de previsibilidade.
“Quando a tecnologia é apresentada como controle, gera rejeição. Quando é focada em segurança, conforto e proteção, vira aliada. Hoje, o motorista entende que rodar com câmeras e sensores significa menos risco de acidentes e mais clareza no dia a dia”, explica o CEO.
Diversidade e Carreira
A tentativa de tornar as 500 vagas atrativas em um mercado competitivo passa também pela flexibilização do perfil de contratação. O plano de expansão da transportadora busca atrair jovens e mulheres, grupos que historicamente possuem menor representação no transporte de carga pesada.
Para mitigar o desgaste das longas ausências de casa, um dos principais motivos de abandono da profissão, a empresa investe em planejamento de rotas e escalas mais previsíveis. Outro pilar da estratégia é a perspectiva de ascensão profissional dentro da estrutura organizacional.
“O candidato deixou de escolher a vaga apenas pelo salário e passou a escolher pelo futuro”, observa Leonardo Busin. Segundo ele, a empresa mantém um histórico de profissionais que iniciaram como motoristas e migraram para áreas de gestão e operações. “Quando o motorista percebe que pode construir uma carreira sólida, a decisão muda”.
As oportunidades exigem alinhamento com a cultura da empresa, priorizando comportamento e disciplina em relação à experiência prévia, uma vez que a companhia mantém programas internos de formação e treinamento contínuo.
Sobre a Buzin Transportes
Com matriz em Porto Alegre (RS) e 22 filiais espalhadas pelo Brasil, a Buzin Transportes se destaca como uma das mais importantes transportadoras do país. São mais de mil colaboradores e caminhões rodando por todo o território nacional, transportando cargas de segmentos como agro, alimentos, bebidas, siderurgia, petroquímico, saúde e bem-estar, construção civil, papel e celulose e e-commerce.






