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quinta-feira, março 5, 2026
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Quando se fala em ecoturismo, o Peruaçu raramente é lembrado, mas deveria

Ao buscar na internet, ou mesmo em ferramentas de inteligência artificial, pelos principais destinos de ecoturismo em Minas Gerais, dificilmente o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu aparece à frente de nomes já consagrados como o Parque Estadual do Ibitipoca, o Parque Nacional da Serra do Cipó ou o Parque Nacional da Serra da Canastra.

Quem escolhe viagens apenas pelos destinos mais famosos pode estar ignorando um dos lugares mais surpreendentes do Brasil. No norte de Minas, onde Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica se encontram, o Peruaçu combina cavernas grandiosas, registros rupestres milenares e a presença viva das comunidades que moldam o território.

Prova disso, é que em 2025, o Cânion do Peruaçu, localizado no interior do Parque, foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. O reconhecimento consolida o que visitantes descobrem ao chegar no território: trata-se de um dos conjuntos espeleológicos e arqueológicos mais impressionantes da América do Sul. São cerca de 56 mil hectares protegidos e mais de 200 cavernas catalogadas. Entre elas está a imponente Gruta do Janelão, com salões gigantescos, claraboias naturais e formações calcárias monumentais que desafiam qualquer escala de comparação.

O parque abriga sítios arqueológicos com pinturas rupestres que podem chegar a 11 mil anos, registrando a presença ancestral de povos originários, uma verdadeira galeria com narrativas visuais gravadas em pedra muito antes da escrita.

A biodiversidade também impressiona com espécies típicas de três biomas convivendo no mesmo território. A sensação é a de estar em um Brasil profundo e ainda pouco revelado, onde é possível caminhar por trilhas que alternam paisagens áridas, florestas, cânions e mirantes. O território é também marcado pela presença de comunidades tradicionais e do povo indígena Xacriabá, que integram a identidade cultural e histórica da região.

Essa riqueza natural e cultural está preservada porque o Parque conta com uma rigorosa gestão, compartilhada entre Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio técnico do Instituto Ekos Brasil desde 2003. Além da preservação, esse modelo garante um amplo acesso ao Parque, que tem entrada gratuita.

“O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é um exemplo concreto de como a conservação ambiental pode caminhar junto com o desenvolvimento socioeconômico. As comunidades que apoiam a perpetuidade das áreas protegidas são também beneficiadas diretamente, seja pelos serviços ecossistêmicos ou pelas atividades impulsionadas pelo parque, entre elas o turismo”, destaca Ana Moeri, diretora-presidente do Instituto Ekos Brasil. Trata-se de mais um exemplo de como a conservação ambiental é também uma forma de gerar desenvolvimento para as pessoas.

Como visitar

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu está localizado nos municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, no norte de Minas Gerais. É possível chegar de carro a partir de Montes Claros, onde está localizado o aeroporto mais próximo. O acesso às cavernas e aos sítios arqueológicos exige, obrigatoriamente, a contratação de condutores ambientais credenciados, o que garante segurança, preservação e uma experiência interpretativa muito mais rica. E o visitante pode organizar a viagem por conta própria, contratando guias locais, ou adquirir pacotes oferecidos por agências especializadas em ecoturismo, que incluem transporte, hospedagem e roteiros estruturados.

Para que a experiência no Peruaçu ou em qualquer outra Unidade de Conservação seja positiva e sustentável, algumas práticas são fundamentais:

  • Planejamento é essencial: informe-se sobre regras, trilhas e exigências. No Peruaçu, o uso de capacete é obrigatório nas cavernas.
  • Respeite os limites: permaneça nas trilhas demarcadas e não acesse áreas restritas.
  • Não deixe rastros: recolha todo o lixo e não retire elementos naturais ou arqueológicos.
  • Observe a fauna à distância: não alimente animais e evite barulhos excessivos.
  • Prepare-se adequadamente: utilize roupas e calçados apropriados, proteção solar e leve água suficiente.
  • Apoie a economia local: priorize guias e serviços da região.

Ao escolher o Peruaçu como destino, o visitante não apenas vivencia paisagens deslumbrantes — ele participa de um modelo de conservação que protege biodiversidade, preserva história ancestral e gera desenvolvimento para o território. E talvez esteja, finalmente, descobrindo um dos maiores segredos do ecoturismo brasileiro.

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