Um grupo de 30 brasileiros que iria embarcar em um cruzeiro da MSC no dia 1º de março está retido no Oriente Médio devido ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Os turistas viajaram para a região incluindo o agente de viagens Heron Duarte, CEO da Herontour, e chegaram ao destino pela Qatar Airlines. Dois dias depois, foram surpreendidos pela escalada do conflito, que se estendeu para países vizinhos e suspendeu todos os embarques na região. Duarte, que acompanha parte do grupo, passou a prestar apoio a todos os 30 passageiros diante das circunstâncias.
Segundo Duarte, que está com parte do grupo no Catar, os viajantes que estavam em Dubai sequer puderam deixar o porto, mesmo com os embarques já realizados. O agente relatou que a cidade de Dubai foi alvo de mísseis, enquanto no Catar os ataques foram interceptados por barreiras antiaéreas. Apesar da eficácia da defesa, estilhaços caíram na região e atingiram uma pessoa, que morreu. O episódio gerou pânico entre moradores e turistas, embora não tenha havido impacto direto dos mísseis no solo.
No dia 2 de março, o Irã atacou uma central de abastecimento de água e energia elétrica, mas Duarte afirma que os serviços seguem funcionando normalmente na região onde o grupo está hospedado. A principal dificuldade enfrentada pelos turistas, segundo ele, tem sido a impossibilidade de estender as reservas feitas por plataformas como o Booking, o que obriga alguns a buscar alternativas de hospedagem por conta própria.
Duarte elogiou o suporte prestado pela MSC Cruzeiros e pela Qatar Airlines, que mantêm contato constante com os brasileiros e garantiram que, assim que o espaço aéreo for liberado, organizarão o retorno ao Brasil. O agente também destacou a postura do governo local: “O Emir é uma pessoa muito séria e se propôs a oferecer toda a ajuda necessária”.
Apesar das recomendações de isolamento, o grupo tem circulado pela cidade, utilizando metrô e visitando pontos turísticos, mas evitando a orla — área considerada de risco devido à presença de submarinos e navios de guerra na região.
Outro desafio enfrentado pelos turistas é o Ramadã, período sagrado para os muçulmanos em que restaurantes não servem refeições durante o dia. “Tomamos café da manhã o mais tarde possível para aguentar até as 18h, quando ficam liberadas as refeições nos restaurantes”, conta Duarte. Apesar dos contratempos, ele garante que o grupo está em segurança.
Além de acompanhar os passageiros no Catar, Duarte também monitora a situação dos brasileiros que estão em Dubai, onde os ataques foram mais intensos. Segundo ele, mísseis caíram próximo ao Burj Khalifa, o maior prédio do mundo, que seria alvo do Irã. “Quem está em Dubai está mais assustado”, admite.
O agente ressalta que a população local mantém a confiança na capacidade de defesa do país, com o apoio de aliados como Arábia Saudita e Estados Unidos. “As pessoas não estão em desespero”, afirma. O grupo da Herontour permanece tranquilo, à espera do momento seguro para retornar ao Brasil.






