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sábado, março 7, 2026
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De TCC na faculdade a referência em turismo sustentável: como a Vivalá ressignifica a relação dos viajantes com biomas e comunidades tradicionais

Certificado pelo Sistema B com a maior nota do setor no Brasil e 100% carbono neutro, o negócio social celebra uma década de impacto social, ambiental e econômico em operações em todo o país

Quando os inquietos estudantes de propaganda e marketing Daniel Cabrera e Pedro Gayotto desenvolveram uma ideia de negócio no Trabalho de Conclusão de Curso  Empreendedor da faculdade, não imaginavam que, dez anos depois, a empresa fictícia se tornaria a maior referência em turismo sustentável do Brasil. Certificada pelo Sistema B e 100% carbono neutro, a Vivalá – Turismo Sustentável no Brasil acumula mais de 6 mil viajantes, mantém parceria com 1.584 famílias comunitárias, atua em 34 Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas nos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e costeiro-marinho, contabiliza 10 mil horas de voluntariado e injetou mais de R$ 7,7 milhões em economias locais por meio da compra de serviços de base comunitária.

“Sempre gostamos muito de viajar e queríamos unir essa paixão com uma necessidade voltada ao propósito profissional e de vida. A ideia da Vivalá era oferecer às pessoas algo que a gente adoraria consumir, mas tinha muita dificuldade de encontrar: viagens que fossem além do óbvio, do turismo de massa, e que nos proporcionassem experiências realmente profundas e autênticas junto à natureza e às comunidades locais”, relembra Daniel Cabrera, cofundador e diretor-executivo da Vivalá. 

Para Pedro, cofundador e diretor de operações da Vivalá, o amadurecimento da operação foi determinante. “Sempre buscamos melhorar a experiência de quem viaja e o impacto positivo para quem recebe. Aliás, esse é um exercício que seguimos praticando até hoje e que eu considero um dos motivos principais do nosso sucesso”, afirma.

Universidade Vivalá de Negócios

No início, as viagens da Vivalá combinavam turismo e iniciativas de voluntariado, conectando viajantes com realidades diversas e aproximando-os de pequenos empreendedores comunitários. A troca de conhecimentos deu origem às primeiras formações em gestão, realizadas diretamente nas comunidades. Segundo Daniel, esse movimento nasceu de uma percepção prática. “De um lado, comunidades com conhecimento empírico e com saberes ancestrais. Do outro, pessoas que vivem em grandes centros urbanos e querem furar a bolha, se conectando de forma verdadeira”, destaca.

Com o tempo, esse programa evoluiu para a Universidade Vivalá de Negócios, uma metodologia com dez módulos de capacitação empreendedora, que reúne temas como definição de negócio, marketing, vendas, financeiro, planejamento de longo prazo e sustentabilidade. No começo, era aplicada durante as viagens de volunturismo, mas hoje passou a ser adotada em diversos projetos de capacitação em parceria com organizações sociais, empresas e poder público.

Superando a pandemia

Com a metodologia consolidada e a atuação ampliada, a Vivalá continuava expandindo em ritmo forte, até que a pandemia de Covid-19 impôs um dos momentos mais desafiadores da história do turismo. Com as viagens interrompidas e comunidades parceiras em situação de vulnerabilidade, a primeira ação foi telefonar para todos os clientes e garantir que as viagens seriam realizadas assim que houvesse condições, além de pedir que mantivessem suas reservas. “Este movimento foi essencial para fortalecer a relação de confiança, respeito, transparência e proximidade”, relembra Daniel Cabrera.

Em paralelo, foram realizadas arrecadações para apoiar os parceiros locais que já contavam com o turismo como maior fonte de renda. Quase 2 toneladas de alimento e R$ 30 mil em doações foram distribuídos em apoio às famílias.

Referência no Brasil

Com as operações integralmente retomadas, a Vivalá consolidou seu portfólio de experiências em destinos emblemáticos como  a Amazônia (AM), Alter do Chão (PA), Belém e Ilha de Marajó (PA), Jalapão (TO), Lençóis Maranhenses (MA), Jericoacoara (CE), Chapada dos Veadeiros (GO), Chapada dos Guimarães (MT) e Pantanal (MT). Em 2024, o Pico da Neblina (AM) retomou as atividades turísticas e o negócio social foi selecionado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e lideranças yanomami para conduzir com exclusividade o roteiro na região.

A empresa conta também com a maior operação de etnoturismo do país, promovendo expedições com diversos povos indígenas e experiências estruturadas de trocas culturais. O padrão de atendimento e qualidade permanece como prioridade. A Vivalá mantém NPS 9,3 (resposta à pergunta: de 0 a 10, o quanto você recomendaria a Vivalá?), adota protocolos rígidos de segurança e oferece seguro para todos os participantes. As operações contam com Sistema de Gestão de Segurança próprio, atendimento pré e pós-viagem e suporte presencial nas expedições.

Nos grupos, cerca de 75% dos viajantes são mulheres. Muitas, viajando sozinhas e pela primeira vez. Anna Gabriela Costa já realizou duas expedições com a Vivalá. Em 2023, ela foi à Chapada dos Veadeiros (GO) e em janeiro deste ano para a Amazônia Rio Negro, no Amazonas — um dos roteiros mais procurados. “Entendi que de nada adianta a gente visitar um lugar se não for para apoiar as pessoas que moram ali e que podem fazer do turismo uma fonte de renda. Além, é claro, da troca cultural. Depois de viver essas experiências, não consigo mais viajar sem ajudar a comunidade local de alguma forma, é uma troca, de respeito, conhecimento e sentimentos”, afirma a viajante.

A atuação da Vivalá cresceu e hoje se desdobra em diferentes frentes que conversam entre si: educação, corporações, poder público e projetos socioambientais. No campo educacional, além da Universidade Vivalá de Negócios, a empresa conduz expedições pedagógicas com escolas brasileiras e internacionais, como Maple Bear, Red House, Anglo, Waldorf Anabá, Colégio Santa Cruz, Colégio Santo Américo, The University of Chicago e NC State University. Essas experiências incluem saídas de campo com estudos do meio, atividades culturais, trilhas e rodas de conversa com lideranças locais. Em algumas instituições, a Vivalá também utiliza óculos de realidade virtual para levar elementos da natureza para dentro da sala de aula.

Na frente corporativa, são desenvolvidas iniciativas de impacto ambiental, voluntariado e cultura organizacional com empresas que buscam gerar valor com projetos positivos, como Natura, Itaú, C6 Bank, Ambev e Ajinomoto. A Vivalá se posiciona como parceira de áreas como marketing, pessoas e responsabilidade social para desenvolver programas, experiências e capacitações alinhadas aos valores de cada marca.

Um exemplo bastante positivo é a parceria com o C6 Bank no projeto Jornada Financeira, que leva educação financeira de forma gratuita para diversos biomas do Brasil. Na Ajinomoto, a área de Trade Marketing buscou a Vivalá para levar sua equipe a uma imersão em uma aldeia indígena, em uma ação com o foco em integrar os objetivos comerciais da marca com uma atuação mais consciente e alinhada aos pilares de ESG (ambiental, social e governança). A Ambev também participou de uma imersão de um dia em São Paulo, com foco em afroturismo e em um roteiro que explorou as raízes negras do bairro do Bixiga.

Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém do Pará, a Vivalá marcou presença em dois grandes projetos: no primeiro, junto a Natura, desenvolveu roteiros turísticos com comunidades tradicionais fornecedoras de insumos para os cosméticos da empresa; com o Governo do Estado do Pará e a Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia (ASSOBIO), apoio à criação e operacionalização de 11 Rotas da Bioeconomia, voltadas à COP30. Os roteiros seguem em funcionamento após a Conferência e possibilitam que os viajantes conheçam a região de forma autêntica e protagonizada por lideranças locais.

Por sua atuação, além da certificação pelo Sistema B, a Vivalá já recebeu 16 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, dos quais destacam-se: duas vezes vencedora do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade; conquistas do Desafio Belvitur de Inovação no Turismo, do Global Student Entrepeneurs Award (GSEA), do Troféu Abeta Brasil Natural e do Prêmio RD Station Limitless; seleção para programas de apoio e aceleração por parte da Inovativa, Ambev Aceleradora 100+, Teia Turismo Sustentável da Fundação Grupo Boticário, Amaz, Embratur Lab e Instituto Bancorbrás e escolha de suas lideranças para integrar programas como o Young Leaders of America (YLAI) e a rede Yunus & Youth.

Instituto Samaúma 

A Vivalá atua ainda via Instituto Samaúma (IS), o braço sem fins lucrativos vinculado ao negócio social e que atende governos municipais, estaduais e federais, além de entidades do terceiro setor. Dentre as atividades realizadas, estão estudos, diagnósticos, capacitação e estruturação de operações. Uma das ações foi o mapeamento e definição de um guia de boas práticas para o etnoturismo na Amazônia, realizado junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Governo Federal e ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU). Outra atividade em desenvolvimento é a parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que busca expandir o turismo nas Serras Gerais e Ilha do Bananal, no Tocantins.

Recentemente, o IS, junto ao Instituto Bancorbrás, realizou a capacitação de cinco aldeias indígenas da Terra Indígena Haliti-Paresi, no Mato Grosso, com o projeto batizado de “Rumo ao Turismo Regenerativo”.

Com o projeto “Caminhos Sustentáveis”, o Instituto promove ações para que crianças e jovens de baixa renda vivam experiências presenciais ou por meio de realidade virtual, com atividades voltadas à educação ambiental e com o objetivo de oferecer a esse público conscientização e formação para atuarem em um futuro que visa o desenvolvimento sustentável. Até novembro de 2025, quinhentas crianças foram impactadas. Em paralelo, dois projetos foram aprovados pela Lei Rouanet. Em um, 10 mil crianças viverão imersões presenciais nas macrorregiões brasileiras; no outro, o IS levará experiências de realidade virtual para outras 20 mil crianças brasileiras.

“Para atuarmos em relação ao combate às mudanças climáticas e proteção da biodiversidade, precisamos que o máximo de pessoas possível tenha acesso a esse tipo de programa, sensibilizando-se e aguçando sua consciência socioambiental. Com o ‘Caminhos Sustentáveis’, isso não só é viabilizado, como também são geradas oportunidades para crianças periféricas, combatendo assim o racismo ambiental”, destaca Daniel. Cada projeto está estimado em R$ 6 milhões e empresas aptas a realizar investimentos por meio da Lei podem entrar em contato para apoiar as iniciativas.

Tecnologia e Integração

Para escalar sua atuação e profissionalizar o setor, a Vivalá investiu no desenvolvimento de sistemas próprios e trouxe tecnologia de ponta para um nicho ainda defasado e analógico. “Todas as atividades relacionadas às frentes do turismo sustentável atuam, muitas vezes, de forma artesanal. Isso impede um crescimento escalável ou pode até mesmo levar a problemas jurídicos, comerciais e de segurança”, explica Daniel Cabrera.

Foi pensando nisso que a Vivalá criou a Área de Parceiros, primeiro programa de afiliados do turismo sustentável no Brasil. Acelerado e investido pela Embratur por meio do Embratur Lab, a ferramenta conecta agências, operadoras e consultores do trade a todo o portfólio da organização. Por meio de uma plataforma digital, o programa permite que parceiros o acesso a todo o seu portfólio de turismo sustentável, a geração de links de pagamento para clientes no Brasil e no exterior, além de oferecer materiais audiovisuais profissionais (também em inglês e espanhol), treinamentos recorrentes e suporte dedicado.

Os próximos 10 anos do turismo sustentável

Para a próxima década, a Vivalá planeja expansão nacional e internacional, fortalecendo a presença em novos mercados e ampliando a rede de parceiros. A estratégia inclui consolidar a Área de Parceiros como principal porta de entrada para agências e operadoras, além de fortalecer frentes com escolas, empresas, governos e organismos multilaterais. “Estaremos juntos a todas as organizações interessadas em somar com a gente neste trabalho de transformar o Brasil no maior destino de turismo sustentável do planeta e uma referência em desenvolvimento sustentável para o mundo todo”, conclui Daniel Cabrera.

Sobre Vivalá 

A Vivalá é referência em programas de impacto socioambiental positivo,  atendendo algumas das maiores organizações do país, com agendas de  inovação, bioeconomia, tecnologia, cultura tradicional e responsabilidade  social, promovendo experiências que buscam ressignificar a relação que as  pessoas têm com o Brasil. Atualmente, a Vivalá atua em 34 Unidades de Conservação e Terras Indígenas nos  biomas da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Marinho Costeiro, em conjunto com 1.584 famílias envolvidas na operação.

Com 16 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais da  Organização Mundial do Turismo, ONU Meio Ambiente, Braztoa, Embratur,  Abeta, Fundação do Grupo Boticário, Yunus & Youth, entre tantos outros. A  Vivalá tem uma operação 100% carbono neutro e é uma empresa B  certificada, tendo a maior nota do setor no Brasil e a 7ª maior no mundo. Até novembro de 2025, a Vivalá já contava com mais de 6 mil clientes, além  de ter injetado mais de R$ 7,7 milhões em economias locais através da  compra de serviços de base comunitária. Para mais informações, acesse: https://www.vivala.com.br/

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