Santa Catarina concentra 70% da produção nacional de barcos de lazer, destaca ACATMAR em fórum internacional

Durante evento realizado em Salvador, associação apresentou o caminho que levou o estado de 94 empresas do setor náutico, em 2011, para mais de mil em 2026

Santa Catarina saiu de 94 empresas do setor náutico, em 2011, para mais de mil em 2026. Atualmente, o estado responde por 70% da produção nacional de barcos de esporte e lazer, concentra 74% das exportações brasileiras de embarcações de lazer e mantém 250 mil empregos formais ligados à Economia do Mar.
Os números que colocam Santa Catarina na posição de maior polo náutico do país foram apresentados pelo presidente da ACATMAR (Associação Náutica Brasileira), Leandro “Mané” Ferrari, durante o 2º Fórum Náutico Internacional da ANB, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, no Terminal Marítimo de Salvador.

Convidada pela Associação Náutica da Bahia, entidade representativa da cadeia produtiva náutica nacional, a ACATMAR teve participação central no evento, que reuniu autoridades do Governo do Estado da Bahia, da Prefeitura de Salvador e convidados internacionais para discutir o desenvolvimento da atividade náutica e da Economia do Mar.

A ACATMAR esteve à frente de três dos principais momentos do Fórum. Presidente da associação e consultor especialista em Economia do Mar, Mané Ferrari participou como palestrante do Painel 8, “Indústria Náutica e Naval: Geração de Emprego e Renda”, ao lado de representantes do SENAI CIMATEC, do Estaleiro Enseada Paraguaçu e das secretarias de Desenvolvimento Econômico de Salvador e do Estado da Bahia.

Na apresentação “Santa Catarina, indústria náutica e naval: como se constrói um polo”, Mané detalhou a transformação vivenciada pelo estado e mostrou como a articulação entre o setor produtivo e o poder público contribuiu para ampliar o número de empresas, a produção, as exportações e os empregos ligados à atividade.
“Barco não é luxo. É indústria, emprego, imposto e desenvolvimento. Enquanto o legislador enxergar supérfluo, ele taxa. Quando enxerga cadeia produtiva, ele incentiva. Toda a história de Santa Catarina cabe nessa diferença”, afirmou Mané.

Durante a palestra, o presidente da ACATMAR também citou políticas que ajudaram a estruturar o polo catarinense, como o Pró-Náutica, os investimentos na formação de mão de obra e a recém sancionada lei das Zonas Especiais Náuticas de Desenvolvimento (ZENAs).
Questionado sobre o que faria caso tivesse a Baía de Todos-os-Santos para desenvolver, Mané deu uma das respostas mais comentadas do evento. “A Baía de Todos-os-Santos é ouro. A Bahia tem o ouro nas mãos. Se esse potencial ainda não foi plenamente desenvolvido, não é por falta de recursos naturais ou de vocação. É preciso vontade, união do setor, organização das demandas e presença constante junto ao poder público. Não basta esperar: é necessário cobrar, apresentar propostas e construir as soluções conjuntamente.”

A manifestação repercutiu entre os participantes. Após o painel, empresários baianos procuraram a comitiva para conhecer em detalhes a experiência catarinense e discutir possíveis caminhos para o desenvolvimento do setor náutico local. A agenda foi encerrada com uma visita técnica ao Porto de Salvador.

Integração entre porto, cidade e setor náutico

A diretora de Turismo e Sustentabilidade da ACATMAR, Michele Castilho, também teve participação de destaque no Fórum. Âncora do Mundo Mar TV, primeiro programa náutico do Brasil e que ajudou a mudar a história do setor, Michele abriu o ciclo de debates técnicos como mediadora do Painel 1, dedicado ao tema “Integração Porto-Cidade”.
O debate contou com a participação de Alberto Fuentes Losada , secretário-geral do Porto de Vigo, na Espanha; Antonio Gobbo , da Autoridade Portuária da Bahia (CODEBA); e Maria Eduarda Lomanto , secretária do Mar de Salvador.
Entre os principais pontos levantados por Michele esteve o case do Porto de Vigo uma verdadeira integração com a cidade bem como a experiência de Salvador, que conta com uma Secretaria do Mar. A diretora questionou quais benefícios uma estrutura transversal como essa pode trazer para a articulação das políticas públicas relacionadas ao setor — modelo que se aproxima da criação de uma Secretaria da Economia do Mar, proposta defendida há anos pela ACATMAR.

Michele também levou ao debate os impactos do crescimento dos portos sobre a mobilidade urbana. A reflexão foi sobre como as cidades portuárias devem preparar sua infraestrutura e acompanhar o aumento da movimentação de pessoas, cargas e veículos à medida que os portos se expandem — um dos grandes desafios enfrentados atualmente pelos municípios que abrigam essas estruturas.

No segundo dia do evento, Michele foi novamente convidada pela organização para conduzir o Painel 7, “A Náutica por Elas”, que discutiu o protagonismo feminino na Economia do Mar.

Atuação nacional

A presença em Salvador integra uma atuação que se repete de norte a sul do país. Como entidade representativa de toda a cadeia produtiva do setor náutico nacional, a ACATMAR tem participado ativamente de debates e ações em diferentes regiões brasileiras, como ocorreu recentemente no Fórum Amazonáutica, em Manaus, e em Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Durante o evento na Bahia, a associação também reforçou a importância de todos os elos do setor encaminharem suas demandas à Frente Parlamentar da Economia do Mar, criada junto ao Senado Federal sob a condução do senador Esperidião Amin e que teve a ACATMAR a entidade que auxiliou em sua construção.

A Frente Parlamentar é apontada pela associação como o espaço no qual devem nascer as políticas públicas voltadas ao fortalecimento da atividade. De norte a sul, a ACATMAR vem trabalhando de forma ativa para ampliar a Economia do Mar e gerar novas oportunidades e negócios para todos os setores envolvidos.

“Santa Catarina e Bahia têm experiências diferentes e complementares. A ACATMAR esteve em Salvador para compartilhar o que aprendeu construindo o polo catarinense e para colocar a associação à disposição como ponte entre empresários, entidades, universidades e poder público. A Economia do Mar do Brasil cresce quando os estados se somam”, resume Mané.

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