Capacitação reuniu agentes de proteção, autoridades públicas, companhias aéreas, empresas de serviços em solo e equipes do aeroporto para aprimorar a identificação do transporte ilegal de espécies
Belo Horizonte, setembro de 2026 – De corais marinhos a uma estrela-do-mar na bagagem de mão, a diversidade de animais de origem silvestre já apreendidos no BH Airport reforça a importância de ampliar as medidas de prevenção e enfrentamento ao tráfico de fauna em aeroportos. Para aperfeiçoar a identificação de tentativas de transporte ilegal, profissionais da comunidade aeroportuária participaram de um treinamento sobre reconhecimento de espécies, formas de ocultação e procedimentos de inspeção de passageiros e bagagens.
A capacitação reuniu agentes de Proteção da Aviação Civil (APACs), servidores da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ibama, representantes de companhias aéreas e empresas de serviços em solo, além das equipes de Meio Ambiente e Segurança da Aviação Civil do BH Airport. O treinamento integra o programa DetectaTraf Aeroportos, iniciativa do Ibama, em parceria com a Freeland Brasil, para promover o fortalecimento da atuação institucional contra o tráfico de animais silvestres.
O conteúdo contempla a identificação básica da fauna, estratégias empregadas no transporte ilegal e exercícios práticos de detecção, com análise de imagens de equipamentos de raio X e técnicas de busca pessoal. A programação também inclui um fórum com lideranças das instituições participantes para discutir diretrizes, aprimorar o intercâmbio de informações e coordenar os procedimentos adotados diante de possíveis ocorrências.
“A prevenção ao tráfico de fauna no transporte aéreo exige equipes qualificadas, procedimentos consistentes e integração entre todos os agentes que atuam no ambiente aeroportuário. O treinamento aprimora a identificação de espécies e de formas de ocultação, fortalece a atuação coordenada com as autoridades e torna mais eficiente a resposta a possíveis ocorrências. Ao integrar a rede de Aeroportos Guardiões da Fauna Silvestre, ampliamos a nossa contribuição para coibir esse crime e reafirmamos a proteção da biodiversidade como parte da nossa agenda ambiental”, afirma o gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves.
Apreensões revelam a diversidade do transporte ilegal
A estrela-do-mar encontrada na bagagem de mão de uma passageira é a ocorrência mais recente identificada por uma agente de Proteção da Aviação Civil (APAC), durante a inspeção de segurança no BH Airport.
O registro se soma às apreensões de corais marinhos, caranguejos-uçá transportados irregularmente durante o período de reprodução e peixe em saco plástico. Em outro episódio, um jabuti foi localizado na cintura de um passageiro que utilizava cadeira de rodas. Uma cobra norte-americana conhecida como corn snake também foi encontrada em uma lixeira, após ser descartada pelo viajante ao perceber a fiscalização.
Estima-se que 38 milhões de animais silvestres sejam retirados da natureza todos os anos no Brasil. O comércio ilegal movimenta cerca de R$ 5 bilhões anualmente e provoca impactos sobre o equilíbrio dos ecossistemas e a conservação da biodiversidade. A legislação ambiental prevê sanções administrativas e responsabilização criminal.
As multas por infrações contra a fauna variam conforme a espécie, estado de conservação e circunstâncias. Quando o transporte ilegal também envolve maus-tratos, o Decreto Federal nº 12.877/2026 estabelece multas de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal.
Do combate ao tráfico à conservação da biodiversidade
A prevenção ao tráfico de vida silvestre integra a agenda ambiental do BH Airport. Em 2022, o aeroporto aderiu ao pacto da United for Wildlife, organização apoiada pela Royal Foundation e criada pelo príncipe William.
A iniciativa reúne instituições dos setores de transporte e finanças de diferentes países para impedir o uso de estruturas logísticas no comércio ilegal de animais e plantas silvestres.
A proteção da biodiversidade também orienta a gestão ambiental do território aeroportuário. Inserido na Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa, em uma região de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica, o terminal mineiro preserva mais de 310 hectares de Reserva Legal, cerca de 790 hectares de remanescentes de vegetação nativa e mais de 97 hectares de Áreas de Preservação Permanente.
Entre as iniciativas mantidas pelo aeroporto está a passagem de fauna instalada sob a rodovia LMG-800, principal acesso ao terminal. Com aproximadamente dois metros de altura e 60 metros de comprimento, a estrutura conecta fragmentos florestais e oferece uma rota segura para os animais silvestres que circulam pela APA Carste. Desde 2023, o monitoramento é realizado com armadilhas fotográficas que registram a diversidade de espécies utilizando a travessia subterrânea.
Entre elas estão tamanduá-mirim, veado-catingueiro, irara, ouriço-cacheiro, quati, jaguatirica, cachorro-do-mato, furão, tatu, gambá, capivara, tapiti, morcego e paca. Os registros incluem animais característicos do Cerrado e da Mata Atlântica, alguns classificados como ameaçados ou vulneráveis à extinção. Nos dois primeiros anos de acompanhamento, o número de atropelamentos de animais silvestres caiu aproximadamente 83% no trecho monitorado da rodovia.
O resultado demonstra a contribuição da passagem de fauna para reduzir a mortalidade, favorecer o deslocamento dos animais entre remanescentes de vegetação e ampliar a segurança no principal acesso ao aeroporto. O projeto recebeu reconhecimento internacional em 2025, durante a Conferência e Exposição Anual do Airports Council International Latin America & Caribbean.
A passagem de fauna foi premiada no Green Airport Recognition, iniciativa que reconhece projetos ambientais desenvolvidos por aeroportos da América Latina e do Caribe. A premiação marcou o quinto ano consecutivo em que o BH Airport recebeu o reconhecimento de Aeroporto Verde.
Sobre o Aeroporto BH
Com localização estratégica e um dos principais hubs do país, o BH Airport atende cerca de 70 destinos nacionais e internacionais. O aeroporto é administrado pelo Grupo ASUR (Aeroportuario del Sureste), um dos principais operadores internacionais, com presença nas Américas e no Caribe; pela Zurich Airport, operadora do Aeroporto de Zurique, principal hub aéreo da Suíça; e pela Infraero, estatal com mais de 50 anos de experiência na gestão aeroportuária brasileira.




