Operação de R$ 21 mil inaugura nova modalidade do Fungetur voltada a MEIs do setor inscritos no CadÚnico e no Cadastur
O negócio de Maria do Perpétuo Socorro Medeiros começou há 14 anos, no quintal de sua casa. Nesta quinta-feira (10/09), a dona do Espaço Mille Festas, em Teresina (PI), deu um novo passo em sua trajetória ao se tornar a primeira brasileira a assinar um contrato do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) pela nova linha destinada a microempreendedores individuais (MEIs) de baixa renda.
A operação, no valor de R$ 21 mil operada pela Agência de Fomento e Desenvolvimento do Piauí (Badespi), será utilizada inteiramente como capital de giro para a compra de insumos e melhoria da estrutura de seu empreendimento de eventos.
A modalidade foi criada pelo Ministério do Turismo (MTur) em cooperação com os ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) exatamente para sanar o principal gargalo desse público: a exigência de garantias patrimoniais ou fiadores no sistema financeiro tradicional.
Para acessar a linha, que libera até R$ 21 mil, o empreendedor deve estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) e manter registro ativo no Cadastur, cadastro do MTur que formaliza e legaliza prestadores do setor no país. As operações contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Operações (FGO), no âmbito do Programa Acredita no Primeiro Passo, dispensando a necessidade de avalista.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou o alcance da iniciativa. “Temos milhares de trabalhadores que fazem o turismo acontecer na ponta no Brasil inteiro. São organizadores de eventos, guias, motoristas, artesãos e pequenos comerciantes de alimentação. Hoje, temos 62.994 MEIs inscritos no Cadastur e a nossa meta é fazer com que esse crédito chegue justamente a quem mais precisa para estruturar seu negócio, gerar renda e movimentar a economia dos destinos”, afirmou.
Para a Maria do Socorro, a ausência de burocracia foi decisiva. “São 14 anos de muita luta, desde que comecei no quintal de casa até conquistar o nosso prédio próprio. Para o microempreendedor, conseguir crédito costuma ser muito difícil pela falta de fiador, que é a nossa maior barreira, mas pelo Fungetur foi um processo fácil, simples e sem enrolação. Esse dinheiro veio no momento certo e vai ajudar a comprar insumos, melhorar a qualidade do nosso trabalho e atender muito melhor os clientes”, comemorou.
A piauiense não deve ser a única por muito tempo. Outros empreendedores do Piauí já estão com as propostas aprovadas em fase final de análise e devem assinar os contratos dessa mesma modalidade nos próximos dias.
Como funciona o Fungetur – A nova linha para MEIs do CadÚnico integra o portfólio do Fungetur, principal mecanismo do Governo Federal para financiar e estruturar a cadeia turística nacional. O fundo atende desde microempreendedores até médias e grandes empresas do setor, destinando recursos para capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, além de obras de ampliação, reforma e modernização de empreendimentos.
No acumulado de 2023 a 2026, o Fungetur viabilizou 6.556 financiamentos em todo o país, somando R$ 2,93 bilhões contratados. Apenas entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 1.323 operações, totalizando R$ 530,1 milhões em crédito concedido. Para o ano de 2026, o Ministério do Turismo tem R$ 1,033 bilhão em orçamento disponível para novas operações de financiamento nos estados.




