Ferramentas de inteligência artificial já conseguem montar roteiros, comparar opções e personalizar sugestões, mas especialistas alertam que tecnologia não substitui validação humana em decisões que envolvem dinheiro, tempo e imprevistos
São Paulo, setembro de 2026 – Começando a organizar a viagem de fim de ano? A inteligência artificial pode ajudar a transformar as primeiras ideias em um roteiro mais organizado e em poucos minutos. Com o turismo brasileiro em ritmo aquecido, o planejamento também ganha importância para quem pretende viajar nos próximos meses. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as atividades turísticas cresceram 4,6% em 2025, atingindo o maior patamar da série histórica
Nesse cenário, ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, podem ajudar em diferentes etapas da organização de uma viagem: desde a escolha do destino e a montagem do roteiro até a descoberta de restaurantes, atrações e estimativas de gastos. Mas até onde é seguro deixar a IA decidir uma viagem?
A resposta, segundo a Biosfera Copastur, empresa com mais de 50 anos de bagagem em gestão de viagens na América Latina, é que a inteligência artificial já pode ser uma importante aliada do viajante, mas ainda funciona melhor como uma espécie de copiloto do que como uma agência de viagens completa.
“Hoje, a IA consegue entender muito melhor o contexto de uma viagem. Se o viajante informa orçamento, duração, interesses, perfil e até o ritmo que prefere para os passeios, a ferramenta consegue transformar esses dados em um roteiro bastante personalizado. O desafio começa quando entramos em informações que mudam rapidamente ou em situações que exigem responsabilidade operacional”, explica Alessandro Silveira, Diretor de Transformação e Experiência do Cliente da Biosfera Copastur.
O que a IA já consegue fazer
Para quem está começando a planejar uma viagem, a inteligência artificial pode ser utilizada em diferentes etapas. Entre as aplicações mais práticas estão:
Montar um roteiro personalizado: o viajante pode informar quantos dias terá, quanto pretende gastar, quais atrações gostaria de conhecer e qual é o seu perfil. A partir dessas informações, a IA consegue sugerir uma programação.
Encontrar alternativas: em vez de pedir apenas “o que fazer em Paris?”, é possível solicitar opções para diferentes perfis, como uma viagem econômica, uma experiência gastronômica ou um roteiro para quem está viajando com crianças.
Organizar informações: a ferramenta pode transformar uma série de interesses em uma programação por dia, inclusive agrupando atrações que ficam próximas e sugerindo uma ordem de visita.
Ajudar na preparação: listas de documentos, itens para levar, informações sobre sobre clima, conversões de moeda e sugestões de bairros são exemplos de tarefas em que a IA pode economizar tempo.
Personalizar a experiência: quanto mais contexto o usuário fornece, mais específicas podem ser as sugestões. Uma viagem de cinco dias para um casal que prefere praia e hotéis de categoria superior, por exemplo, terá uma lógica diferente de uma viagem econômica para um grupo de amigos.
Porém, Silveira alerta: “O fato de uma ferramenta apresentar uma resposta organizada e segura não significa que todas as informações estejam corretas ou atualizadas”.
Preços de passagens e hotéis, disponibilidade, horários de atrações, regras de entrada, exigências de documentação e condições climáticas são exemplos de informações que podem mudar. Além disso, um roteiro que parece perfeito no papel pode não considerar o tempo necessário para deslocamentos, conexões ou eventuais imprevistos.
”Uma das principais mudanças que a IA traz é a capacidade de processar uma quantidade enorme de informações e transformar isso em uma recomendação simples para o viajante. Mas existe uma diferença importante entre recomendar e operar uma viagem. Quando há uma alteração de voo, uma greve, um problema climático ou uma questão de segurança, por exemplo, é preciso ter dados atualizados e capacidade de ação”, afirma Alessandro Silveira.
Para aproveitar melhor a tecnologia, a recomendação da Biosfera Copastur é fornecer o máximo de contexto possível e, principalmente, tratar as respostas como ponto de partida.
Em vez de perguntar apenas “monte um roteiro para Londres”, o viajante pode informar:
- quantidade de dias;
- orçamento disponível;
- período da viagem;
- aeroporto de chegada e saída;
- perfil dos viajantes;
- interesses;
- restrições alimentares;
- ritmo desejado para os dias;
- preferência por transporte público, carro ou caminhada;
- atrações que já estão na lista.
Também é válido , pedir que a IA aponte quais informações precisam ser confirmadas antes da compra ou reserva.
Essa última etapa é especialmente importante. A Inteligência Artificial pode ajudar a decidir o que faz sentido pesquisar, mas a confirmação deve ser feita em fontes atualizadas antes de qualquer decisão que envolva dinheiro ou comprometa a viagem.
E onde entra o fator humano?
A discussão sobre IA no turismo não significa necessariamente substituir profissionais, mas mudar a natureza do trabalho. Na visão da Biosfera Copastur, a tecnologia pode assumir tarefas repetitivas e acelerar a análise de informações, enquanto especialistas passam a se concentrar mais em decisões, exceções e personalização.
A própria Copastur vem direcionando investimentos para tecnologia e inteligência artificial. Desde 2024, foram destinados mais de R$ 100 milhões a soluções e tecnologia, dentro de uma estratégia que busca utilizar dados e IA para reduzir fricções e melhorar diferentes etapas da jornada de viagem.
“A tendência é que o viajante tenha cada vez mais ferramentas para pesquisar sozinho. O diferencial não estará apenas em encontrar uma passagem ou um hotel, mas em conseguir interpretar informações, antecipar problemas e tomar decisões melhores. A IA ajuda muito nesse processo, mas a experiência e o olhar humano continuam importantes justamente nos momentos em que a viagem sai do roteiro planejado”, completa o executivo.




