Travel Connect 2026 reúne líderes do setor para debater IA, dados e o futuro das viagens corporativas

Quase 2 mil profissionais e dezenas de lideranças da América Latina participaram da edição de cinco anos do evento, que reuniu empresas como VOLL, LATAM Airlines, Visa e Mastercard

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para assumir um papel mais ativo na gestão de viagens corporativas, com capacidade de interpretar solicitações, analisar contextos, fazer intervenções e executar etapas da jornada de forma autônoma.

Essa evolução foi um dos destaques do Travel Connect 2026, principal evento de inovação do setor, realizado nesta quarta-feira, 9 de setembro, no WTC Golden Hall, em São Paulo. Em sua maior edição, o encontro promovido pela VOLL, agencia de viagens e gestão de despesas corporativas, reuniu quase 2 mil profissionais e mais de 25 lideranças e especialistas de diferentes setores ao longo de sete horas de conteúdo.

A programação contou com executivos de organizações como Global Business Travel Association (GBTA), XP Investimentos, McDonald’s, Visa, Atlantica Hotels, Mastercard, LATAM Airlines e VOLL. Entre os principais temas estiveram o avanço da inteligência artificial, o uso de dados para a tomada de decisão, as perspectivas econômicas para as viagens corporativas e a importância da atuação humana em um ambiente cada vez mais automatizado.

“A inteligência artificial é uma ferramenta muito poderosa, que vai se transformar, e as soluções serão cada vez mais sofisticadas para gerar controle, segurança e economia para as empresas. Mas o que vai fazer a diferença são as pessoas que estão dentro dessa sala, os gestores de viagens e despesas”, afirmou Luciano Brandão, CEO da VOLL, durante a apresentação das novidades da plataforma da empresa.

Luiz Moura, cofundador da VOLL, destacou a importância dos dados para decisões mais estratégicas. “A maior perda das empresas não está apenas no que gastam em viagens, mas no que deixam de ganhar por não terem dados para decidir melhor. Nosso compromisso é oferecer clareza e informação de qualidade para quem gere viagens e despesas corporativas no Brasil.”

VOLL e Visa: pesquisa inédita

O Travel Connect foi criado em 2022 e vem ampliando sua programação e estrutura a cada edição. Entre as novidades deste ano está o Radar Business Travel 2026, realizado pela VOLL em parceria com a plataforma de conteúdo Panrotas e com apoio da Visa. O levantamento reúne indicadores sobre o mercado brasileiro de viagens corporativas, dados do GBTA Business Travel Index 2026, referências internacionais e análises sobre o impacto da inteligência artificial no setor. O estudo foi apresentado por José Guilherme Alcorta, CEO da Panrotas, e Artur Luiz Andrade, CCO da empresa.

Entre os dados de maior destaque está a liderança do Brasil em ritmo de crescimento entre os 15 maiores mercados de viagens corporativas do mundo. O país deve movimentar R$ 183 bilhões no segmento em 2026, avanço estimado em 13,8% no ano. No ranking global de gastos com viagens a trabalho, ocupa a 10ª posição, com projeção de US$ 35,8 bilhões em 2026.

IA e atuação humana na gestão de viagens

A relação entre tecnologia e atuação humana atravessou diferentes momentos da programação. O apresentador e empresário Luciano Huck abordou as transformações provocadas pela IA e seus possíveis reflexos sobre diferentes aspectos da sociedade.

“O que está acontecendo com a IA agora é exponencialmente mais forte do que muitas das transformações que vivemos até aqui. Cada vez mais ela vai atuar na forma como aprendemos, escolhemos e tomamos decisões”, afirmou.

No ambiente corporativo, Linda Zhang, Diretora Global de B2B da 99 para Empresas, falou sobre modelos de parceria e digitalização na construção de jornadas mais integradas. “O importante é estarmos abertos, porque nenhuma empresa precisa cuidar sozinha de toda a jornada. Hoje, a digitalização permite soluções mais abrangentes.”

A evolução da inteligência artificial para modelos mais autônomos também foi abordada por Clyde Rosanowski, da Mastercard. O executivo destacou o avanço da IA agêntica, capaz de interpretar a intenção de uma solicitação, considerar informações como agenda e contexto e executar etapas da viagem de maneira automatizada.

Nesse cenário, a intervenção humana tende a se concentrar em situações que demandem decisão, validação ou tratamento de exceções. Rosanowski chamou atenção ainda para o pós-viagem, etapa que concentra processos manuais e repetitivos e que pode se beneficiar da integração entre sistemas e da automação. “Pessoas gerenciam os negócios, enquanto a inteligência dos sistemas gerencia a viagem”, resumiu.

Nesta edição, o evento contou com três trilhas temáticas: Viagens Corporativas, Quem Faz Acontecer e a estreante Procurement em Rota, dedicada a Compras e Gestão da Cadeia de Suprimentos, assinada pela Live University/Inbrasc.

Na nova trilha, Alex Leite, sócio-investidor da Live University/Inbrasc, falou sobre as competências do profissional do futuro, com destaque para as chamadas “Power Skills”, como pensamento crítico, criatividade, tomada de decisão e aprendizado contínuo. Ele também mediou um debate sobre o papel de profissionais e agentes de inteligência artificial no futuro de Procurement.

Viagens corporativas em números

Katherine Farrel, Vice-Presidente das Américas da Global Business Travel Association (GBTA), apresentou um panorama das viagens corporativas na América Latina e no mundo.

No recorte da cidade de São Paulo, destacou que as viagens corporativas geraram mais de US$ 3,4 bilhões em receitas relacionadas à atividade econômica em 2024, além de mais de 33 mil postos de trabalho e retenção de 31% dos gastos na economia local.

Na palestra “Experiências integradas na era dos agentes de IA”, Paulo Silva, head de arquitetura da LATAM Airlines, mostrou como o chamado comércio agêntico começa a ganhar espaço no setor de viagens.

Segundo os dados apresentados, o tráfego gerado por ferramentas de inteligência artificial para sites de viagens nos Estados Unidos cresceu 119% em relação ao ano anterior. O engajamento avançou 14% em julho, enquanto a conversão associada a esse tipo de tráfego foi 60% superior à de outras origens.

Tecnologia para diferentes perfis de viajantes

A tecnologia também apareceu como ferramenta para tornar a experiência corporativa mais segura e adequada às necessidades de diferentes públicos.

No painel “Viagens sem Fronteiras”, Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev; Marcelo Turek, diretor comercial da Assist Card; e Deborah Calazans, Customer Success Director da VOLL, discutiram os desafios enfrentados por diferentes perfis de viajantes, incluindo mulheres e pessoas LGBTQIAPN+.
Durante o debate, foi destacado que 62% dos gestores de viagens reconhecem que mulheres estão mais expostas a riscos em deslocamentos corporativos, enquanto apenas 27% contam com políticas específicas voltadas a essa questão.
Luana chamou a atenção para os desafios adicionais presentes em viagens internacionais. “Dentro do Brasil é mais administrável, mais fácil de aplicar soluções. Fora do país, há a questão do idioma, de aspectos culturais e de protocolos que precisam ser estudados. […] E não falo somente das mulheres, mas também das pessoas LGBTQIAPN+. Uma régua não mede todos igualmente. A tecnologia ajuda.
A discussão reforçou a importância de políticas corporativas capazes de considerar diferentes perfis de viajantes, combinando protocolos de segurança, informação, atendimento e recursos tecnológicos.
Turismo e cenário econômico

Além das transformações tecnológicas, o cenário econômico e as perspectivas para o turismo estiveram entre os temas do Travel Connect 2026.
Daniela Araujo, Chief Alliances Officer da VOLL, e Eduardo Giestas, CEO da Atlantica Hotels, discutiram os aprendizados do setor diante dos ciclos de expansão e retração da economia.
Ao relembrar a recessão de 2015 e 2016, Giestas afirmou que o setor hoteleiro respondeu à queda da demanda com reduções significativas de preços, estratégia que não foi suficiente para estimular o mercado. A experiência, segundo ele, contribuiu para uma atuação diferente durante a pandemia, com maior diversificação dos negócios e investimentos em tecnologia e otimização de processos.
O executivo também apontou o potencial do turismo para geração de emprego e renda. Segundo os números apresentados no painel, o setor representa entre 6% e 8% da economia e emprega aproximadamente 8 milhões de pessoas.
Para Giestas, o desenvolvimento da atividade no longo prazo passa por avanços estruturais e pela exploração sustentável dos ativos naturais e culturais brasileiros. O ecoturismo foi citado como uma das frentes com potencial de desenvolvimento.
A temática ESG também esteve presente na discussão. Entre os pontos levantados estão a necessidade de integrar práticas ambientais e sociais à operação, a redução do consumo de recursos e de plásticos de uso único e o peso crescente desses critérios na escolha de fornecedores e na atração e retenção de talentos.
Perspectivas para as viagens corporativas

O economista e presidente do Conselho de Turismo da Fecomércio, Guilherme Dietze, complementou o panorama ao abordar os efeitos dos juros, da renda e do endividamento sobre a atividade econômica.
Segundo os números apresentados, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, enquanto o volume de crédito em atraso soma R$ 250 bilhões entre pessoas físicas e R$ 86 bilhões entre pessoas jurídicas. Dietze também chamou a atenção para os efeitos dos juros sobre indústria, varejo e serviços, especialmente por meio do encarecimento do crédito e de seus impactos sobre consumo e investimentos.
No turismo, a reforma tributária foi apontada como um dos temas que devem exigir atenção das empresas e dos agentes de viagens nos próximos anos.
Apesar dos desafios macroeconômicos, as perspectivas apresentadas para as viagens corporativas são positivas. Para 2026, a expectativa mencionada no evento é de crescimento de 5% no segmento. Dados da GBTA indicam ainda que o mercado brasileiro de viagens a negócios pode movimentar US$ 35,7 bilhões.
Na reta final do Travel Connect 2026, a apresentadora, empresária e cozinheira Paola Carosella compartilhou episódios de sua trajetória profissional e falou sobre insegurança, amadurecimento e a construção de confiança para ocupar novos espaços.“O momento em que a gente se sente pronto para ocupar o lugar que conquistou é o instante, aquele pedacinho, entre o medo e o primeiro passo”, afirmou.

A reflexão encerrou uma programação marcada por debates sobre transformação, adaptação e novas formas de trabalhar. Ao longo do evento, diferentes perspectivas convergiram para uma mesma direção: enquanto a tecnologia amplia a capacidade de análise, automatiza processos e torna a gestão de viagens mais eficiente, o olhar humano segue central nas decisões, nas relações e na construção de experiências mais relevantes para empresas e viajantes.

Sobre a VOLL – é uma agência de viagens e gestão de despesas corporativas que combina inteligência artificial e atendimento humano em todas as etapas da viagem. Sua plataforma utiliza agentes de IA para planejar, acompanhar e reorganizar viagens, considerando as políticas das empresas, as preferências de quem viaja e cada roteiro, gerando economia para as empresas e bem estar para os viajantes corporativos.

A solução integra passagens aéreas, hospedagem, gestão de despesas e relatórios customizados em tempo real, enquanto consultores atuam em situações que exigem análise e atuação especializada *feita por gente*. Atualmente, a plataforma conta com mais de 850 mil usuários mensais e atende empresas como Itaú, XP, Localiza, Nubank, CPFL Energia, iFood, McDonald’s, Danone e Riachuelo. Saiba mais em www.govoll.com.

 

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