Uma pesquisa da Mozio analisa tempo de deslocamento, opções de transporte e custos para destacar quatro aeroportos que oferecem as chegadas mais eficientes e quatro onde o transporte terrestre ainda representa um desafio maior.
A jornada do passageiro não termina no momento do desembarque. Em muitos casos, o deslocamento até o destino final pode ser um dos principais desafios da viagem, seja pelo tempo gasto no trajeto, pela falta de opções de transporte ou pelos custos envolvidos.
Para entender quais aeroportos brasileiros oferecem a experiência de mobilidade mais eficiente, a Mozio, plataforma global de reservas de transporte terrestre que conecta passageiros a diferentes opções de deslocamento em aeroportos de todo o mundo, realizou uma análise dos principais terminais localizados nas capitais dos estados brasileiros.
O estudo considerou critérios como tempo médio de deslocamento até o centro da cidade, diversidade de opções de transporte disponíveis (como metrô, trem, ônibus, aplicativos de transporte, táxis e transfers), custo médio da viagem e facilidade de integração com a rede de transporte urbano.
Com base nesses indicadores, a análise destaca quatro aeroportos brasileiros que se sobressaem pela eficiência da mobilidade terrestre, além de quatro onde os passageiros enfrentam os maiores desafios de transporte.
“Na Mozio, acreditamos que a experiência de viagem vai muito além do voo em si. O deslocamento do aeroporto até o destino final é uma parte fundamental da jornada e pode impactar significativamente o tempo, os custos e a conveniência dos viajantes.
Como uma plataforma global de reservas de transporte terrestre que conecta passageiros a opções de traslado em aeroportos de todo o mundo, utilizamos nossa experiência em mobilidade para avaliar como os principais aeroportos brasileiros se comportam em fatores essenciais, como tempo de deslocamento, variedade de transportes, custo e conectividade.
Nosso objetivo é ajudar os viajantes a entender melhor a experiência de chegada que podem esperar em cada destino.” Germán Zannier, gerente de operações da Mozio.
Os campeões da conveniência
Localização privilegiada, preços acessíveis e conexões diretas com a cidade: nesses terminais, os passageiros têm a sensação de já terem chegado ao destino no momento em que passam pelo portão de desembarque.
1º lugar: Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes–Gilberto Freyre (REC)
Pernambuco lidera com ampla vantagem por possuir uma característica única no país: é o único aeroporto internacional brasileiro conectado diretamente a um sistema de metrô (e não apenas a um trem suburbano ou monotrilho), por meio de uma passarela coberta que leva os passageiros diretamente ao centro da cidade ou à praia de Boa Viagem.
Essa combinação de acesso ferroviário direto, preços acessíveis e integração multimodal faz do Recife uma referência nacional em mobilidade aeroportuária, segundo a análise da Mozio.
Por que se destaca: nenhum outro aeroporto do ranking oferece transporte ferroviário totalmente integrado ao terminal, sem necessidade de baldeações ou trechos intermediários de ônibus. Essa integração reduz o tempo total de deslocamento e elimina uma das principais fontes de incerteza para passageiros que chegam com bagagem.
Distância do centro: 11 km
Transportes disponíveis: metrô, BRT, ônibus municipais, táxis , aplicativos de transporte e transfers
Custo médio: R$ 5–6 (metrô) | R$ 35–50 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
conexão direta e coberta com o metrô;
-
múltiplas alternativas de transporte;
-
excelente custo-benefício;
-
proximidade de importantes atrações turísticas.
Pontos fracos:
-
intervalos maiores do metrô fora dos horários de pico;
-
sinalização limitada em inglês para turistas estrangeiros.
2º lugar: Aeroporto Internacional de Porto Alegre/Salgado Filho (POA)
A proximidade com a região central garante a segunda posição para Porto Alegre. O principal diferencial do aeroporto é o Aeromóvel, sistema elevado que conecta o terminal à estação Aeroporto da Trensurb, uma solução rápida e pouco comum no Brasil, destacada pela Mozio como uma das conexões aeroporto-ferrovia mais diferenciadas do país.
Por que se destaca: desde as enchentes de 2024, o Aeromóvel permanece fora de operação. Em abril de 2026, sua recuperação foi oficialmente incluída no programa Novo PAC, com investimento previsto de R$ 38,7 milhões e obras estimadas entre oito e doze meses após a assinatura da ordem de serviço, mas ainda não há uma data confirmada para o retorno. Enquanto isso, passageiros dependem de ônibus, táxis ou aplicativos para chegar à estação da Trensurb ou seguir diretamente ao centro, retomando parte da complexidade que o sistema foi criado para eliminar.
Distância do centro: 10 km
Transportes disponíveis: Aeromóvel conectado à Trensurb (atualmente fora de operação), ônibus, táxis e aplicativos e transfers
Custo médio: R$ 5 (trem) | R$ 25–40 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
proximidade do centro;
-
integração ferroviária entre aeroporto e cidade quando está funcionando;
-
baixo custo para usuários do transporte público.
Pontos fracos:
-
Aeromóvel permanece fora de operação, sem data confirmada de retorno;
-
passageiros precisam combinar diferentes modais para acessar a Trensurb durante a paralisação;
-
a rede ferroviária não atende diretamente todos os bairros turísticos.
3º lugar: Aeroporto Internacional de Fortaleza/Pinto Martins (FOR)
Sem conexão ferroviária, mas com uma rede de ônibus bem distribuída e localização próxima ao centro, a capital cearense oferece trajetos curtos e tarifas previsíveis, características que colocam Fortaleza entre os aeroportos com desempenho mais consistente segundo os dados da Mozio.
Por que se destaca: a ausência de transporte ferroviário reduz sua pontuação em relação aos dois primeiros colocados, mas a curta distância, os valores competitivos dos aplicativos e a boa disponibilidade de táxis compensam parcialmente essa diferença.
Distância do centro: 8 km
Transportes disponíveis: ônibus municipais, táxis, aplicativos e transfers
Custo médio: R$ 4,50 (ônibus) | R$ 25–40 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
curta distância até o centro;
-
entre as tarifas mais baratas de aplicativos do ranking;
-
boa disponibilidade de táxis.
Pontos fracos:
-
ausência de transporte ferroviário;
-
ônibus podem enfrentar lentidão nos horários de pico.
4º lugar: Aeroporto Internacional de Rio Branco/Plácido de Castro (RBR)
Um dos aeroportos mais próximos de um centro urbano no país, com distância semelhante à de Fortaleza, mas que, segundo a Mozio, fica abaixo no ranking devido ao menor número de opções de transporte e à grande dependência de carros e ônibus.
Por que se destaca: a distância reduzida até o centro é uma vantagem, mas a falta de diversidade de modais, sem opção ferroviária e com menos alternativas do que Fortaleza, faz Rio Branco perder posições.
Distância do centro: 8 km
Transportes disponíveis: ônibus municipais, táxis e aplicativos
Custo médio: R$ 5 (ônibus) | R$ 30–45 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
distância mínima até o centro;
-
deslocamento rápido independentemente do modal escolhido.
Pontos fracos:
-
ausência de transporte ferroviário;
-
menor variedade de opções em comparação aos líderes do ranking.
Menção honrosa: Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro (SDU)
Embora não esteja incluído nesta análise por atender principalmente voos domésticos, o Aeroporto Santos Dumont merece uma menção honrosa pela excelente experiência de mobilidade oferecida aos passageiros. Localizado a apenas 2 km do centro do Rio de Janeiro, o terminal permite acesso ao VLT a poucos passos da saída do desembarque, conectando rapidamente os viajantes a diferentes regiões da cidade a baixo custo. A Mozio destaca o Santos Dumont como exemplo de como a proximidade ao centro urbano e um transporte público integrado podem melhorar significativamente a experiência do passageiro, mesmo sem fazer parte do ranking de aeroportos internacionais.
Os desafios do transporte terrestre
Distâncias elevadas, tarifas caras e ausência de alternativas ferroviárias: nesses terminais, o deslocamento até a cidade se torna uma parte da viagem — e nem sempre uma experiência positiva. A análise da Mozio identificou esses quatro aeroportos como aqueles que apresentam os maiores desafios de transporte terrestre para passageiros.
1º lugar (pior desempenho): Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins–Tancredo Neves (CNF)
No topo da lista dos aeroportos com maior dificuldade de acesso, Confins mostra como a distância pode se tornar um dos principais obstáculos para uma chegada tranquila. A longa distância até a capital mineira torna praticamente obrigatório o uso de ônibus executivo ou aplicativos de transporte, sendo o trajeto mais longo de todo o ranking.
Por que apresenta os maiores desafios: a combinação de três fatores — maior distância, tarifas mais altas de aplicativos e ausência total de conexão ferroviária — coloca Confins na pior posição. Nenhum outro aeroporto analisado reúne simultaneamente todos esses problemas.
Distância do centro: 40 km
Transportes disponíveis: ônibus executivo (Conexão Aeroporto), táxis, aplicativos e transfers
Custo médio: R$ 18–35 (ônibus executivo) | R$ 90–140 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
ônibus executivo confortável e com boa frequência;
-
boa infraestrutura do terminal.
Pontos fracos:
-
grande distância do centro;
-
alto custo via aplicativos;
-
ausência de alternativa ferroviária.
2º lugar: Aeroporto Internacional de Natal/Governador Aluízio Alves, São Gonçalo do Amarante (NAT)
Localizado no município vizinho de São Gonçalo do Amarante, o terminal enfrenta limitações de transporte público. O ônibus até a região hoteleira pode levar mais de uma hora e meia.
Por que apresenta desafios: mesmo com uma das tarifas de ônibus mais baratas do ranking, o tempo elevado de viagem e a distância tanto do centro quanto das praias — principal atração turística da região — pesam negativamente.
Distância do centro: 30 km (até 40 km das praias)
Transportes disponíveis: ônibus intermunicipais, táxis, aplicativos e transfers
Custo médio: R$ 5–10 (ônibus) | R$ 80–120 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
uma das tarifas de ônibus mais baratas do país;
-
táxis disponíveis 24 horas.
Pontos fracos:
-
viagem longa de ônibus;
-
distância significativa do centro e das praias;
-
aplicativos com tarifas elevadas.
3º lugar: Aeroporto de Palmas/Brigadeiro Lysias Rodrigues (PMW)
Por que apresenta desafios: Serviço limitado de ônibus e ausência de transporte ferroviário fazem com que o acesso ao centro dependa quase totalmente de transporte privado.
Distância do centro: 20 km
Transportes disponíveis: ônibus municipais (linhas limitadas), táxis, aplicativos e transfers
Custo médio: R$ 5 (ônibus) | R$ 50–80 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
trânsito local mais tranquilo que em grandes metrópoles;
-
tarifa baixa de ônibus quando disponível.
Pontos fracos:
-
poucas linhas e baixa frequência de ônibus;
-
grande dependência de táxis ou aplicativos, com custos elevados.
4º lugar: Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Tom Jobim (Galeão) (GIG)
Um grande terminal que enfrenta gargalos de acesso. Sem uma estação própria de metrô, a combinação entre BRT e metrô exige uma integração, enquanto passageiros que optam por carros enfrentam trânsito intenso nas vias de acesso.
Por que apresenta desafios:: Galeão é o único aeroporto deste grupo que possui conexão efetiva com um sistema ferroviário, ainda que de forma indireta. A necessidade de integração entre BRT e metrô, combinada ao trânsito e à maior distância até a Zona Sul, reduz a conveniência, mas a variedade de opções impede uma posição pior.
Distância do centro: 20 km (cerca de 25 km da Zona Sul)
Transportes disponíveis: BRT integrado ao metrô, ônibus executivos, táxis, aplicativos e transfers
Custo médio: R$ 8–10 (BRT + metrô) | R$ 60–110 (aplicativos)
Pontos fortes:
-
boa variedade de opções de transporte;
-
alternativa econômica via BRT + metrô.
Pontos fracos:
-
necessidade de integração entre BRT e metrô;
-
trânsito intenso nas vias de acesso;
-
maior distância da Zona Sul.
Planejamento faz diferença na experiência de viagem
Encontrar o melhor transporte após o pouso pode ser um desafio, especialmente para quem chega a uma cidade desconhecida. Filas, tarifas elevadas, falta de informação e poucas opções de conexão podem tornar os primeiros momentos da viagem mais estressantes do que o próprio voo.
“Uma boa experiência de viagem não termina quando o avião pousa. O deslocamento entre o aeroporto e o destino final é uma parte importante da jornada e, quando é simples e previsível, contribui para uma experiência muito mais tranquila para o passageiro. Por isso, planejar o transporte com antecedência pode ajudar a evitar filas, custos inesperados e dificuldades para encontrar a melhor opção de traslado na chegada.” diz German.
Metodologia
A Mozio é uma plataforma global que conecta passageiros a opções de transporte terrestre em aeroportos de mais de 180 países. Para realizar a análise, foram avaliados os principais aeroportos das capitais brasileiras com base em quatro critérios: tempo médio de deslocamento até a região central da cidade, variedade de modais disponíveis, custo médio da viagem e facilidade de integração com a rede de transporte urbano.




