A estimativa é que sejam criados 73,7 mil postos de trabalho e arrecadação tributária de R$ 928 milhões
17/7/2026 – A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 irá movimentar cerca de R$8,8 bilhões na economia do Brasil. O cálculo consta no estudo elaborado pela FGV Projetos, a pedido da Embratur, que sinaliza os impactos econômicos referentes ao período de preparação e execução do torneio no país.
Os dados foram apresentados pelo diretor de Gestão e Inovação da Agência, Roberto Gevaerd, nesta quinta-feira (16), durante o Confut, o principal evento de negócios, networking e inovação do esporte, que ocorre em Nova York.
O levantamento indica ainda um incremento de R$ 3,8 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o equivalente a 0,03% do total da economia nacional (base 2025). Os dados preveem a criação de 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos, a distribuição de R$ 4,5 bilhões em rendimentos (salários e lucros) e uma arrecadação tributária estimada em R$ 928 milhões para os cofres públicos.
O Diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, destaca a dimensão do torneio ao compará-lo com o atual ecossistema de eventos no país: “Em 2025, o conjunto dos dez maiores eventos esportivos recorrentes do país movimentou, somado, R$ 4,56 bilhões.
Quando olhamos para a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027, entendemos a verdadeira magnitude desse megaevento. Sozinhos, os impactos chegam a R$ 8,8 bilhões. Estamos falando de um único torneio que vai movimentar praticamente o dobro do valor gerado por todo o calendário de elite recorrente nacional.”
Para o professor da FGV e coordenador do estudo, Luiz Gustavo Barbosa, a realização do torneio eleva o patamar reputacional do país de forma inédita.
“Em menos de 15 anos, o Brasil se tornará um dos raríssimos países a ter sediado a tríade dos maiores eventos do planeta (Copa 2014, Olimpíadas 2016 e Copa Feminina 2027), carimbando um selo de excelência definitiva na captação de turismo internacional”, destaca o pesquisador.
Impacto na economia
O volume financeiro total divide-se em dois eixos. O primeiro, referente ao impacto do público, está estimado em R$ 4,7 bilhões. O cálculo tem como base a expectativa de fluxo de 2 milhões de pessoas (residentes e turistas) durante o mês da competição.
Conforme os dados, este volume é capaz de sustentar 45,7 mil empregos, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e recolher R$ 516 milhões em impostos federais, estaduais e municipais.
O segundo eixo detalha os investimentos para a organização do torneio, que devem gerar um impacto total de R$ 4,1 bilhões na economia. A lógica parte do orçamento global da competição, fixado pela FIFA em US$ 800 milhões.
Desse total, 43% (US$ 344 milhões) destinam-se ao pagamento de premiações internacionais e não entram na conta nacional. O montante restante, ao ser convertido, representa uma injeção direta de R$ 2,3 bilhões no mercado local para o custeio de logística, transmissão, segurança e saúde, sustentando cerca de 28 mil vagas de trabalho.
A projeção dos impactos foi calculada com base na metodologia de Matriz de Insumo-Produto (MIP), reconhecida internacionalmente por capturar os efeitos diretos, indiretos e induzidos na economia.
Perfil de consumo e demanda
A pesquisa VISA-Embratur (2025), compilada na projeção, aponta que 48,61% dos turistas internacionais que ingressam no Brasil são do gênero feminino. O recorte demográfico apresenta permanência média de 11 dias e ticket médio de US$ 1.317 por viagem.
A distribuição das despesas está categorizada em Sol e Praia (67,70%), comércio e compras pessoais (52,10%), serviços de gastronomia (35,60%) e atividades culturais (34,90%). O estudo sinaliza que este perfil de dispersão amplia os efeitos indiretos nas médias e pequenas empresas comerciais.
Além disso, dados complementares da pesquisa Nexus/CBF (2024) indicam que 72% dos cidadãos que nunca frequentaram estádios de futebol no Brasil são mulheres. Simultaneamente, 73% do público geral avalia a Seleção Brasileira Feminina de forma positiva.
A partir da correlação, o estudo projeta a ativação de uma demanda de consumo atualmente retraída, resultando em descentralização do consumo esportivo por múltiplas praças regionais.




