| Por Tatiana Schuchovsky Reichmann*
Durante décadas, o consórcio esteve fortemente associado à aquisição de bens duráveis como imóveis, automóveis e, mais recentemente, máquinas e equipamentos. No entanto, um movimento vem ampliando esse mercado: o avanço da modalidade de serviços como instrumento de planejamento financeiro voltado à realização de projetos pessoais, experiências e desenvolvimento profissional. Em um contexto marcado por juros elevados e crédito mais restrito, o consumidor brasileiro passou a rever sua estratégia de compra. Se antes o financiamento era o principal caminho para o consumo, hoje cresce a procura por alternativas que combinem organização financeira, previsibilidade e menor custo total. É aqui que o consórcio de serviços ganha protagonismo. Uma pesquisa divulgada em abril, pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), e realizada junto às empresas associadas que atuam neste segmento, revelou como os créditos disponibilizados aos consorciados contemplados vêm sendo utilizados no Brasil. Entre os principais destinos dos recursos, as reformas residenciais lideraram com 46,4% das utilizações. Em seguida vieram os procedimentos estéticos e cirurgias plásticas, incluindo lipoaspiração, transplante capilar e outros tratamentos, com 11%, enquanto festas e eventos responderam por 7,4%. O levantamento também apontou crescimento no uso do consórcio de serviços para turismo e viagens, com 3,3%, além de outros serviços na área médica, como odontologia e oftalmologia, que somaram 2,4%. Já os créditos dedicados à área de educação representaram 1,9%. A flexibilidade desta categoria também ficou evidente na diversidade de aplicações. O perfil dos participantes ativos também demonstrou a ampla adesão do modelo entre pessoas físicas, que representam 85,2% dos consorciados, divididos entre 44,4% de homens e 40,8% de mulheres. Essa mudança no comportamento do consumidor reflete uma transformação cultural importante: o consumo deixa de ser apenas material e passa a incorporar experiências, bem-estar e crescimento pessoal. Ao optar pela modalidade, o consumidor substitui o imediatismo, muitas vezes associado ao endividamento, por um modelo baseado em planejamento estratégico. As parcelas funcionam como um compromisso mensal que ajuda na organização do orçamento e permite atingir metas sem recorrer aos juros elevados do crédito tradicional. A expansão do consórcio de serviços também demonstra o amadurecimento do próprio setor. As administradoras passaram a atender soluções mais versáteis, adaptadas aos diferentes perfis de clientes e objetivos. Nesse cenário, o produto deixa de ser apenas uma opção ao crédito tradicional e passa a ocupar um papel de facilitador para a realização de projetos de vida. Afinal, em um mundo cada vez mais acelerado, talvez o verdadeiro diferencial não seja consumir mais rápido, mas consumir melhor, com estratégia e planejamento. * Tatiana Schuchovsky Reichmann é administradora, especializada em gestão empresarial e CEO da Ademicon. Com 30 anos de atuação na empresa, lidera atualmente uma equipe de 460 colaboradores e 16 mil consultores de venda em todo o Brasil. Acredita que o consórcio é um meio de democratizar o acesso ao crédito e uma ferramenta de planejamento financeiro. |
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