No Panamá, uma comunidade indígena está redefinindo a forma como o turismo funciona ao assumir total controle sobre a atividade. Na Cachoeira Klosay, toda a experiência é gerida pelo povo Ngäbe-Buglé, criando um modelo relevante no qual o turismo beneficia diretamente quem vive e pertence ao território.
A Cachoeira Klosay é uma impressionante queda d’água cercada por floresta tropical preservada, localizada na comarca indígena Ngäbe-Buglé, entre as províncias de Chiriquí e Bocas del Toro. Ali, as atividades turísticas são administradas integralmente pela comunidade local por meio do Projeto de Ecoturismo Klosay, onde os turistas podem reservar experiências guiadas para explorar a cachoeira enquanto conhecem a rica cultura indígena da região com guias locais.
A secretaria de turismo do Panamá apoia iniciativas como essa, garantindo que a receita gerada permaneça na região e chegue diretamente às comunidades envolvidas. Esse modelo também contribui para a preservação da biodiversidade local, um trabalho conduzido por moradores que vivem próximos à cachoeira há gerações.
O que começou como uma pequena iniciativa comunitária em um lugar pouco visitado se transformou em um verdadeiro exemplo de turismo regenerativo, onde conservação, preservação cultural e autonomia econômica caminham juntas.
Reservar uma experiência com o Projeto de Ecoturismo Klosay
Guiados por membros da comunidade, os visitantes percorrem trilhas na floresta, aprendem sobre plantas medicinais e compartilham refeições baseadas em tradições locais. Mais do que um destino cênico, Klosay se consolida como um exemplo concreto de turismo regenerativo na prática, onde conservação, cultura e independência econômica se conectam.
Em um momento em que destinos ao redor do mundo buscam formas de fazer com que o turismo gere benefícios e não impactos negativos para as comunidades locais, a história do Projeto de Ecoturismo Klosay se destaca como um exemplo real desse modelo em funcionamento.
O Panamá, por sua vez, vem se posicionando cada vez mais como um dos principais destinos de turismo regenerativo na América Central.
Turismo noturno no Panamá: bioluminescência, safáris e desova de tartarugas
Enquanto a maioria dos turistas conhece os destinos durante o dia, o Panamá apresenta um mundo completamente diferente após o anoitecer.
De acordo com as tendências de viagem do Booking.com, “os viajantes estão cada vez mais interessados em atividades que promovam uma conexão profunda e uma observação mais próxima do ambiente natural.”
O Panamá se destaca por sua capacidade de oferecer experiências em meio à natureza que convidam o visitante a desacelerar e se conectar de forma mais intensa com o mundo natural, especialmente depois que o sol se põe.
Com uma localização privilegiada, com acesso tanto ao Caribe quanto ao Pacífico, e uma biodiversidade extraordinária concentrada em uma distância relativamente curta, o Panamá oferece uma rara diversidade de ecossistemas que ganham vida à noite. De águas bioluminescentes à desova de tartarugas ao entardecer e safáris em florestas tropicais sob as estrelas, o país vem se consolidando como um destino promissor para o “turismo noturno”, experiências de viagem desenhadas em torno da magia da noite.
Alguns exemplos de atividades naturais noturnas no Panamá incluem:
Conservação e observação de tartarugas marinhas: em praias protegidas de ambas as costas, os turistas podem presenciar a tartaruga-de-pente e a tartaruga-gigante desovando com o acompanhamento de guias locais autorizados, transformando a noite em uma incrível experiência de preservação da vida selvagem e educação ambiental. Um dos locais preferidos dos visitantes é o Refúgio de Vida Silvestre de Isla Cañas, na costa do Pacífico.
Ali, é possível observar o fenômeno da “Arribada”, quando centenas ou milhares de tartarugas-oliva chegam para desovar, geralmente durante a lua nova entre julho e novembro. Esse evento raro ocorre em apenas 14 praias no mundo (duas delas no Panamá, Marinera e Isla Cañas) e acontece apenas algumas noites por ano. Apesar de ser imprevisível, pode reunir até 9.000 tartarugas em uma única noite.
Exploração da vida selvagem noturna em parques nacionais: caminhadas guiadas à noite em locais como o Parque Nacional Portobelo e Parque Marinho Nacional Ilha Bastimentos revelam espécies raramente vistas durante o dia, incluindo preguiças, jupará-verdadeiro, macacos noturnos, jacarés e rãs arborícolas que emergem após o pôr do sol.
O Parque Nacional Soberanía também oferece trilhas noturnas próximas à Cidade do Panamá, no Rainforest Discovery Center, onde os visitantes podem observar sapos, morcegos, insetos, corujas e outras surpresas desse universo noturno.
Mergulho noturno no Caribe e no Pacífico: poucos destinos permitem vivenciar dois ecossistemas marinhos completamente distintos, de dia e à noite, em uma mesma viagem.
A posição única do Panamá entre o Mar do Caribe e o Oceano Pacífico cria ambientes subaquáticos muito diferentes, que ganham uma nova perspectiva após o anoitecer. No Caribe, as águas calmas e ricas em recifes revelam um cenário noturno mais íntimo, com corais fluorescentes e espécies menores como polvos, lagostas e peixes-papagaio dormindo.
Já no Pacífico, o ambiente é mais dinâmico, com correntes ricas em nutrientes que proporcionam encontros com vida marinha de maior porte e comportamentos de alimentação mais intensos. Mergulhadores certificados podem acessar pontos em ambas as costas para comparar esses ecossistemas.
Um destaque é o Parque Nacional Coiba, Patrimônio Mundial da UNESCO na costa do Pacífico, frequentemente descrito como um laboratório vivo de evolução devido à sua biodiversidade intocada. Optar por um mergulho noturno ali oferece uma experiência rara de um dos ambientes marinhos mais preservados e menos explorados da região.
Bioluminescência em Bocas del Toro: nas águas de Bocas del Toro, microrganismos criam flashes azuis luminosos que iluminam o mar a cada movimento, proporcionando uma experiência única de beleza natural e exploração noturna imersiva. Diversos passeios noturnos guiados combinam navegação, snorkeling e até mergulho livre para vivenciar a bioluminescência de perto.
Os visitantes podem explorar canais de mangue de barco antes de entrar na água e observar trilhas de luz se formando ao redor do corpo. Algumas experiências utilizam embarcações com fundo transparente, permitindo observar peixes e o brilho bioluminescente diretamente sob os pés.
Com os turistas buscando cada vez mais experiências tranquilas e conectadas à natureza, o Panamá surge como um destino onde alguns dos momentos mais memoráveis começam após o anoitecer, com uma biodiversidade que vai muito além da luz do dia.
Panamá reúne três Patrimônios Mundiais da UNESCO em um único circuito histórico
Panamá, com pouco menos de 72.000 km² de território, oferece uma das concentrações mais densas de Patrimônios Mundiais da UNESCO facilmente acessíveis a partir da Cidade do Panamá. Com a inscrição em 2025 da Rota Colonial Transístmica, agora oficialmente reconhecida pela UNESCO, este é o momento perfeito para destacar o Circuito Histórico do Panamá: três locais interconectados que juntos traçam um caminho histórico de comércio, cultura e conquista.
No Panamá, é possível fazer uma viagem das ruínas do século XVI e das fortalezas caribenhas até trilhas na selva usadas antigamente para transportar ouro, prata e mercadorias – um circuito convidativo para turistas em busca de ricas histórias.
- Rota Colonial Transístmica (2025): Do Pacífico ao Caribe, este corredor recém-reconhecido liga a capital Cidade do Panamá, Panamá Viejo e Casco Antiguo, com Portobelo e San Lorenzo, no Caribe, através de trilhas na selva como o Camino de Cruces, que inclui trechos por terra, rio e mar; e o Camino Real, que é 100% terrestre. Os viajantes podem percorrer rotas comerciais centenárias, antes percorridas por piratas, em caminhadas e explorações repletas de história e conexão cultural.
- Fortificações do Lado Caribenho do Panamá – Portobelo–San Lorenzo (1980): Conheça o legado colonial do Panamá em Portobelo e San Lorenzo, onde os visitantes podem explorar fortes alinhados com canhões e apreciar vistas deslumbrantes do Mar do Caribe que se estende até o Canal do Panamá.
- Essas fortalezas costeiras, que já estiveram entre os portos comerciais mais importantes da Coroa Espanhola, são exemplos extraordinários de arquitetura militar colonial e revelam uma história marcada pela pirataria dos séculos XVII e XVIII, defesa estratégica e comércio transatlântico.
- Portobelo também é um centro da cultura Congo, trazida por africanos escravizados da África Central.
- Hoje, esse patrimônio resiliente continua vivo através de danças tradicionais, música e rituais espirituais, reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
- Sítio Arqueológico de Panamá Viejo & Casco Antiguo (1997): Fundado em 1519, o Panamá Viejo marca o primeiro assentamento europeu na costa do Pacífico das Américas, mais tarde destruído pelo pirata Henry Morgan em 1671.
- Suas ruínas evocativas convidam os turistas a explorar a antiga torre da catedral com vista para a cidade moderna, paredes de conventos e fundações coloniais, oferecendo uma amostra tangível da história inicial do Panamá, complementada por visitas ao Museu de Panamá Viejo e compras de produtos locais no Centro Artesanal.
- A cidade foi posteriormente realocada para o atual Casco Antiguo, um distrito da era colonial que se transformou em um pulsante centro de cultura, arquitetura e entretenimento. Os turistas podem vivenciar ambos em um único dia: caminhando entre as pedras silenciosas de Panamá Viejo pela manhã e explorando as ruas coloridas e edifícios restaurados do Casco Antiguo à tarde.
- Casco Antiguo é um centro gastronômico no coração da Cidade do Panamá. Reconhecido pela UNESCO como Cidade Criativa da Gastronomia, é possível passear por suas ruas encantadoras e admirar a mistura marcante de arquitetura neoclássica, espanhola e francesa.
Reconhecimento mais amplo do Panamá pela UNESCO
O compromisso do Panamá com a preservação de seu patrimônio vai além do Circuito Histórico e inclui: - Áreas Naturais: O Parque Nacional Darién, o Parque Nacional Coiba e o Parque Internacional La Amistad destacam seu papel como ponte de biodiversidade entre continentes.
- Patrimônio Cultural Imaterial: Expressões celebradas incluem a tradição de tecelagem do Sombrero Pinta’o (2017), os rituais da cultura Congo (2018) e as danças de Corpus Christi (2021).
- Rede de Cidades Criativas da UNESCO (UCCN): A Cidade do Panamá foi designada Cidade Criativa da Gastronomia em 2017.





