Em território de transição entre Cerrado e Mata Atlântica, terminal mineiro mantém áreas preservadas, monitora a fauna e opera corredor ecológico que reduziu em 83% os atropelamentos de animais silvestres
Belo Horizonte, maio de 2026 – Apenas 24% da cobertura florestal original da Mata Atlântica está mantida no Brasil.
Deste total, 12,4% correspondem a florestas maduras e bem preservadas. Os dados do MapBiomas revelam um percentual abaixo do limite mínimo considerado seguro para a preservação da biodiversidade, dos recursos naturais e do equilíbrio ambiental no país.
Em contraponto a esse cenário desafiador, os estudos mais recentes do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica apresentam um sinal positivo: o desmatamento do bioma caiu 28% em 2025, na comparação com 2024, passando de 53.303 hectares para 38.385 hectares, no menor nível da série histórica do sistema.
O panorama reforça a importância de ações permanentes de monitoramento, conservação e engajamento coletivo em defesa de um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do planeta.
Localizado em uma área de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica, o BH Airport preserva mais de 310 hectares de Reserva Legal, cerca de 790 hectares de Remanescente de Vegetação Nativa, bem como mais de 97 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP).
É nesse cenário que são desenvolvidas ações de conservação, monitoramento ambiental e proteção da fauna em um dos trechos ambientalmente mais sensíveis da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Patrimônio natural e corredor ecológico
A região da Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa, onde o BH Airport está inserido, reúne características únicas do ponto de vista ambiental e científico.
O sistema cárstico local, formado por rochas solúveis, abriga cavernas, dolinas (depressões no solo) e aquíferos subterrâneos essenciais para a preservação da biodiversidade e para o abastecimento hídrico.
A área também guarda vestígios de megafauna extinta e de povos pré-históricos, fundamentais para a compreensão da história natural e humana da região e do continente americano.
Foi ali, a aproximadamente 3 quilômetros da pista do terminal mineiro, que foi encontrado o fóssil humano mais antigo das Américas, conhecido como Luzia, descoberta que ajudou a reposicionar debates sobre a origem e a migração dos primeiros habitantes do continente.
Entre as ações de preservação mantidas pelo BH Airport está a Passagem de Fauna, localizada sob a rodovia LMG-800, principal acesso ao terminal.
A estrutura, com aproximadamente 2 metros de altura e 60 metros de comprimento, conecta dois importantes fragmentos florestais e funciona como um corredor ecológico para a travessia segura de animais silvestres na APA Carste.
Desde 2023, 16 espécies já foram identificadas utilizando a travessia subterrânea, entre elas tamanduá-mirim, veado-catingueiro, irara, ouriço-cacheiro, quati, jaguatirica, cachorro-do-mato, furão, tatu, gambás, capivara, tapiti, morcego e paca, animais típicos dos biomas Mata Atlântica e Cerrado, alguns classificados como ameaçados ou vulneráveis à extinção.
O monitoramento é realizado pela equipe de manejo da fauna silvestre do BH Airport, por meio de armadilhas fotográficas, que captam imagens e vídeos dos animais durante a passagem e geram dados utilizados como subsídio para pesquisas e estudos científicos.
Além de favorecer a circulação da fauna entre fragmentos florestais, a estrutura também trouxe impacto direto para a segurança viária: nos dois primeiros anos de acompanhamento, foi observada uma redução de aproximadamente 83% nos atropelamentos de animais silvestres ao longo da rodovia.
Reconhecimento internacional e compromisso ambiental
Pelo quinto ano consecutivo, o BH Airport foi reconhecido como Aeroporto Verde pelo ACI-LAC (Airports Council International – Latin America & Caribbean). Na edição 2025 do Green Airport Recognition, o projeto Passagem de Fauna foi premiado durante a Conferência e Exposição Anual do Conselho Internacional de Aeroportos, consolidando o terminal mineiro como referência em práticas ambientais voltadas à biodiversidade.
“Conectamos a pauta ambiental à operação, trazendo soluções para criar um ecossistema de proteção e conservação do patrimônio natural, reforçando o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável. Seguimos defendendo a causa da Mata Atlântica, buscando que essas áreas continuem preservadas e cumprindo plenamente a função ecológica”, ressalta o gestor de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves.
Sobre o Aeroporto BH
Com localização estratégica e um dos principais hubs do país, o BH Airport atende cerca de 70 destinos nacionais e internacionais.
Desde 2014, o aeroporto é administrado por uma concessão, formada pela Motiva, uma das maiores companhias de concessão de infraestrutura da América Latina, e por Zurich Airport, operador do Aeroporto de Zurich, o principal hub aéreo da Suíça e considerado um dos melhores aeroportos do mundo, além da Infraero, estatal com experiência de mais de 50 anos na gestão de aeroportos no Brasil.






