Conventos, fortalezas, igrejas centenárias e ruas históricas do arquipélago baiano revela experiências que unem o turismo histórico ao turismo de praia
Cairu, maio de 2026 – Muito além das paisagens paradisíacas de Morro de São Paulo e Boipeba, o arquipélago de Cairu guarda um lado ainda pouco explorado por muitos viajantes: um dos conjuntos históricos e culturais mais ricos do litoral brasileiro. Entre igrejas erguidas há mais de quatro séculos, conventos coloniais, fortalezas militares e vilas preservadas pelo tempo, o destino baiano se consolida também como uma experiência de turismo histórico e cultural.
Formado por 26 ilhas, Cairu é considerado o único município-arquipélago do Brasil e reúne heranças da colonização portuguesa, tradições afro-indígenas e cenários que ajudam a contar capítulos importantes da formação histórica do país. Caminhar pelas ruas estreitas da sede histórica, observar casarões antigos e visitar construções erguidas entre os séculos XVII e XVIII é como percorrer um museu a céu aberto cercado pelo mar da Costa do Dendê.
A experiência histórica começa na Cidade Alta de Cairu, onde o visitante encontra ruas de pedra, ladeiras coloniais e construções religiosas que permanecem preservadas há séculos. Ali está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, cuja construção começou em 1610 e que hoje é considerada um dos símbolos históricos mais importantes do arquipélago.
Legenda: Memorial de Nossa Senhora do Rosário, dentro da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, reúne acervo raro de peças produzidas entre os séculos XVI e XIX. (Crédito: Prefeitura Municipal de Cairu)
Além da arquitetura colonial portuguesa, a igreja abriga o Memorial de Nossa Senhora do Rosário, um museu de arte sacra com peças produzidas entre os séculos XVI e XIX. Imagens religiosas esculpidas em barro, madeira e gesso ajudam a revelar a influência da fé católica na ocupação da região e oferecem ao visitante uma imersão na memória cultural do litoral baiano.
O entorno da igreja reforça a sensação de retorno ao passado. Casarões antigos, caminhos de pedra e o silêncio das ruas históricas criam uma atmosfera que contrasta com o ritmo acelerado dos grandes centros urbanos e aproxima visitantes de um Brasil colonial ainda vivo na paisagem.
Convento de Santo Antônio: um mirante natural do arquipélago
Legenda: vista panorâmica da orla de Cairu onde está a Igreja e o Convento de Santo Antônio, em Boipeba. (Crédito: Marcos Sandes)
Outro ponto que atrai olhares de viajantes interessados em patrimônio histórico é a Igreja e Convento de Santo Antônio. Construído a partir de 1654 e tombado pelo IPHAN em 1941, o conjunto franciscano ocupa uma posição privilegiada na Cidade Alta e oferece vista panorâmica para o arquipélago. Parte das pedras utilizadas na construção teria sido transportada por embarcações entre as ilhas, revelando a complexidade logística da época colonial.
O conjunto preserva características marcantes da arquitetura franciscana portuguesa, com fachada sóbria, corredores internos, claustros, escadarias e detalhes em pedra trabalhada que atravessaram séculos. Em seu interior, o convento também abriga elementos artísticos e religiosos históricos, incluindo imagens sacras, altares e estruturas originais preservadas desde o período colonial.
Outro diferencial é a atmosfera silenciosa e contemplativa do espaço, cercado por ruas estreitas e antigas construções que ajudam a transportar visitantes para os primeiros séculos da colonização brasileira. A vista panorâmica do alto do convento se tornou um dos cenários mais emblemáticos da sede histórica de Cairu, unindo patrimônio histórico e paisagem natural em um mesmo lugar.
O local também ajuda a contar a influência da ordem franciscana na formação cultural e religiosa do litoral baiano, reforçando o papel de Cairu como um importante núcleo histórico do Brasil colonial.
Fortaleza do Morro de São Paulo ou Fortaleza de Tapirandu
Legenda: Vista aérea da Fortaleza de Tapirandu em Morro de São Paulo, um dos mais importantes monumentos militares do Brasil. (Crédito Alexi Lemoni)
Já em Morro de São Paulo, o turismo histórico encontra o cenário marítimo na Fortaleza de Tapirandu, um dos mais importantes monumentos militares históricos do Brasil. Construída a partir de 1630 para proteger a costa contra invasões estrangeiras, a fortaleza preserva cerca de 678 metros de muralhas voltadas para o mar e oferece uma das vistas mais emblemáticas do arquipélago.
Percorrer os caminhos históricos da fortaleza, observar antigos canhões e acompanhar o pôr do sol entre muralhas centenárias se tornou uma experiência que conecta patrimônio, paisagem e memória histórica em um mesmo roteiro. Além das muralhas, o espaço abriga remanescentes de antigos sistemas defensivos, guaritas, canhões históricos e estruturas que ajudam a contar como funcionava a proteção do litoral brasileiro durante o período colonial.
Atualmente, a fortaleza também se tornou um dos principais pontos turísticos de Morro de São Paulo, reunindo patrimônio histórico e uma das vistas panorâmicas mais conhecidas do arquipélago. O local é especialmente procurado no fim da tarde, quando visitantes acompanham o pôr do sol sobre o mar a partir das muralhas centenárias.
Próximo à Fortaleza, ainda existem caminhos históricos e áreas que remetem à antiga ocupação colonial da ilha, criando um contraste entre o passado militar da região e o cenário paradisíaco que hoje atrai turistas de diferentes partes do mundo.
Um farol admirado por Dom Pedro II
Legenda: Construído no século XIX, o Farol do Morro permanece como um dos símbolos históricos e visuais mais marcantes de Morro de São Paulo. Hoje associado ao turismo e ao pôr do sol, o local já teve papel essencial na orientação marítima da costa baiana. (Crédito Alexi Lemoni)
Outro ícone histórico de Morro de São Paulo é o Farol do Morro, construído em 1855 para auxiliar a navegação marítima na costa baiana. Localizado em uma das áreas mais altas da ilha, o farol se tornou um dos cartões-postais mais conhecidos do arquipélago e integra o cenário histórico formado pela Fortaleza de Tapirandu e pelas antigas rotas marítimas da região.
Além da importância para a navegação durante o período imperial, o local também oferece uma das vistas panorâmicas mais procuradas por visitantes, especialmente no fim da tarde, quando o pôr do sol transforma o mirante em um dos pontos imperdíveis de Morro de São Paulo.
O farol também carrega registros ligados à visita de Dom Pedro II à ilha, em 1859. Em anotações de seu diário, o imperador descreveu a estrutura como um farol “de primeira classe”, demonstrando admiração pela importância e pela modernidade do equipamento de navegação para a época.
O acesso ao farol acontece por caminhos cercados por vegetação e antigos percursos da vila, permitindo ao visitante uma experiência que mistura natureza, patrimônio histórico e contemplação da paisagem costeira do arquipélago.
Cairu: cultura, descobertas e memórias
Legenda: Grupo Zambiapunga em desfile que retrata bem a cultura africana presente no estado da Bahia. A manifestação artística é considerada Patrimônio Cultural da Bahia e se espalhou pela Costa do Dendê. Fonte: livro Tinharé, Antônio Risério, 2003..
Mas o turismo cultural de Cairu vai além das construções coloniais. A identidade histórica do arquipélago também se revela nas tradições preservadas pelas comunidades locais. Festas religiosas, procissões marítimas, samba de roda, manifestações populares como a Chegança (dança e auto popular do folclore brasileiro) e os Congos de Cairu (manifestação cultural, folclórica e religiosa centenária, exclusiva do município-arquipélago), além da forte relação das vilas com a pesca artesanal e os saberes passados entre gerações, ajudam a manter viva a herança afro-indígena e portuguesa da região.
Em vilas históricas como Cairu e Boipeba, o ritmo desacelerado, as ruas de areia e a ausência de automóveis em diversos trechos tornam a experiência ainda mais autêntica para viajantes que buscam conexões culturais, história e vivências locais.
Além da gastronomia típica marcada por sabores do litoral baiano, pratos tradicionais como moquecas de peixe e polvo, lambreta ao molho, siri catado, arroz de polvo, ensopados preparados com leite de coco e azeite de dendê, além de cocadas e beijus artesanais, ajudam a reforçar a identidade cultural do arquipélago. O artesanato produzido por moradores das ilhas e os festejos populares completam a experiência cultural do destino.
Entre igrejas centenárias, fortalezas à beira-mar e ruas coloniais cercadas por natureza exuberante, Cairu revela ao turismo brasileiro um convite para desacelerar e descobrir um lado histórico da Bahia ainda pouco conhecido.
O arquipélago de Cairu reúne elementos raros no turismo brasileiro: patrimônio histórico preservado, cultura viva, tradições centenárias e natureza exuberante convivendo no mesmo território. Mais do que um destino de praia, a região oferece experiências conectadas à história, à cultura e à identidade do litoral baiano.
A valorização desse patrimônio faz parte das ações apoiadas pela ACEC – Associação Comercial e Empresarial de Cairu, entidade que atua no fortalecimento do turismo, do empreendedorismo local e do desenvolvimento econômico sustentável deste importante destino turístico brasileiro.
Como chegar ao arquipélago-município Cairu?
Chegar ao arquipélago baiano de Cairu é mais simples do que muitos imaginam. O acesso pode ser feito a partir de Salvador, com diferentes opções de trajeto que combinam transfer terrestre e marítimo, além de voos regionais e catamarãs regulares. Uma das formas é o traslado semi-terrestre, que une trecho de carro e travessias de lancha, com duração média de 3h a 4h. O mais rápido é o catamarã direto, saindo do Terminal Náutico da Bahia, que leva cerca de 2h30 a 3h, proporcionando uma chegada ao destino com a possibilidade de contemplar belas paisagens do litoral baiano.
Para quem parte de outras regiões do Brasil, o Aeroporto Internacional de Salvador concentra os principais acessos ao destino, tornando Cairu uma opção prática para quem deseja vivenciar praias paradisíacas, clima tropical e experiências autênticas em um dos cenários mais encantadores da Bahia.
Sobre a ACEC
A Associação Comercial e Empresarial de Cairu (ACEC) atua no fortalecimento do turismo e do desenvolvimento econômico do arquipélago de Cairu, reunindo empresários e empreendedores de diferentes segmentos ligados ao setor turístico.
À frente do evento Workshop Visite Morro, a associação tem foco na promoção do destino, desenvolvendo iniciativas voltadas à valorização da região, qualificação do setor, fortalecimento da economia local e integração entre iniciativa privada, poder público e comunidade.






