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sábado, abril 25, 2026
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Brasil é o sétimo país de origem de turistas corporativos nos Estados Unidos

*Luiz Moura

O Brasil é o 7º maior país de origem de viajantes corporativos para os Estados Unidos, à frente da França e da Itália, segundo levantamento que acaba de ser publicado pela Booking.com. Em um ranking onde os dez primeiros países respondem por quase dois terços de todo o tráfego internacional de negócios para os EUA, essa posição não é detalhe. É uma declaração sobre o peso do Brasil no cenário global de business travel.

Os dez países que lideram esse ranking respondem por 64% de todas as visitas internacionais de negócios ao país. A Índia lidera, com 10% do total. O Reino Unido vem em seguida, com 9,6%. A China, com 9,5%, reflete o tamanho das cadeias produtivas que conectam as duas maiores economias do mundo. O Brasil, em 7º lugar, divide esse espaço com países de longa tradição comercial com os EUA e infraestruturas corporativas muito mais consolidadas. Isso não aconteceu por acaso. É resultado de décadas de construção de relações comerciais, da presença crescente de multinacionais no Brasil e da expansão de empresas brasileiras com operações ou parcerias nos Estados Unidos.

Quem viaja com frequência aos EUA, a trabalho ou a lazer, reconhece algo que é difícil de articular na primeira vez, mas que se confirma em cada visita. A infraestrutura turística americana é de outro nível. Não porque os atrativos sejam superiores aos de outros países. Mas porque a comodidade da vida cotidiana americana transborda naturalmente para a experiência do visitante. Estruturas de mobilidade, serviços, comunicação e orientação aos turistas (nacionais e internacionais, vale a pena reforçar) saltam aos olhos.

Além disso, é admirável a capacidade de absorver grandes volumes de pessoas sem que isso vire caos. Eventos de escala global raramente se tornam problemas operacionais visíveis. É algo que o Brasil e algumas cidades europeias, Barcelona e a pitoresca Vila de Hallstatt, na Áustria, são exemplos recorrentes, ainda têm muito a aprender.

Para o viajante corporativo, essa infraestrutura não é apenas conforto. É eficiência operacional. Chegar, deslocar-se, reunir-se e partir sem fricção é um diferencial que impacta diretamente a produtividade de quem viaja a negócios.

Por anos, o roteiro corporativo nos EUA seguiu uma lógica previsível. Nova York para finanças e serviços profissionais, com 17% de todas as visitas internacionais de negócios ao país. Los Angeles para o comércio com a Ásia-Pacífico, com 13,8%. San Francisco, com 10,8%, sustentada pela proximidade com o Vale do Silício. Esse mapa ainda é válido. Mas está mudando.

No Texas, Austin se consolidou como um dos destinos corporativos de maior crescimento dos EUA. A migração de grandes empresas de tecnologia que deixaram a Califórnia em busca de menor carga tributária e custo operacional acelerou esse movimento. Tesla, Oracle e várias outras transferiram sedes ou expandiram operações significativas para o estado. Austin deixou de ser destino de nicho. Virou pauta recorrente de agenda corporativa.

A Flórida segue um movimento parecido, mas com uma lógica geopolítica própria. Miami concentra 10,6% de todas as visitas internacionais de negócios aos EUA e funciona como ponto de conexão natural entre o mercado americano, a América Latina e o Caribe. Nos últimos anos, o Brickell consolidou sua posição como o principal distrito financeiro da América Latina, atraindo sedes de grandes gestoras globais como Citadel e Blackstone, que deixaram Chicago e Nova York em busca de ambiente tributário mais favorável e posição geográfica estratégica entre dois hemisférios.

Orlando, frequentemente associada ao turismo de lazer, revela uma face corporativa que poucos ainda enxergam com clareza. A cidade é hoje o terceiro maior polo de convenções e eventos corporativos dos Estados Unidos, atrás apenas de Las Vegas e Chicago. Eventos corporativos e viagens corporativas são faces da mesma moeda, e Orlando tem se consolidado como um dos destinos mais relevantes para quem precisa reunir equipes, parceiros e clientes em escala.

Essa demanda crescente tem respaldo na oferta aérea. O acordo de céus abertos assinado entre Brasil e EUA em 2021 expandiu significativamente a liberdade operacional das companhias aéreas entre os dois países. O resultado é visível: em 2025, o Brasil registrou crescimento de 9% na capacidade de assentos para os EUA, liderando o aumento de conectividade aérea na América do Sul, que somou quase 800 voos semanais diretos entre os dois países, com operações de LATAM, Gol, American Airlines e United. Infraestrutura existe. Demanda existe. Conectividade cresce.

O 7º lugar no ranking de origem de viajantes corporativos para os EUA confirma o peso do Brasil no cenário global de business travel. O 10º lugar no ranking mundial de consumo em viagens corporativas reforça essa leitura. Mas o Brasil ainda convive com programas de viagens subgerenciados, políticas desatualizadas e adoção de tecnologia muito abaixo do seu potencial. Transformar esse volume de deslocamentos em programas mais inteligentes, mais eficientes e mais estratégicos é a conversa que o mercado brasileiro precisa ter com mais seriedade. A posição no ranking confirma o que o Brasil já é. O que vem a seguir depende do que decidimos fazer com o que temos.

*Luiz Moura é especialista em turismo corporativo, membro do Conselho de Turismo da FecomércioSP e do Conselho Executivo da Alagev, além de co-fundador e Diretor de Negócios da VOLL – maior plataforma de gestão de viagens e despesas corporativas da América Latina.

Sobre Luiz Moura

Luiz Moura é empreendedor com mais de 20 anos de atuação na interseção entre turismo e tecnologia. É co-fundador e Diretor de Negócios da VOLL, maior plataforma mobile-first de gestão de viagens e despesas corporativas da América Latina, além de uma referência no desenvolvimento do setor de viagens corporativas.

Especialista em Marketing pela Fundação Dom Cabral, ocupa cadeiras no Conselho de Turismo da FecomércioSP e no Conselho Executivo da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). Viajante frequente e observador atento do comportamento humano em movimento, escreve e fala sobre inovação, transformação digital, liderança empreendedora e o futuro das viagens corporativas.

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