Conflito afeta combustível, obriga mudanças de rotas e reduz previsibilidade em um dos setores mais sensíveis a choques geopolíticos
Por conta da ofensiva militar comandada pelos Estados Unidos, com apoio de Israel, contra o Irã, desde março de 2026, as tensões no espaço aéreo se intensificaram.
O conflito tem impactado a aviação global em três frentes principais: combustível, rotas e risco. A alta do petróleo, que encarece o querosene de aviação (QAV), a elevação dos custos operacionais com desvios de trajetos para evitar áreas de risco e a maior instabilidade em um setor altamente dependente de previsibilidade estão entre os principais efeitos.
Atualmente, muitas companhias reduziram suas operações no Oriente Médio devido às restrições impostas após os ataques nucleares, enquanto o preço do QAV registrou forte alta nas últimas semanas.
Como o combustível é um dos principais componentes de custo das aéreas, representando entre 25% e 30% das despesas operacionais, com projeções que apontam para 45% até 2050, segundo a International Air Transport Association (IATA), choques geopolíticos que pressionam o petróleo impactam diretamente o setor.
Apesar de o combustível ser um dos principais vetores de pressão, ele não é o único fator que determina o preço final das passagens.
Seu impacto ocorre em conjunto com outros custos e com a dinâmica comercial de cada rota, incluindo câmbio, oferta e demanda, taxa de ocupação, capacidade disponível, manutenção, leasing de aeronaves e até restrições de espaço aéreo.
De acordo com o que a IATA destaca, a volatilidade dos preços continua a superar a inflação, o que reduz o tempo de adaptação comercial. Em rotas internacionais longas, especialmente em regiões diretamente afetadas ou em períodos de demanda aquecida, esse tipo de choque tende a ser mais intenso e acelerado.
Segundo Rodrigo Possatto, Diretor de Sourcing de Aéreo na Onfly, o repasse desses custos para os passageiros nem sempre é imediato. “A transferência tende a ser gradual porque as companhias têm mecanismos de gestão, como política comercial, ajustes de inventário, revisão de rendimento e, em alguns mercados, proteção de combustível. Além disso, parte das tarifas já emitidas foi vendida antes do choque e não muda retroativamente”, explica Possatto.
O que muda em relação a outros conflitos recentes
O cenário atual segue a lógica clássica de grandes choques geopolíticos, que combinam alta nos preços de energia, aumento do risco operacional e revisão de rotas.
Uma dinâmica semelhante foi observada, em diferentes intensidades, na guerra da Ucrânia e em tensões no Golfo, especialmente em regiões estratégicas para o petróleo e a conectividade aérea.
A diferença, agora, está no peso do Oriente Médio, tanto para o abastecimento energético quanto para corredores aéreos internacionais. “Quando a tensão encosta em infraestrutura energética e em hubs relevantes da região, o impacto tende a ser mais sensível para o setor. Hoje já há suspensão de voos, redução de operação de companhias aéreas e pressão mais intensa sobre o QAV, o que reforça esse paralelo com outros momentos de choque, mas com potencial de alcance global maior, caso a crise se prolongue”, pontua Rodrigo.
Caso a tensão se estenda, a tendência é de pressão de alta nas tarifas, sobretudo em voos internacionais e em mercados mais expostos ao custo de combustível e à reorganização de malha. Isso não significa aumentos uniformes, já que cada companhia adota estratégias comerciais distintas, mas o viés é de encarecimento.
“A intensidade desse movimento deve depender de três fatores principais: a duração do conflito, o nível de pressão sobre petróleo e QAV e o grau de restrição do espaço aéreo, com consequentes desvios de rota. Mantidas essas variáveis, o cenário mais provável para os próximos meses é de tarifas mais elevadas, menor previsibilidade e empresas reforçando o planejamento e a antecedência de compra para aproveitar melhores janelas de preço”, comenta Rodrigo.
Sobre a Onfly
A Onfly é a maior travel tech B2B da América Latina, com mais de 2.500 clientes que utilizam a plataforma para uma completa gestão de viagens e despesas corporativas.
A companhia ajuda empresas de todos os tamanhos a melhorar seus processos de viagens com uma plataforma tecnológica exclusiva que contribui para redução de custos e transparência dos gastos, desde a despesa do café do aeroporto até passagem aérea, hotel, carro e ônibus. Para os colaboradores, a plataforma permite que uma reserva de viagem e relatório de despesa possam ser realizados em apenas alguns minutos.
Em 2023, a Onfly recebeu um investimento de R$80 milhões em uma rodada liderada pela Left Lane Capital e pela Cloud9 Capital.
Em 2024, a empresa criou a Onfly Corporate, solução voltada para atender clientes enterprise, e no mês de abril de 2025, a travel tech anunciou a captação de R$ 240 milhões em uma rodada de investimento série B liderada pela Tidemark, fundo de venture capital do Vale do Silício que faz seu primeiro aporte na América Latina.
Além de ter tecnologia própria em sua plataforma, a travel tech é pioneira no mercado em ajudar empresas no combate a fraudes, sendo a primeira e única empresa no Brasil a implementar a funcionalidade “spend control” no segmento de viagens corporativas, permitindo que seus clientes possam configurar regras de utilização para cada cartão corporativo.






