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terça-feira, março 10, 2026
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Petróleo em alta pressiona aviação e exige mais planejamento das viagens aéreas

Escalada das tensões no Oriente Médio eleva custos do setor aéreo, o que deve provocar reajustes nas passagens e exigir maior planejamento para quem precisa viajar

A valorização do petróleo no mercado internacional, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, volta a pressionar um dos principais custos da aviação e acende um sinal de alerta para empresas e passageiros. Com o barril acima de US$ 100 e a instabilidade geopolítica afetando expectativas sobre oferta de energia, o setor aéreo passa a conviver com um ambiente de maior incerteza, em que combustíveis mais caros tendem a impactar diretamente a operação das companhias e o preço final das passagens.
Além do impacto direto sobre o querosene de aviação, o momento também aumenta a cautela de empresas e passageiros diante da possibilidade de reajustes graduais nas tarifas. Em um contexto de margens apertadas, a combinação entre petróleo elevado, custos dolarizados e pressão internacional tende a exigir respostas rápidas das companhias aéreas e mais estratégia por parte de quem depende do transporte aéreo para manter agendas de viagens pessoais ou de negócios.
Para Luiz Moura, especialista em turismo corporativo e cofundador da VOLL, maior plataforma de gestão de viagens corporativas da América Latina, o repasse da alta do petróleo para o preço das passagens é um movimento praticamente inevitável se o valor dele continuar em patamares elevados. “Em média, cerca de 30% dos custos da aviação estão relacionados ao combustível. Quando esse insumo sobe no mercado internacional, as companhias aéreas passam a ter pouquíssimo espaço para absorver esse aumento, porque operam com margens muito baixas”, afirma.

Segundo ele, a rentabilidade estreita do setor limita reações mais flexíveis diante da alta de custos. “A margem de uma companhia aérea é muito pequena, perto de 3% a 6%, segundo a McKinsey. É um grande desafio reduzir essa já limitada rentabilidade para compensar a alta do principal insumo da operação. Como consequência, o custo da passagem tende a subir gradualmente, à medida que o preço do barril continua pressionado”, diz.
Moura observa que esse cenário também pode afetar o comportamento das empresas na organização de viagens futuras. “Quando existe a expectativa de aumento de preços, muitos negócios passam a rever o timing de eventos, encontros e deslocamentos de equipes, especialmente em viagens de grupo. Isso pode levar a postergação, reprogramação e, em alguns casos, até cancelamentos, por pressão orçamentária”, explica.
Na avaliação do executivo, o momento não é para ficar pessimista, mas para se preparar com estratégia. “A palavra de ordem, nesse contexto, é planejamento. Se a pessoa ou a empresa já sabem que uma viagem, reunião ou evento vai acontecer, a antecedência na compra passa a ser ainda mais importante. Esperar a tarifa subir para então emitir a passagem significa contratar o mesmo serviço por um custo maior. Em períodos de pressão sobre o combustível, planejar com antecedência deixa de ser uma boa prática e passa a ser uma ferramenta essencial de controle de despesas”, conclui.
Sobre Luiz Moura

Luiz Moura é empreendedor com mais de 20 anos de atuação na interseção entre turismo e tecnologia. É co-fundador e Diretor de Negócios da VOLL, maior plataforma mobile-first de gestão de viagens e despesas corporativas da América Latina, além de uma referência no desenvolvimento do setor de viagens corporativas.
Especialista em Marketing pela Fundação Dom Cabral, ocupa cadeiras no Conselho de Turismo da FecomércioSP e no Conselho Executivo da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). Viajante frequente e observador atento do comportamento humano em movimento, escreve e fala sobre inovação, transformação digital, liderança empreendedora e o futuro das viagens corporativas.

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