Especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz orienta sobre planejamento e atenção aos sinais do ambiente e do corpo
São Paulo, 12 de janeiro de 2026 – Com a chegada do verão e do início do ano, cresce o interesse por atividades ao ar livre, como trilhas, cachoeiras e passeios em áreas naturais. O período de férias, aliado ao calor e à associação do clima quente com banhos de rio e contato com a natureza, faz com que muitas pessoas se aventurem nesses programas. Especialistas, no entanto, alertam que essa época também concentra riscos que precisam ser considerados para garantir bem-estar e segurança.
Uma pesquisa do Ministério do Turismo¹, divulgada em 2024, aponta que o ecoturismo já responde por cerca de 60% do faturamento do turismo de natureza no Brasil, refletindo a preferência crescente dos viajantes por experiências em contato com o meio ambiente.
Segundo a médica clínica geral Dra. Leticia Jacome, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o verão não é, necessariamente, o período mais seguro para trilhas. “As chuvas mais frequentes e intensas deixam o solo instável e encharcado, aumentando o risco de quedas, torções e cansaço excessivo. Além disso, o calor favorece a desidratação e o mal-estar, especialmente em pessoas que não estão acostumadas a esse tipo de esforço”, explica.
Um dos perigos mais graves desse período é a chamada cabeça d’água, fenômeno em que o nível da água sobe de forma rápida após chuvas, formando correntezas intensas em rios e cachoeiras, muitas vezes iniciadas longe do ponto onde a pessoa está.
O risco costuma ser subestimado por pessoas iniciantes no ecoturismo, mas alguns sinais ajudam na identificação dessas situações, como a mudança repentina da cor da água, que fica mais escura, o aumento da força da correnteza, a elevação acelerada do nível do rio e ruídos mais intensos vindos da água. Ao perceber qualquer um desses indícios, a orientação é sair imediatamente da área e buscar locais mais altos e seguros.
Preparação começa antes de sair de casa
O cuidado com o bem-estar começa no planejamento. Roupas leves, confortáveis e adequadas para caminhada ajudam a evitar assaduras e desconforto. Calçados fechados, com boa aderência, são fundamentais para reduzir o risco de escorregões, especialmente em terrenos úmidos. A proteção contra o sol também deve ser prioridade, com uso de protetor solar reaplicado ao longo do dia, boné ou chapéu, além de roupas que protejam braços e pernas, quando possível.
O uso de repelente é outro ponto importante, principalmente em áreas de mata e proximidade de água, onde há maior presença de insetos. “Picadas podem causar reações alérgicas, infecções e transmitir doenças. A prevenção é sempre o melhor caminho”, afirma a médica.
Outro aspecto que costuma ser negligenciado é a ilusão de facilidade criada por trilhas populares ou muito divulgadas nas redes sociais. O fato de um percurso ser conhecido ou amplamente fotografado não significa que ele seja simples ou seguro em qualquer época do ano. Sempre que possível, a orientação é evitar trilhas sozinho e priorizar percursos acompanhados, com pessoas que conheçam o trajeto ou com guias especializados.
Alimentação, hidratação e escuta do corpo
A médica destaca que alimentação e hidratação são pilares para evitar mal-estar durante trilhas. Refeições leves, feitas antes da atividade, ajudam a manter a energia sem sobrecarregar a digestão. Durante o percurso, a ingestão regular de água é essencial, mesmo sem sensação de sede.
“Sintomas como tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea ou cãibras indicam que o corpo está em sobrecarga. Nessas situações, é fundamental interromper a atividade, se hidratar e descansar. Ignorar esses sinais pode levar a quadros mais graves”, reforça.
Noções básicas fazem diferença
Mesmo em trilhas simples, pequenos acidentes podem acontecer. Cortes leves, escoriações, torções e quedas estão entre os problemas mais comuns. Ter noções básicas de primeiros socorros ajuda a lidar melhor com essas situações até que seja possível buscar atendimento adequado.
“Em casos de ferimentos superficiais, o ideal é higienizar o local, comprimir para estancar sangramentos e evitar contato com água de rios ou cachoeiras. Já em suspeita de torção ou fratura, a orientação é imobilizar o membro e evitar continuar a caminhada”, explica a médica.
Alguns itens simples podem ser decisivos para a segurança e o conforto durante o passeio. Lanternas ou luzes de emergência ajudam caso o retorno se estenda além do previsto. Celular carregado, de preferência com bateria extra, facilita pedidos de ajuda. Mochilas adequadas distribuem melhor o peso e reduzem o desgaste físico.
“O início do ano não é proibitivo para trilhas, mas exige escolhas mais conscientes. Optar por percursos curtos, bem conhecidos, evitar trilhas com rios e cachoeiras após períodos de chuva intensa e contar com acompanhamento adequado são atitudes que reduzem riscos”, resume a Dra. Leticia.
Bem-estar também é saber quando recuar
Atividades na natureza são aliadas importantes da saúde, desde que feitas com responsabilidade. Respeitar os limites do corpo, observar o ambiente e não subestimar os riscos são atitudes que garantem que a experiência seja positiva do começo ao fim.
Em situações de tempestades, por exemplo, a recomendação é interromper a caminhada, evitar áreas abertas ou elevadas, afastar-se de corpos d’água e aguardar em local mais seguro até a condição melhorar.
“O lazer não deve ser sinônimo de sofrimento ou perigo. Quando a pessoa se prepara, se informa e escuta o próprio corpo, a trilha cumpre seu papel de promover saúde, prazer e conexão com a natureza”, conclui a médica.
Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz
No Hospital Alemão Oswaldo Cruz servimos à vida. Somos um hospital de grande porte, referência em alta complexidade e confiabilidade.
Uma instituição de 128 anos, sólida, dinâmica e determinada a inovar e contribuir com o desenvolvimento da saúde. Nossa excelência é resultado o da nossa dedicação, prontidão, empatia no cuidado e na nossa incansável busca pela melhor experiência e resultado para nossos pacientes, com qualidade e segurança certificados internacionalmente pela Joint Commission International (JCI).
Contamos com um corpo clínico diversificado e renomado, além de um modelo assistencial próprio, que coloca o paciente e familiares no centro do cuidado.
Nosso protagonismo no desenvolvimento da saúde é sustentado por três pilares estratégicos: Saúde Privada; Educação, Pesquisa, Inovação e Saúde Digital; Sustentabilidade e Responsabilidade Social.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz – Registro CREMESP 9000039 – Responsável Técnico: Dr. Filipe Teixeira Piastrelli CRM: 152464/SP RQE: 114416
Dra. Letícia Jacome CRM:208780 / RQE:110874






