24.5 C
São Paulo
sábado, março 7, 2026
spot_img

Por que 2025 se tornou o ano mais difícil para entrar nos EUA

2025 entrou para a história como o ano da maior virada migratória dos Estados Unidos. Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o país promoveu uma reestruturação profunda nas políticas de imigração, impactando diretamente vistos de trabalho, turismo, estudo, asilo e permanência. O novo cenário inclui suspensão de processos, restrições em entrevistas consulares, proibição de entrada de cidadãos de 19 países e a maior operação de deportações já registrada.

Os reflexos para o Brasil são expressivos: só entre janeiro e outubro de 2025, mais de 2.200 brasileiros foram deportados, o maior número desde o início da série histórica da Polícia Federal, com alta de 37% em relação a 2024. O ritmo acelerado de voos de deportação e o recorde de detenções nos EUA indicam que o ano deve encerrar como o mais duro para imigrantes brasileiros.

No release abaixo, a advogada de imigração Larissa Salvador, CEO da Salvador Law, explica por que 2025 representa uma mudança estrutural, na política migratória americana, agora tratada como questão de segurança nacional. A especialista detalha os impactos práticos para brasileiros, os riscos nos processos de visto e o que muda na relação com consulados, fronteiras e tribunais.DE REDES SOCIAIS ABERTAS A TAXAS MILIONÁRIAS: O QUE MUDOU NA IMIGRAÇÃO AMERICANA EM 2025

Com políticas mais caras e rígidas, os brasileiros enfrentam revisões, detenções e controle ampliado. Especialista em imigração explica as principais mudanças em 2025, e o que esperar em 2026.

O ano de 2025 ficará marcado como o período em que os Estados Unidos passaram pela maior guinada migratória. A volta de Donald Trump à Casa Branca, em 20 de janeiro, desencadeou uma reestruturação completa das políticas de imigração, impactando vistos de trabalho, turismo, estudo, refúgio e permanência.

No primeiro ano, o governo já promoveu aumentos de taxas, suspendeu processos de asilo, restringiu entrevistas consulares e proibiu a entrada de cidadãos de 19 países com o objetivo de reduzir a chegada de estrangeiros e iniciar a maior operação de deportações americana.

Só em 2025, o número de brasileiros deportados pelos Estados Unidos atingiu o maior patamar desde o início da série histórica da Polícia Federal, em 2020. Entre janeiro e 1º de outubro, 2.262 pessoas foram devolvidas ao Brasil, alta de 37% em relação ao total de 2024.

No mesmo período, 24 voos de deportação já haviam sido realizados, com previsão de outros 12 até dezembro. O ritmo semanal deve consolidar 2025 como o ano com mais deportações de brasileiros, superando o recorde anterior, de 2021. Em paralelo, os EUA lidam com o maior contingente de imigrantes já registrado: cerca de 60 mil pessoas em centros de detenção, contra 39 mil no início do ano, impulsionados pela meta do governo de realizar até 3 mil prisões por dia.

“O que estamos vendo em 2025 não é apenas um ajuste administrativo, é uma mudança de lógica”, afirma Larissa Salvador, advogada de imigração e CEO da Salvador Law, com escritório sediado na Flórida “A administração Trump passou a tratar a mobilidade internacional como um tema de segurança nacional, e isso altera completamente a postura dos consulados, das agências de fronteira e até das cortes. Para o brasileiro, isso significa processos mais caros, análises mais restritivas e um nível de escrutínio que não víamos há muitos anos”, resume.

Principais mudanças
Entre as alterações que mais afetaram brasileiros estão:

  • Retorno da entrevista obrigatória para todos os solicitantes, incluindo crianças menores de 14 anos e idosos acima de 79;
  • Limitação do tempo de permanência: quatro anos para estudantes e até 240 dias para jornalistas;
  • Exigência de perfis de redes sociais públicos durante a análise de vistos estudantis, ampliando a fiscalização sobre comportamento, conexões e intenções do solicitante;
  • Os EUA aprovaram uma regra final que autoriza a coleta de dados biométricos (incluindo fotografia facial) de todos os estrangeiros na entrada e saída do país, com implementação a partir de 26 de dezembro de 2025. Essa coleta será realizada em aeroportos, portos terrestres e marítimos, e outros pontos de entrada e saída autorizados, expandindo o programa que antes operava principalmente em fases piloto e em alguns aeroportos.
  • O Teste de Cidadania para Naturalização de 2025 ficou mais rigoroso, o conjunto de perguntas possíveis aumentou de 100 para 128, e agora o candidato precisa responder 20 questões sorteadas na hora, em vez de 10. Para ser aprovado, deve acertar pelo menos 12, o dobro do exigido anteriormente.
  • O aumento da taxa do visto H-1B, que passou de US$ 215 para US$ 100 mil por petição. O valor vale somente para solicitações novas, não afetando renovações nem quem já possui o visto ativo.
  • O governo Trump também planeja começar a exigir que turistas estrangeiros isentos de visto divulguem histórico de redes sociais dos últimos cinco anos antes de entrarem nos Estados Unidos, segundo um comunicado oficial.

    Outro ponto marcante de 2025 foi o lançamento do ‘Gold Card’, programa que permite residência permanente a estrangeiros que pagarem US$ 1 milhão. A versão corporativa, voltada a funcionários patrocinados, custa o dobro.

Cenário para 2026
Para quem pretende iniciar um processo de visto no próximo ano, Larissa afirma que é preciso mais cautela: “Quem vai aplicar para 2026 precisa ter uma atenção ainda maior. Histórico migratório limpo, informações totalmente consistentes, documentação robusta e estratégia desde o início serão determinantes. Os erros que antes geravam atrasos agora podem custar a negação do visto”, alerta.

Segundo a especialista em imigração, os programas humanitários também devem enfrentar mais restrições. “O setor de refúgio tende a sofrer endurecimentos, pausas e revisões. Já estamos vendo reanálises de decisões concedidas nos últimos três anos para cidadãos de países considerados de alta preocupação. Asilo e refúgio serão os mais afetados pelas decisões políticas atuais”, destaca.

Para quem mora nos EUA
Para os brasileiros que já vivem no país, a orientação é redobrar os cuidados. A atuação do ICE cresceu em 2025, com operações em locais de trabalho, creches, aeroportos e consultas cruzadas a bancos de dados estaduais.
“Hoje, qualquer deslize pode ter consequências sérias. Evitar qualquer envolvimento criminal, não dirigir sem carteira válida, não trabalhar sem autorização quando isso gera registros formais e nunca mentir em formulários é fundamental. O que antes já era arriscado, agora pode significar a diferença entre permanecer ou ser deportado”, ressalta Larissa Salvador.

Ela reforça que quem tem caso pendente deve buscar regularização o quanto antes. “Sem advogado, o processo fica muito mais difícil. O juiz não pode ajudar o requerente a montar o próprio caso, e um erro técnico pode comprometer toda a estratégia.”

Copa do Mundo de 2026
Em relação a Copa do Mundo de 2026, que também será disputada nos Estados Unidos, a advogada explica que grandes eventos costumam criar a impressão de que haverá flexibilizações na entrada, mas que isso não deve acontecer. “A Copa do Mundo pode facilitar procedimentos pontuais para turismo e eventos, mas não muda política migratória. Não haverá abertura para vistos permanentes, asilo ou regularizações internas por causa do evento”, explica.

Segundo ela, é importante que os brasileiros não confundam o aumento do fluxo turístico com uma janela migratória, as regras continuam rígidas e a fiscalização, intensa.

Sobre a Dra Larissa Salvador: Advogada de imigração tem como missão representar brasileiros que desejam conquistar o Sonho Americano por meio de soluções jurídicas personalizadas. Nascida em Madureira, no Rio de Janeiro, e tendo vivido boa parte da sua vida no Complexo do Alemão (RJ), Larissa passou mais de dez anos em situação ilegal nos Estados Unidos; experiência que despertou sua vocação para o Direito Imigratório.

Residente em Boca Raton, na Flórida, Larissa é licenciada pela Ordem dos Advogados (BAR) da Flórida e de Washington DC e está há seis anos à frente da Salvador Law, escritório especializado em imigração, onde atua em processos de vistos para trabalho/negócios, estudo e turismo; defesa em casos de deportação; pedidos de fiança; regularização de status e ações com base no VAWA (Violence Against Women Act).

Seu trabalho vem sendo amplamente reconhecido: recebeu o prêmio Top 40 Under 40 pela National Black Lawyers Association; o título de Personalidade Feminina do Ano pelo International Business Institute; e foi nomeada entre os Advogados Mais Influentes de 2025, com destaque no The Washington Post. Atualmente, a Salvador Law se consolida como referência em atendimento a brasileiros nos EUA, oferecendo uma gama completa de serviços jurídicos em imigração. Saiba mais em: Link

Variados

- Advertisement -spot_img

Ultimas Notícias