PERSONAGEM DO TRADE

Entrevista: Cristina Bueno proprietária da Ideias Turismo agência que completou 30 anos

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Maria Cristina Bueno é natural de Anápolis-GO, mas praticamente nasceu em Brasília, pois chegou a capital federal com apenas um mês de vida, se formou em turismo  pela UPIS em Julho/1985.

Seu primeiro emprego foi num banco, coincidentemente onde o Joseline Ramos proprietário na época da JR Turismo fazia seus investimentos, e  foi onde Cristina teve seu primeiro emprego no ramo do turismo.

Após um ano na JR Turismo foi convidada a abrir uma agência onde seriam três sócios, a empresa que já tinha a Ideias Marketing e passaria a ter também a Ideias Turismo. Após um ano Cristina adquiriu a parte do sócios e se tornou a única proprietária da agência de turismo.

Teve muta dificuldade no início pois além de gerente, era emissora, office-girls…enfim fazia tudo na agência e na época não existiam as facilidades de hoje, como as consolidadoras.

Cristina precisava  ter crédito diretamente junto as cias aéreas, oferecendo para isso garantias reais para comprovar qualificação financeira, garantias essas que não eram poucas, e assim  obter a certificação do  IATA que a permitiria trabalhar.

O VoeNews esteve no escritório da Ideias para saber mais da história desta grande profissional que se mistura a da Ideias Turismo, agência que completa 30 anos de história.

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O VoeNews esteve no escritório da Ideias para saber mais da história desta grande profissional que se mistura a da Ideias Turismo, agência que completa 30 anos de história.

Nome Completo:   –  Maria Cristina Bueno

Nome utilizado no trade:  Cristina Bueno

Naturalidade:   Anápolis – GO

Nome dos seus pais:  Antônio Carlos Felício Bueno e Marestella Soares Bueno

Tempo de Turismo:  31 anos

Formação:  Superior em Turismo

Signo:  Aquário

Data Nascimento:  02/02/61

Pratica algum esporte: Frequento academia todos os dias e ando de bicicleta nos finais de semana

Tem um time de coração:Me simpatizo com o Flamengo

Tem animal de estimação:Tenho um gato da raça Maine Coon  (Gato gigante)

O que é indispensável pra você: Paz de Espírito e respeito.

Tem algum ídolo: São vários ídolos, em especial minha mãe

Qual a sua comida favorita: Churrasco

Tem alguma mania ou superstição: Sim, perguntar qual a data de nascimento quando conheço alguém para saber o signo, e conhecer as características da pessoa.

Quando criança sonhava em ser o que sonha profissionalmente:Psicóloga

Uma alegria: Estar entre amigos e familiares

Uma tristeza: Ter perdido minha irmã muito cedo

Um Livro: O Caminho da alta transformação  (Eva Pierrakos)

Filme: Gosto de muitos filmes,  não gosto de filme de terror

Estilo musical: MPB, Lounge não gosto de música sertaneja

No que é se acha bom: Em estratégias, Administrar

No que não se acha bom : Falar em público

Você não poupa dinheiro na hora de: Viajar

Tem algum sonho de consumo ainda não realizado: Sim, conhecer a Rússia e o Japão

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VoeNews: Tem algum projeto em mente no âmbito pessoal ou profissional ?

No âmbito pessoal estudar direto e ampliar o portal da Ideias Turismo para vendas on-line

VoeNews: Qual sua viagem inesquecível ?

Turquia, há seis anos

VoeNews: Pra você, qual é o melhor lugar do Mundo ?

O Brasil, apesar dos problemas políticos, mas a alegria do povo brasileiro é contagiante

VoeNews: Tem uma frase que te marcou ? 

Sim, quando abri a Ideias Turismo, o meu pai me falou;

“Cristina encare o trabalho como trabalho e não como problema

VoeNews: Como era abrir uma agência de turismo a 30 anos atrás?

Primeiramente era exigência que abríssemos uma empresa fora de Brasília, somente depois a mesma poderia ser transferida.

Até para escolher o nome era complicado, pois tínhamos que enviar pra Embratur três “sugestões” de nomes para que eles escolhessem qual seria o nome da agência.  Era escolhido um nome que não tivesse nenhuma duplicidade após eles fazerem uma pesquisa que durava cerca de 20 dias.

A Embratur tinha força naquela época e fazia gestão das agências de uma forma muito criteriosa e burocrática.

VoeNews;  A Ideias está localizada no Setor de Rádio e Televisão Sul, para onde veio grande número de empresas de turismo desde o começa vocês estão aqui ?

Começamos no Ed. Oscar Niemeyer no Setor Comercial Sul e ficamos lá até o ano de 1999 e tivemos que sair de lá por conta da chegada da Eurexpress, foi uma opção do locatário das salas, então tive que sair,  e aqui na época era onde funcionava a Fundação Ferroviária do Rio de Janeiro, estava até abandonado na verdade, eu e meu irmão que também tinha um empresa resolvemos alugar todo o 2º andar e após a saída dele eu fiquei com esta parte.

VoeNews: Hoje temos a figura do consolidador  que fornece passagens e operadores que fornecem hotelaria ás agências  mediante  garantias mínimas, poderia relembrar como era antes?

Realmente não existia a figura do consolidador, então pra funcionar a agência precisava ter o IATA, que também não era fácil, como eu estava começando meus negócios tive que recorrer ao meu pai para que o mesmo desse garantias, quem não eram poucas para poder ter direito aos bilhetes das companhias aéreas, até porque era tudo manual, precisávamos dos formulários para efetuar as emissões.

A IATA até nos dias de hoje é difícil conseguir devido a quantidade de exigências, a diferença é que hoje uma agência consegue funcionar sem a mesma.

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VoeNews É difícil tirar mas ter o IATA traz benefícios e vantagens concorda?

Eu sempre fui IATA, e somente algumas passagens eu emito através de consolidadoras, pois o crédito direto com a companhia aérea e demais fornecedores é a melhor coisa que tem, se não você não aparece pra ninguém, sua visibilidade é nula quando se usa intermediários.

VoeNews: A ideias Turismo já nasceu com atendimento voltado a órgãos do governo?

No início o nosso trabalho era de atendimento voltado a pessoas físicas, tipo formiguinha mesmo, correndo atrás de clientes. Também busquei fazer representações em Brasília, foram várias, inclusive da Ibéria por um bom período, no fatídico 11 de setembro eu ainda era representante da Ibéria.

O foco da empresa no início era esse tipo de negócio, pessoas físicas e corporativo empresas, somente depois fomos migrando pro corporativo governo, de forma bem gradativa.

VoeNews: Como se deu essa mudança para o segmento que hoje é a principal atividade da Ideias Turismo?

Com relação ao atendimento á órgão do governo a Ideias é relativamente nova, tem aproximadamente 12 anos, até porque era muito difícil atender, pois além da questão de capital de giro existiam restrições para empresas menores.

Com a criação da Lei da Empresa de Pequeno Porte –Lei Complementar 123/2006, foi quando de fato pudemos entrar com força neste segmento, antes dessa lei somente as grandes podiam participar das licitações, o que inviabiliza a entrada de agências como a nossa.

À partir desta mudança, que permitia agência com capital social de aproximadamente 50 mil reais participarem das licitações tivemos condições concorrer e ganhar, isto foi no ano de 2006, inclusive ano que economicamente o Brasil estava num momento muito favorável, sem inflação o crédito ficou mais fácil e a competitividade pôde existir como tem que ser.

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VoeNews: Então antes desta lei existia um grupo seleto de grandes empresas que dominavam o mercado?

Sim, sem dúvida era totalmente restrito, tinha uma única empresa com 45 contratos junto á órgãos do governo, a lei veio para pulverizar este mercado que é grande e tem espaço para mais empresas que também tem condições de atender o governo com seriedade e com responsabilidade.

Eu era bem pequenininha diante das demais agências, lembro-me que quando iniciei no atendimento ao governo já estavam bem a frente empresas como Voetur do Carlos alberto, AGM do Fernando, Apolo Turismo, Capri Turismo  a Terra Azul do Fred, Trips, eram  empresas fortes.

VoeNews:A lei veio para dar mais possibilidades ás empresas menores, mais como vê isto com o atual cenário da economia?

Hoje lamentavelmente estamos retroagindo no que se refere ás dificuldades do passado, porque o crédito está muito restrito, o que compromete o investimento do governo e consequentemente diminui o capital de giro, e principalmente devido a nossa remuneração que é muito baixa, a operacionalização fica realmente complicada.

VoeNews: Como foi a mudança nos contratos com o Governo quando foi implantada a Taxa D.U que substituiu o comissionamento das agências?

Realmente foi uma transição bem complicada, porque tivemos que mudar todos os contratos para que os mesmos se adaptassem a nova realidade, parou tudo, tínhamos que de uma forma rápida alterar não só os contratos, mas os parâmetros de sistemas e uma série de outros fatores que precisavam ser refeitos para que funcionasse no novo formato.

Inclusive tiveram empresas que neste período encerraram atividades porque não conseguiram se adaptar a nova realidade.

VoeNews: Nesses 30 anos de Ideias com tantos fatores externos que exigem mudanças como esta da D.U era possível você fazer um planejamento a longo prazo?

Não, de forma alguma, a mudança era constante e planejamentos inviáveis, tivemos que viver um dia de cada vez, não dá pra ser diferente…, recentemente estava com um fornecedor que me perguntou pelo ano de 2017, eu falei “não sei”, porque se o Temer cair complica ainda mais a credibilidade do país , o Trump foi eleito com propostas muito radicais e o dólar está oscilando muito, então sempre foi assim, desde a era Collor que passamos por mudanças constantes e precisamos nos adaptar cada dia a uma nova realidade.

VoeNews: Outra mudança foi a Central de Compras do Governo como vê esta ação governamental?

E lamentável, mesmo como a mobilização da ABAV e das agências de turismo, inclusive com apoio do Senador Hélio José que realizou uma audiência pública no Senado justamente para discutir isso o processo continua.

Existe uma força tarefa muito grande por parte do governo de dar continuidade a Central de Compras, vejo com cautela, mas aparentemente existem coisas obscuras, não sei dizer se companhias estão sendo favorecidas, ou se pessoas, sinceramente eu acredito que mais cedo ou mais tarde algo vai vir a tona sobre esta questão.

Não existe lógica neste negócio que não tem Lei Kandir, reembolsos não são realizados com transparência, então acredito que não deve durar pra sempre.

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VoeNews: Falando em mudanças constantes a tecnologia não para. E nesses 30 anos de idéias saímos do bilhete físico e telex para vendas on-line, como foi pra você tudo isso?

No início era terrível, não sei como conseguíamos trabalhar com tudo feito manualmente, o avanço tecnológico veio para nos ajudar, para nos favorecer principalmente no que se refere ao controle, que é algo primordial para a sobrevivência de qualquer empresa.

Investimento em tecnologia talvez seja o dinheiro mais bem gasto por uma empresa, hoje  temos tecnologia de ponta, o sistema que possuímos nos permite saber de imediato se todas as emissões foram faturadas, se a Lei Kandir foi recebida e minuciosamente detalhes de todos os processos em andamento como produção de cada funcionário, se as negociações estão sendo aplicadas, se a cias aéreas estão cometendo equívocos., etc.

O controle hoje é tudo, fechamos o ralo e evitando problemas, quanto menor a margem de lucratividade mais eficiente precisa ser o controle.

VoeNews Você afirma que adquiriu tecnologia de ponta, este investimento te permitiu ter mais tranquilidade e menos preocupação no desempenho das suas funções?

Sem dúvida, hoje vejo que é bem mais difícil administrar uma empresa com 3 funcionários do que com 50 funcionários, a empresa de porte maior tem pessoas que são nossas parceiras e podemos delegar responsabilidades e isso associado a tecnologia de ponta permite que possamos ficar um pouco mais tranquilos com o andamento das atividades diárias da agência.

Em função da desaceleração da economia demos uma enxugada e estamos com 30 funcionários e procuro ter sempre três funcionários por setor de forma que a ausência de um não prejudique o andamento dos trabalhos, a programação de férias e rodízio de funções também evita que tenhamos problemas em nossas atividades diárias.

VoeNews: E quanto a sua equipe existe muita rotatividade quais são as características?

Acredito que estamos dentro da normalidade, mas tenho por exemplo o Abrão que está a 28 anos trabalhando comigo, o Velazques se aposentou na agencia ficou 20 anos, a Fernanda com 13 anos, e vários outros com muito tempo de casa , temos uma equipe de alto nível, pois acredito que seja melhor ter um funcionário de qualidade do que vários que não tenham o conhecimento e experiência para desempenhar a função.

A Paloma, que foi funcionária da BBtur, hoje exerce a função de gerente Operacional.

O Cid por exemplo que está comigo a um ano, foi funcionário da Varig, tem grande experiência, é um exemplo de que a experiência para nós conta bastante, isso inclusive minimiza falhas.

VoeNews: Como você vê o atendimento ao governo. È só ganhar a licitação e tirar pedidos?  

O Governo é um cliente como qualquer outro, você precisa atuar não só na captação, mesmo que seja através de uma licitação, a sua acomodação pode comprometer uma possível renovação de contrato que pode perdurar por até 60 meses ou não.

Então quem acredita que basta ganhar uma licitação está equivocado, até porque existe modalidade de licitação que o governo pode ou não renovar com a empresa licitada, e se ele não sentir que o atendimento está a contento a rescisão pode sim acontecer, com penalidades.

A relação também acontece, um exemplo é o Ministério do Planejamento que atendemos por muitos e muitos anos e hoje mesmo não atendendo tenho relação de amizade com pessoas até porque o convívio é da mesma maneira que os demais clientes, e aprestação de serviço precisa ser com qualidade. Você acaba conhecendo pessoas e com o tempo se relacionando e tornam-se até amigos.

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VoeNews: Nessa longa caminha de 30 anos você já pensou em desistir do turismo e mudar de ramo nos momentos de dificuldades?

Desistir do turismo nunca, mas nos momentos que via o mercado em dificuldades pensei em ir para outros segmentos paralelamente, no início eu abri representações justamente para dar um equilíbrio as atividades da agências, mas é algo que está dentro do turismo.

Com relação a desistir e mudar de ramo eu nunca pensei nisso justamente porque eu sinceramente não sei fazer mais nada, então independente da economia de mudanças tenho que continuar fazendo o que gosto e o que sei fazer.

VoeNews: Com relação ás pessoas do trade, com quais você teve mais proximidade nesses anos?

Eu nunca fui de participar de muitos eventos ou festas, que no passado aconteciam bem mais inclusive, mas tem pessoas que admiro muito como o Joseline Ramos, vejo ele como um grande profissional, também admiro muito o Santoro da Gap, a Regina Barros da West Central, a Cida da CVC, o Ricardo e a Anne da Clan também são maravilhosos, são muitas pessoas que fazem parte do trade e trabalham com seriedade e dedicação.

Publicado em 05 de Dezembro de 2016

 

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